Reflexões pós-Carnaval

POR GIL MATTOS

Fim de mais um Carnaval.
Mas será mesmo?
10368231_787283331307889_4899672072545078647_nO Carnaval está presente todos os dias na folia desenfreada de um País recheado de taxas , impostos abusivos e aumentos de toda a ordem onde quem comemora e se diverte é uma classe que , no poder , assiste de camarote o sofrimento do brasileiro.
Vivemos milhões de tons de cinza onde cada brasileiro está sendo acinzentado com os tapas nada amorosos do sistema e as algemas trucidantes que nos tornam reféns. Discursos ” sedutores ” que já não deixam ruborizada a Nação que silencia e adormece.
E a nota deste Carnaval se define como Zeeeerooo para cada brasileiro que não entende de política , mal sabe falar/escrever a palavra ” impeachment ” e pouco reconhece dos bastidores e articulações que visam interesses partidários e não o legítimo que deveria emanar do povo.
A dispersão deste Carnaval desenha os amores da vida nunca correspondidos.
Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina.
E tudo acaba em cinzas. 

8 comentários em “Reflexões pós-Carnaval

  1. E o Gil Matos como sabe escrever a tal palavra, certamente deve ser um expert em política, desta política que vem sendo praticada pelo governo federal e sua base aliada. E deve ser exatamente por isso que as palavras que profere evidenciam um medo supremo de que o povo de verdade acorde para os seus verdadeiramente legítimos interesses e respalde o IMPEDIMENTO da presidente que juntamente com os outros que estao no poder com ela, se preocupam exclusivamente com os interesses partidarios e particulares, e com isso levam a maioria da nacao ao sofrimentosupremos com o aumento de taxas, impostos, contribuicoes e tributos de um modo geral, alem dos precos ao consumidor, enquanto repartem a riquesa do país à base de bolsas para uns e bilhoes para os que estao no poder. Tudo isso sem contar a anarquia nas areas da seguranca e da saude, dentre outras.

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  2. Antonio, você que gosta de um debate, me diga:que achas de um Ministro da Justiça que se reúne em segredo com advogados para tratar de processo judicial, ou seja, que nada tem a ver com ele, uma vez que cabe só ao Poder Judiciário, e não ao Ministério da Justiça, tratar dessa questão?

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  3. Texto belíssimo, cujo trecho:

    “O Carnaval está presente todos os dias na folia desenfreada de um País recheado de taxas , impostos abusivos e aumentos de toda a ordem onde quem comemora e se diverte é uma classe que , no poder , assiste de camarote o sofrimento do brasileiro.”

    Merece um comentário, no qual acescento que a vida do povo brasileiro virou mesmo um carnaval, onde aquela marcnhinha antiga, transformasa em paródia, relata hoje a situação em que vivemos:

    ” Há quanto sorriso, há quanta tristeza,
    o pobre brasileiro é o palhaço do salão ,
    e os alecrins nos camarorates com as suas colombinas,
    gozando essa multidão. “

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  4. Elton, se realmente esta interlocucao ocorreu, eu diria do mesmo modo como costumam dizer alguns jornalistas “chapa branca”, se referindo ao Ministro da Justiça:’mais um tiro no pé’, ‘mais uma barbeiragem’ do Ministro da JuJustiça. Enfim, mas, seja como for, sempre ressalvando a hipotese da interlocucao ter ocorrido mesmo, o evento evidencia que não é muito confiavel a versão segundo a qual a Lava a jato se desenrola sem intervencoes estatais.

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  5. Colegas, vou meter o bedelho na discussão alheia.

    Pela Ordem do Discurso, de Foucault, pelo significado amplo de aparelhamento ideológico do estado de Althusser, e também pela sociologia de Bourdieu, nem de longe se discutiria um impeachment contra Dilma agora.

