Conspiração revelada em conversa de Jucá ‘parece, soa e cheira’ a golpe, diz The Intercept

Um artigo publicado nesta segunda-feira (23/05) pelo site norte-americano The Intercept sustenta que a divulgação das conversas do ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer, Romero Jucá (PMDB-PR), “acendem uma luz” sobre os reais motivos e agentes do processo de impeachment contra a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e devem levar toda a imprensa a considerar o uso da palavra “golpe” na cobertura sobre o caso.

“Um golpe parece, soa e cheira exatamente como esta recém revelada conspiração: assegurando a cooperação dos militares e das instituições mais poderosas para remover uma presidente democraticamente eleita por motivos egoístas, corruptos e ilegais, para então impor uma agenda a serviço das oligarquias e rejeitada pela população”, afirma o texto.

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Brasília – O ministro do Planejamento Romero Jucá, durante entrevista coletiva em que explica teor da conversa gravada entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em que teria falado sobre barrar investigações da Lava Jato (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em reportagem publicada nesta segunda-feira (23/05) pelo jornal Folha de S.Paulo, Jucá aparece em diálogos com o ex-presidente da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras e alvo da Lava-Jato, Sérgio Machado. Nas conversas, gravadas no começo de março, antes da aprovação do processo de impeachment de Dilma pela Câmara dos Deputados, Jucá defende um “pacto político” para tirar Dilma da Presidência e assim deter o avanço da Operação Lava-Jato.

Segundo o texto do The Intercept, assinado por Glenn Greenwald, Andrew Fishman e David Miranda, as conversas “acendem uma luz a respeito dos reais motivos e agentes do impeachment da presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff”.

“As transcrições contêm duas revelações extraordinárias que podem levar toda a imprensa a considerar seriamente chamar o que aconteceu no país de ‘golpe’, um termo que Dilma e seus apoiadores vem usando por meses”, diz o artigo.

Uma das revelações, de acordo com o texto, é a afirmação de Romero Jucá de que as Forças Armadas apoiam a “conspiração” contra Dilma. A segunda e “talvez mais significante”, segundo os jornalistas do Intercept, é a do envolvimento de juízes do STF (Supremo Tribunal Federal) no processo para destituir Dilma.

Os jornalistas dizem que as duas primeiras semanas do governo de Michel Temer fornecem “grandes evidências” para os argumentos sustentados pelos “apoiadores da democracia brasileira” de que o objetivo principal do impeachment não era o fim da corrupção ou punição para os envolvidos, e sim o contrário.

Um exemplo, segundo o artigo, foi a nomeação feita por Temer de ministros diretamente envolvidos em casos de corrupção. O próprio presidente interino, aponta o texto, “está profundamente implicado em casos de corrupção” e enfrenta a possibilidade de se tornar inelegível pelos próximos oitos anos devido a irregularidades com a Justiça Eleitoral.

De acordo com o Intercept, “[Michel Temer] está correndo para implementar uma série de mudanças de direita e orientadas para as oligarquias do país, que o Brasil jamais permitiria democraticamente”, como alterações na definição de trabalho análogo à escravidão, reversão de demarcações de terras indígenas e corte no programa Minha Casa Minha Vida.
No entanto, segundo os jornalistas, as conversas de Jucá não são “meras evidências”, e sim “provas de que as principais forças por trás da remoção da Presidente entenderam que removê-la era o único meio de se salvarem e de evitarem que sejam responsabilizados por sua própria corrupção”, indica o artigo.

Eles afirmam que a justificativa de Jucá de que as conversas foram retiradas de contexto “não é minimamente razoável à luz do que ele disse na gravação,  bem como da explícita natureza conspirativa da conversa”.

Os jornalistas indicam também que as transcrições “compelem a um reexame” da decisão editorial do Intercept, que até agora se absteve de empregar a palavra “golpe” para denominar o processo de impeachment de Dilma.

O texto diz também que conteúdos divulgados dificultarão a permanência de Temer no poder caso o impeachment de Dilma se concretize e lembra que, confome pesquisa do Ibope ,62% dos brasileiros querem novas eleições para presidente. “Esta opção – a opção democrática – é a solução mais temida pelas elites do Brasil, porque elas estão apavoradas (com bons motivos) com a possibilidade de que Lula ou outro candidato que as desagrade (Marina Silva) possam ganhar”, diz o artigo. (Do Opera Mundi)

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