POR GERSON NOGUEIRA

O que começou com luta e capacidade de reação terminou de forma melancólica para o Remo, ontem à noite, diante do Bragantino, no interior paulista. Eficiente, o mandante fez oito finalizações no gol ao longo da partida e converteu quatro, garantindo merecida vitória por 4 a 2.
Após um início de muito embate, o Bragantino abriu o placar aos 20 minutos, em jogada de Lucas Barbosa pela direita. Ele entrou na área e cruzou para Isidro Pitta, que finalizou com um chute pelo alto.
O Remo reagiu aos 28’, com um golaço. Taliari aproveitou um erro de Alix e bateu do meio-de-campo, por cobertura, vencendo o goleiro Tiago Volpi. A beleza da jogada não foi suficiente para arrumar o setor defensivo do Leão, que voltou a apresentar falhas de posicionamento.
Aos 37’, após arremesso lateral cobrado por Mayck, a defesa permitiu que Lucas Barbosa controlasse a bola e acionasse Mateus Fernandes. Este rolou para Pitta, que chutou cruzado no canto, estabelecendo 2 a 1 para o RBB.
A resposta azulina foi fulminante. Aos 39’, Jajá cruzou da linha de fundo para o cabeceio perfeito de Marcelinho, no canto da trave defendida por Tiago Volpi, empatando novamente a partida.
Com a demonstração de força no 1º tempo, o Remo parecia disposto a buscar a vitória na etapa final. Ficou na vontade. O Bragantino sufocou qualquer pretensão azulina marcando logo aos 2 minutos.
Um cruzamento baixo de Vinicinho achou Isidro Pitta na área. Ele se antecipou à zaga e cabeceou no canto direito de Marcelo Rangel, anotando seu terceiro gol no jogo. Com 3 a 2 para os donos da casa, o time desconcentrou e tomou o quarto gol logo em seguida.
Aos 6’, Vinicinho cruzou rasteiro e Tchamba, ao tentar afastar a bola, pôs a bola para dentro do próprio gol. Com falhas na cobertura, pois Patrick e Zé Welison não acompanhavam a movimentação do Bragantino no meio, a zaga ficou muito exposta e quase permitiu uma goleada.
Marcelo Rangel salvou três bolas que tinham endereço certo. Jajá ainda balançou as redes, mas o VAR apontou impedimento de Taliari na origem da jogada.
Os minutos finais expuseram a outra face do atual momento do Remo. Poveda, Alef Manga, Pikachu, Zé Ricardo e Vítor Bueno substituíram Taliari, Jajá, Mateus Alexandre, Zé Welison e Jaderson, mas o time não reagiu. Cansado, não conseguiu mais pressionar e entregou os pontos.
Papão luta, mas deixa escapar a vitória
Foi o segundo jogo seguido em casa e o Papão ficou novamente no empate, desta vez contra o Barra (SC), pela 3ª rodada da Série C. Na partida anterior, havia empatado com o Brusque, também por 1 a 1. Pouco mais de 7 mil torcedores acompanharam a partida, sábado, na Curuzu.
Nos primeiros minutos, prevaleceu o equilíbrio, mas o PSC conseguiu se organizar melhor e impôs velocidade para pressionar em busca do gol. Levou perigo em ações pelos lados com Hinkel, Edilson e Kleiton Pego, mas a zaga do Barra levava a melhor nas bolas aéreas.
Numa escapada pela direita, Marcelinho chutou forte, mas Gabriel Mesquita encaixou bem. Aos 26 minutos, o gol do Papão. A bola foi cruzada da direita na cabeça de Kleiton Pego, que desviou no canto.
A abertura do placar empolgou a torcida, mas, apesar de ter o controle da partida, o PSC não se impôs ofensivamente. Ameaçou somente duas vezes, com Hinkel e Kleiton. Isolado entre os zagueiros, Ítalo Carvalho não apareceu para o jogo – foi substituído por Juninho no 2º tempo.
Aos 45 minutos, um descuido geral na marcação permitiu que o Barra tivesse sua melhor chance na partida. E Warley não desperdiçou. Recebeu a bola junto ao círculo central, avançou sem ser bloqueado e desferiu um chute certeiro, no canto direito. O empate silenciou a Curuzu.
Após o intervalo, o PSC trocou Hinkel por Thalison e esta foi a melhor decisão de Júnior Rocha, pois o ponta infernizou a marcação, criou duas boas situações e fez a torcida levantar nas arquibancadas. Pena que não foi acompanhado pelos demais atacantes e o jogo terminou empatado.
Brasil precisa fazer justiça a Garrincha
Era ele, a bola e ninguém mais. Um ponteiro arisco, audacioso, indomável. Alegria do Povo. Assim era Mané Garrincha, símbolo-maior do conceito de futebol moleque que o Brasil cultivou por tantas décadas e que seria miseravelmente desrespeitado pela geração enzo dos gramados.
O fato é que hoje todo garoto que arrisca, risca e dribla, quer ser (à sua maneira, mesmo que não saiba disso) um Garrincha. O camisa 7, que honrou a Estrela Solitária no grau máximo e ganhou sozinho uma Copa do Mundo (1962) para o Brasil, já merece um desagravo histórico.
A própria CBF cultiva a injustiça em relação a Mané, excluindo-o de uma galeria dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos – heresia que nenhum outro país da alta hierarquia do futebol ousou cometer.
Um exemplo da importância de Mané, nosso anjo de pernas tortas: o Brasil enfrentou a Inglaterra quatro vezes em Copas do Mundo: 1958, 1962, 1970 e 2002, com um empate e 3 vitórias. E vejam que coincidência maravilhosa: em todas essas Copas o Brasil terminou campeão.
Apesar desse cartel, Mané tem sido sistematicamente apagado e esquecido. Isso é visível entre os jovens, que não viram o gênio em ação. Os vídeos estão aí e todos ainda têm a chance de aplaudir e venerar um dos gigantes do futebol.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 20)
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