Por Gerson Nogueira
Já se esboçava um novo tabu no horizonte bicolor. O Papão não vencia na Série C há seis partidas e vinha de um período desanimador sob a direção técnica de Vica. A reação começou antes mesmo de Mazola Jr. reassumir. Contra o Coritiba, pela Copa do Brasil, a simples notícia da recontratação do treinador já funcionou como estímulo e o time arrancou uma vitória alentadora.
Ontem, em Castanhal, o bom momento se confirmou. O Papão recebeu o perigoso CRB, dono de maior pontuação e brigando para entrar no G4. Com tranquilidade, sem afobação, controlou as ações e construiu no segundo tempo uma vitória convincente. Aliás, foi uma das vitórias mais merecidas da equipe nesta temporada.
Independentemente da simpatia ou antipatia que seu estilo desperte, o fato é que Mazola confirma nessa reentrada a boa impressão deixada no primeiro semestre. Foi o responsável pela montagem de um time aguerrido, marcador e aplicado, que superava as limitações com uma saída para o ataque e muitas jogadas pelos lados da área.
Desta vez, mesmo sem o artilheiro Lima, Mazola encontrou um grupo ligeiramente mais qualificado, com a vantagem de não ter mais a responsabilidade de prestigiar jogadores que indicou, como Bruninho e Lacerda.
Adepto de formar duplas na estruturação do time, Mazola reeditou diante do CRB a dupla mais afinada que o elenco tem. Parelha que havia sido desfeita na gestão Vica. Pois Djalma e Pikachu voltaram a jogar juntos e, como por encanto, o Papão contabilizou de imediato os lucros dessa iniciativa.
Comentei na Rádio Clube ontem à tarde que o técnico já iria acertar em cheio se resgatasse Pikachu, que nas últimas partidas parecia longe e desligado de tudo. Contra o CRB, Pikachu foi um dos mais ativos jogadores, colaborando no meio e se apresentando para finalizações. Consequência direta disso foi o gol que marcou depois de meses sem balançar as redes.
Para que isso se concretizasse, Mazola teve a sensibilidade de colocar Djalma como escolta de Pikachu. Como jogam juntos há muito tempo, os dois se entendem por música. No primeiro tempo, já mostraram desenvoltura e participaram diretamente das principais manobras ofensivas. O gol não saiu por puro capricho, pois até bola na trave o Papão botou.
No segundo tempo, a partir do gol de Héverton aos 17 minutos, o time acertou de vez a marcação e resistiu bem ao ensaio de pressão que Ademir Fonseca tentou fazer. Bem montado, o time alagoano saía em bloco para buscar o empate. Charles e Lombardi guarneciam a zaga e não deram chances. Acontece que, com os avanços, o CRB escancarou os espaços pelos quais Mazola estava esperando.
O segundo gol nasceu quando o Papão ainda enfrentava alguns perigos. A bela finalização de Djalma aos 37 premiou um jogador que esteve praticamente expurgado durante a passagem de Vica e sacramentou a vitória. O escore final de 3 a 0 foi definido por Pikachu nos acréscimos, coroando sua grande atuação e o acerto da estratégia de Mazola.
Apesar da velocidade do CRB e da aplicação de seus jogadores nos contra-ataques, o Papão teve uma atuação sólida, mandou em campo na maior parte do jogo e mereceu até um placar mais dilatado. Mas, para recomeço de trabalho, está de bom tamanho.
Os melhores do jogo (e do Papão): Djalma, Pikachu, Charles e Héverton. Todos jogadores que se destacaram muito pelas mãos de Mazola. Não há mistério em futebol. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
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O retorno triunfal do craque Neymar
Os golaços que Neymar marcou ontem contra o León, pelo torneio Joan Gamper, confirmam que ele está em plena forma depois daquele joelhaço aplicado pelo colombiano Zuniga durante a Copa. Episódio que, por sinal, a Fifa tratou com extrema condescendência, tendo o endosso de muita gente séria da crônica esportiva brasileira. O jornalismo ensina que não se deve brigar com os fatos e as imagens são claríssimas quanto à agressão.
Pois Neymar, recuperado completamente da séria lesão que o afastou da Copa, mostrou a alegria que sempre teve ao jogar futebol. Rápido, insinuante e driblador, apresentou-se na área para receber e finalizar os dois passes de Iniesta e ainda colaborou com o primeiro gol, marcado por Messi.
Tudo bem que o León é mais um desses times mexicanos especialistas em correria, mas o que importa mesmo é ver Neymar recuperando o prazer pelo jogo, sem medo de encarar beques de cara feia.
E Dunga, que tenta relativizar o valor do craque com aquela velha zanga contra jogadores habilidosos, terá forçosamente que engolir esse Neymar revigorado.
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Direto do blog
“Mazola fez o time voltar a jogar bola. Passou sufoco? Passou. Isso é Série C, amigos. Nada é fácil. Papão foi melhor no jogo como um todo, em que pese os momentos de equilíbrio. É preciso destacar que Mazola conseguiu fazer com que jogadores que não estavam rendendo voltassem a jogar bem. Yago e Charles são bons exemplos disso. Vamos Papão! O sonho continua. A Mazola o que é de Mazola!”.
De Celira, torcedor do Papão, exultante com a primeira vitória na Série C depois da Copa.
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No Leão, um freio nas desculpas
Dadá, com a simplicidade dos bons, decretou um fim para o festival de desculpas esfarrapadas depois da derrota para o Guarani de Sobral, em Bragança. Perder em casa não tem justificativa, disse o volante.
Alguém precisava parar com a escalada de lorotas para o tropeço azulino. Afinal, perder faz parte do negócio. E o melhor caminho para reencontrar a vitória é aprender com os próprios erros.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19)




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