    1) Pelo que Foucault evidencia sobre o poder de influência política do discurso (e é disto que estamos falando, afinal, onde estão as provas contundentes contra Dilma depois de nove fases de investigação da lava jato e a produção de incidentes e de oportunidades de manter no ar denúncias contra ela que não se comprovam nem totalmente, nem parcialmente?) trata-se da concretização do sonho das oligarquias, de uma mídia que desinforma e deseduca pedagogicamente. Com certa didática e grande qualidade estética, apresenta-se uma versão fictícia dos fatos, baseada, bem, em metafísica… E isso num país de lei positiva. Vale dizer, o material apresentado até aqui não comprova qualquer ligação direta e lateralmente, tampouco vincula Dilma às supostas fraudes. Temos a ordem do discurso contra o PT, cuja crise por inexperiência ou imperícia vem sendo profetizada desde 2002. Após uma década de sucesso no objetivo de ampliação do mercado interno para fortalecimento das bases econômicos com objetivo de crescimento duradouro e fortalecimento do estado, à primeira crise, cantam os verdadeiros incompetentes aos incautos como que o testemunho do cumprimento das previsões econômicas de uma década atrás como um acerto de antecedência histórica aquilo que se vê hoje em dia. A previsão feita em 2002 era para 2002. Seria para o governo de Lula fracassar ante àquelas visões do futuro. Em 2014, com 12 anos de atraso, o inferno dantesco da crise pintada há mais de uma década parece se concretizar, mas só parece, pois isso é muito mais pela falência do modo de produção capitalista que pelas políticas próprias do estado. A era da informação gerou uma crise de confiança. Algo que só pode ser abafado pela desinformação…

    2) O aparelhamento ideológico do estado é uma teoria crítica francesa que não se refere somente ao estado, mas a tudo que nele exista. A ideia central de Althusser é evidenciar que as estruturas econômicas se originam na construção histórica do estado pelo povo. É vontade do povo a regulação do mercado pelo estado porque o povo quer justiça. Daí, leis antitrustes e anti-cartéis. Daí, escolas públicas. Daí, hospitais públicos… Quando o povo elegeu o PSDB, aparelhou o estado com a ideologia neo-liberal, Quando elegeu o PT, mudou para o socialismo. O aparelhamento ideológico do estado não é exclusividade da esquerda, é um processo natural do poder. Mesmo o papel da mídia tem sido resultado de seu aparelhamento ideológico afinado com interesses neo-liberais. O posicionamento da mídia reacionária é também o reflexo do discurso de uma ideologia…

    3) Até que podemos chegar a Bourdieu, que admite que existe no mundo social estruturas que podem dirigir ou coagir a ação e a representação dos indivíduos neste mesmo mundo social. (uma interpretação marxista plausível já que mesmo o capitalismo é marxista, mesmo Adam Smith é marxista n’A Riqueza das Nações, epistemologicamente não se nega a importância de Marx para as ciências humanas), isso quer dizer que Bourdieu e Foucault apresentaram pontos de vista distintos sobre as disputas próprias do poder. E o que se vê na mídia não passa das representações de um lado e de outro, coagindo e dirigindo indivíduos, sobretudo da iniciativa neo-liberal.

    Como beneficiário da política econômica do PT, um pobre que pode acessar a internet de casa, como não se imaginava nos anos 90, defendo Dilma e o PT pela simples manutenção da situação econômica favorável ao mais pobre, e não só aos que dependem de programas sociais, como eu, que nunca dependi de uma bolsa auxílio do estado, mas como alguém que lamenta não ter tido oportunidades no passado, como não tive quando mais jovem, de trabalhar. Como vejo nas resenhas jornalísticas o cinismo de promover um garoto pobre que chega com muito esforço e sofrimento à universidade, mas não diz uma palavra dos mais de 50% de matriculados em certos cursos nas universidades federais, principalmente em exatas e tecnologia, que abandonam o curso porque não suportam a carga financeira necessária… Quantos e quantos eu conheci nessa situação? E quantos consigo perceber que se livraram disso nestes últimos anos? Muitos. Pois tenho certeza que até a evasão tem diminuído porque simplesmente melhorou a condição econômica das famílias dos jovens desses cursos… enfim, há muitas melhorias significativas sim… Eu mesmo abandonei a engenharia nos anos 90 por isso. E, agora, com quase 40 de idade, estou perto de me formar porque só agora, consegui não só a oportunidade de entrar na faculdade, mas a tranquilidade de manter-me lá sem que a minha família sofra (muito) por isso. Não se iluda, não tome o que pensa a minoria capitalista e oligarca como verdadeiro para a maioria simplesmente porque a vida deles e a nossa foi muito diferente desde cedo. Socialmente, percebo mais oportunidades para os mais jovens e menos pais de família desempregados como no passado. É isso que trato de defender…

