Belém e a breguice das ‘elites’

POR VLADIMIR CUNHA (*), no Facebook

A tal da elite belenense só vai virar a chavinha da breguice quando sacar uns lances.

Primeiro que não existe lugar de rico em Belém. O que existe são lugares de classe média/classe média alta com preços mais ou menos salgados. Nada proibitivo para quem estiver afim de frequentar.

Vegas, El Patrón, barracas de Salinas…são casas normais que em qualquer lugar do mundo não seriam sinônimos nem de sofisticação nem riqueza. Lugares medianamente caros com iluminação indireta, blindex e ar-condicionado. Numa cidade pobre e avacalhada como Belém até passam como algo elitizado. Mas não são, assim, um Lutece ou o La Côte Basque, saca?

Para o norte-americano realmente de elite – do upstate New York, dos Hamptons, do Upper East Side ou da Ivy League – Las Vegas é uma cidade que representa um extrato social ao qual ele não quer ser relacionado.

E dá pra ir também. Como quase todo mundo da “elite” de Belém vai: parcelado no cartão, na classe econômica. Se bobear é mais barato que ir pro Rio.

SUV não é status social. É só um carro grandão, caro que as pessoas financiam em dezenas de meses porque não têm grana pra pagar à vista. Como dizem nos Estados Unidos: Selfish, Uncool and Vain. E quando a prestação do apartamento atrasa é a primeira coisa que eles correm pra devolver na loja. É sério. Pergunta pra qualquer dono de concessionária de novos ou usados a quantidade de SUVs e carros de luxo devolvidos entre agosto e setembro, quando a charlação “no Sal” acaba e o cabra se liga que ele não vai poder pagar aquela porra.

Só tô dizendo isso pra galera parar com esse papo de que a gente reclama das filas duplas e dos carros nas calçadas e praças no entorno desses lugares porque tem inveja. A gente não tem não. De verdade. E eu até acho que cada um tem o direito de se divertir como quiser. Seja em um show de black metal ou num bar de playboy. O que rola é que a gente se irrita porque quer andar na calçada sem ter uns monstrengos barrando a passagem, dirigir sem fila tripla na rua e andar de bicicleta sem se desviar de playboy covarde que se acha o pica das galáxias porque ganhou um carro de cem mil do papai (também financiado em um caralhal de meses, mas essa parte eles nunca contam).

Na real, boa parte dos meus amigos “malucos”, “maconheiros” e “underground” ganha até mais do que essa galera da ostentação. A diferença é que a gente não liga pra essas coisas e não está acostumado a medir as pessoas pela marca da roupa ou pelo tamanho do carro.

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