POR GABRIELA MOREIRA, da ESPN
Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 estão no centro da atuação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nos esquemas de corrupção denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) nesta semana. O pedido de afastamento do parlamentar mostra como ele usou o evento e a função legislativa para o recebimento de propina e outras vantagens ilícitas.

Segundo consta da medida cautelar, foi por meio da MP 584 – que aprovou benefícios fiscais para os envolvidos nos Jogos Olímpicos – que Cunha atendeu aos interesses de empreiteiros, em especial da construtora OAS.
“Verifica-se que Francisco Dornelles apresentou nada menos que 15 emendas à referida MP”, descreveu o procurador Rodrigo Janot no pedido, completando posteriormente: “Eduardo Cunha afirmou que passou o texto na Comissão e que teria ficado ‘muito bom o texto’ e ‘alcança todas as obras no Rio’”.
Em outro trecho, a Procuradoria afirma que alguns dias depois da negociação das emendas à MP da Olimpíada “Cunha cobrou o pagamento de valores, que, pelo teor das conversas anteriores, era em duas partes: R$ 1.500.000,00 e R$ 400.000,00”, descrevem na medida cautelar.
As conversas sobre os valores foram entre o deputado federal e o diretor operacional da OAS Bahia, Manuel Ribeiro Filho.
Isenções fiscais para os Jogos
Francisco Dornelles (PP-RJ) é senador e atual vice-governador do Rio. Segundo o documento, ele teria sido um dos escolhidos pelo peemedebista para atender aos interesses das empreiteiras. Não há informações no relatório, no entanto, se o senador recebeu qualquer valor em troca. Uma das emendas, de número 52, ampliou a isenção fiscal prevista na MP às obras de infraestrutura de transportes.
Aprovada em 2012, a medida concedeu benefícios fiscais aos órgãos envolvidos nos Jogos Olímpicos, entre eles: Comitê Olímpico Internacional (COI), Corte Arbitral do Esporte (CAS), Agência Mundial Antidoping (Wada) e o comitê Rio 2016. Entre as provas que serviram para embasar o pedido de afastamento estão trocas de mensagens entre Eduardo Cunha e o presidente da OAS, Leo Pinheiro, já condenado a 16 anos e quatro meses de prisão.
Ao todo, segundo os procuradores, o hoje presidente da Câmara dos Deputados negociou, pelo menos, seis MPs: 574, 575, 578, 582, 584 e 600. O pedido de afastamento de Cunha foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira, mas só deve ser julgado após o Carnaval do ano que vem.
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