Thiago Silva: um capitão sem personalidade

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Por Cosme Rímoli

Thiago Silva fez um papel pior do que na disputa por pênaltis contra o Chile na Copa do Mundo. Nas oitavas de final, no Mineirão, o capitão do time se afastou de todos os jogadores. E do então técnico Felipão. Se sentou em cima de uma bola e acompanhou a disputa de longe, tomando água. No seu lugar, o reserva Paulinho animava os jogadores que iriam para a cobrança. Enquanto isso, ele chorava. De medo da eliminação, de um vexame.

Dunga acompanhou tudo o que aconteceu durante o Mundial. E já chegou na Seleção decidido que seu capitão seria Neymar. Seguiria o exemplo da Argentina com Messi. O principal jogador, o mais talentoso teria a honraria. Dunga conversou com o atacante e explicou que desejava dele uma atitude firme, equilibrada, sem os vexames da Copa.

Thiago Silva estava contundido nas primeiras convocações. David Luiz formou excelente dupla de zaga com Miranda. Foram cinco partidas no retorno de Dunga. Eram até então quatro partidas, oito gols marcados e nenhum sofrido. O zagueiro que o Paris Saint Germain comprou por R$ 109,5 milhões tinha uma certeza. Recuperaria sua posição de titular ao lado de David Luiz e a faixa de capitão. Já na partida contra a Turquia. Ledo engano.

Ficou sentado no banco de reservas. Não entrou sequer um minuto. Permaneceu calado. Até que ontem não teve como escapar da janela de entrevistas. Ele ficou à disposição dos jornalistas brasileiros e não escondeu sua insatisfação, sua mágoa.

Perguntado sobre a titularidade e a faixa de capitão, ele não se omitiu.

“Parece que perdi espaço, que me tiraram alguma coisa. Estou triste. E isso nota-se. Parece que me tiraram algo que me pertencia. Se eu disser que estou feliz, não é verdade.”

Sim, ele respondeu ‘algo que me pertencia’. Ele considerava que tanto a faixa com a posição de titular da Seleção Brasileira eram de sua propriedade. Falou mais. Desta vez respondendo se havia conversado com Dunga, o novo técnico, ou ao menos com Neymar, o novo capitão.

“Não tem que partir de mim (falar com Dunga). Não veio falar comigo (Neymar). Não falei com ninguém, foi sem conversa. E é isso que deixa chateado. Nesse momento, falar para vocês que estou feliz, eu não estou. Momento triste, mas faz parte dofutebol. Vou procurar fazer o meu trabalho para ajudar o grupo da melhor maneira.”

Diante da enorme repercussão de suas palavras, Thiago Silva tomou uma atitude que mostra que não merece mesmo ser capitão da Seleção Brasileira. Ele agiu como um menino. Fez questão de procurar Neymar. E publicar uma foto ao lado do atacante. Os dois com linguinhas de fora, em pose que remete aos deploráveis selfies durante a Copa do Mundo. Não assumiu o que falou.

1instagramA legenda da foto foi de uma infelicidade a toda prova. Mostra o quanto o zagueiro está perturbado. “A humildade é algo que faz você um cara diferente e que a cada dia só tem mostrado quem você verdadeiramente é! Continue assim, porque esse é o caminho de vitórias e conquistas! @neymarjr #amamosaseleção. Estamos brigados haha.” Sim, haha, como se fosse um garoto de 12 anos dizendo que não estava ‘de mal’ do amigo.

Mas tudo ficaria pior ainda, Thiago Silva, em Viena procurar os jornalistas. E dar outras declarações. “Fica chato, por causa das notícias mal intencionadas, mas procurei ele e passei o que eu realmente disse.” E o zagueiro alegava que estava tudo gravado. Como se alguém desde a Áustria tivesse distorcido o que ele falou. O que não aconteceu.

 

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Se o código de conduta de Dunga for para valer, não há lugar para Thiago Silva no grupo. Alguém que considera que lhe tomaram ‘sua’ vaga de titular e ‘sua’ braçadeira é porque não respeita nem Miranda, Neymar e o treinador da Seleção. Por que manter alguém que está ‘triste’ na Seleção?

Dunga precisa ser tão severo com Thiago Silva quanto foi com Maicon. Ou ele estabelecerá privilégios. Se fosse, por exemplo, Talisca quem reclamasse. Quem quisesse ser titular ou dissesse estar triste na Áustria, continuaria com o grupo? O Brasil está se reciclando, formando um grupo com a missão de buscar a Copa do Mundo, perdida aqui.

Thiago Silva mostrou tudo o que Dunga não quer como capitão da Seleção. Fora fugir da disputa por pênaltis contra o Chile, o zagueiro chorou inúmeras vezes. Na hora do hino, na concentração, nas preleções antes dos jogos. Mostrou não ter personalidade firme para suportar tanta pressão.

Sem saída pelo desabafo de domingo, procurou amparo no ombro de Neymar. Justo o jogador que tirou a ‘sua’ braçadeira. E falou ainda com Dunga, o treinador responsável não só pela troca de capitão do Brasil. Mas por priorizar Miranda no time titular. E lhe oferecer o banco de reservas.

Thiago Silva provocou um clima ruim em um elenco que começa um novo trabalho de forma vitoriosa. Suas palavras, sem a mudança de uma letra, provocaram manchetes que só atrapalham a Seleção Brasileira. Ele não foi fiel ao grupo. Tivesse todas essas mágoas falasse com Dunga e Neymar. Mas quis mandar recado aos dois. O tiro saiu pela culatra. Ele só se expôs como um garoto.

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Por mais que tire selfies com Neymar e coloque a linguinha de fora, Thiago Silva que se prepare. Não será surpresa alguma se for esquecido nas próximas convocações. Já está isolado na Áustria. Sua postura foi péssima. Os atletas não suportam alguém use a imprensa para fazer reivindicações. Principalmente o novo técnico da Seleão. Eles têm razão. Não é esse tipo de jogador que fará o Brasil reconquistar uma Copa do Mundo. Além de não se portar como capitão, parece não ter personalidade para pertencer a Seleção Brasileira…

3 comentários em “Thiago Silva: um capitão sem personalidade

  1. O Rímoli já quer dizer agora como o Dunga deve agir:

    “Se o código de conduta de Dunga for para valer, não há lugar para Thiago Silva no grupo. Alguém que considera que lhe tomaram ‘sua’ vaga de titular e ‘sua’ braçadeira é porque não respeita nem Miranda, Neymar e o treinador da Seleção. Por que manter alguém que está ‘triste’ na Seleção?”
    (…)

    “Dunga precisa ser tão severo com Thiago Silva quanto foi com Maicon. Ou ele estabelecerá privilégios.”

    Aí, fica difícil. E talvez piore se o Dunga resolver tirar por menos. Já pensou o treinador ousar não aceitar a tutela do cronista dito especializado?

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  2. Tem mesmo que acabar com toda essa frescura na seleção. É preciso ser homem pra saber ganhar e pra saber perder. Futebol não é lugar pra moça ficar chorando… A seleção perdeu uma copa quando era favoritíssima, em 1982. Saiu de cabeça erguida e entrou para a história. Conquistou a copa de 1994 quando era contestada pela escalação e esquema tático. Mesmo quando perdeu a final para a França não teve esse chororô todo… Há que se ter ombridade para ser atleta.

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