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  6. Amigo Lopes, viesse sozinho voce já seria bem vindo nesta conversa onde voce nao precisa pedir licença pra chegar e sempre elevar o nivel do debate. Avalie chegando assim em tao boa companhia. So me permita ponderar que nao sobrecarregue muito as costas dos autores que apesar de largamente eruditas em suas respectivas áreas talvez nao suportem o peso de um petrolao, a carga de um mensalao, a pressao de uma expiral tributaria cega e surda e ululante, e as queimaduras das labaredas do dragao inflacionario. Afinal, se de repente eles vierem a se sentir mal e precisarem do SUS certamente nao terao um tratamento condigno e se se sentirem ameacados o aparelho estatal de seguranca certamente lhes deixarao ao mais indigno desamparo.

    No mais, tenho minhas dúvidas quanto ao efeito transformador das politicas sociais que temos ai sendo adotadas pelo governo federal. E tenho certeza que ou doutos que lhe acompanham, nao vao conseguir negar, por exemplo, que aquele “mundão” de habitacoes formado pelos varios conjuntos Cidades Nova, Satelite, Cohab, Pedro Teixeira etc, todos constituidos de unidades habiitacionais populares, nao existiam antes do Programa Minha Casa Minha Vida. Ou que o Programa Credito Educativo nao existia antes do Fies. Ou que o Sesc, o Senai, o Senac, o Sedan, nao existiam antes do tal Pronatec. Ou que milhares de estudantes pobres, bisnetos de pobre, netos de pobre, filhos de pobre, moradores em bairros e ruas pobres, com amigos pobres, nao conseguiam passar no vestibular para a Ufpa e Fcap antes de 2003 para todos os tipos de curso superior, inclusive engenharia, medicina, direito, odontologia, e se graduar.

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  7. Pois é Oliveira, tento realizar uma desconstrução. A desconstrução de um discurso batido e mentiroso que só mesmo sendo um incauto para dar crédito. A diferença entre o antes e o agora está na qualidade. A evasão dos cursos de tecnologia, como engenharia, vem diminuindo. Isso não se deve à alguma melhora do ensino médio (que cai vertiginosamente) ou a um recrudescimento no positivismo com que se realiza a avaliação de um aluno universitário. Tampouco há melhora significativa na didática dos professores da universidade. Isso se deve à proteção social paras as famílias mais pobres que têm um filho na faculdade. Não é coincidência a oferta de bolsas para a permanência e a efetiva queda de evasão, nem o aumento da oferta de vagas de trabalho. Como disse antes, é preciso atentar que um efeito da política de exclusão social é o afunilamento das oportunidades. De fato, antes de 2002 existia FIES, SESI, COHAB… mas era tão restrito que o pobre poderia considerar inexistentes mesmo… não havia acesso, nem política pública para inclusão, dos muitos excluídos pelas crises anteriores, desde os anos 80. FHC piorou a situação e o topo da pirâmide esteve mais delgada lá, nos anos 90, que hoje. O PT aumentou a classe média, pelo que se entende por classe média, como a classe que tem acesso aos programas de financiamento educativo, de moradia, etc… Isso é política pública de inclusão. Também não sobrecarrego nenhum dos autores que citei antes, mas, digo bem, coloco as citações corretas no lugar certo, não me insinuo sub-repticiamente sob um discurso vergonhoso, de globalizações e especializações, de mercados e agências de risco, cuja interpretação de dados tem muito de subjetividade… Não ajo como quem quer esconder suas influências ideológicas e históricas (como já fazem os nada ingênuos liberais brasileiros, os ex-PFL e ex-PL da vida…). De longa data se sabe (desde Napoleão, na verdade) que o estado corre o risco, continuamente, de ser tomado por uma tirania das elites contra o pobre, sempre com discurso liberal, mal disfarçando os fundamentos ideológicos impopulares ante à população.

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