O fator Pikachu

Por Gerson Nogueira

unnamed (28)O Re-Pa, meio morno depois dos maus resultados dos rivais durante a semana, de repente volta a chamar atenção, dominando as discussões nas esquinas e bares. Tudo por causa de Pikachu. Até a escalação do melhor jogador do Paissandu virou mistério. De titular absoluto, passa a ser dúvida, depois que se despediu dos companheiros e do técnico Mazola Junior na sexta-feira.

Que Pikachu não quer mais continuar no futebol paraense, não é mistério para ninguém. O próprio presidente Vandick Lima admitiu, em entrevista ao Bola na Torre no começo do mês, que a saída de Pikachu era questão de tempo. Além de vários interessados em sua contratação, o próprio jogador parece decidido a buscar novos ares.

A surpresa ficou por conta do dia escolhido pelo staff de Pikachu para desfechar a operação bota-fora. Afinal, se a intenção era depositar os R$ 8 milhões da multa rescisória desde o dia 14 de janeiro, por que isso não foi feito logo? Por que deixar a coisa para as vésperas do Re-Pa?

Pode até não ter sido esse é o objetivo, mas parece uma tentativa de botar o clube contra a parede ou fazer com que a decisão ganhasse mais exposição na mídia. Investidores e empresários de jogadores não costumam se preocupar muito com a própria imagem, mas o atleta não pode descuidar de sua vinculação com a torcida e com a instituição.

Apesar da pública censura por parte da diretoria do Paissandu, Pikachu tem crédito com o torcedor alviceleste. Foi nas duas últimas temporadas o solitário destaque de um time que ficou devendo bastante, principalmente na malsinada campanha na Série B.

Jogador habilidoso e rápido, Pikachu somou a seu arsenal de encantos a condição de artilheiro. Fez gols importantes, aparecendo como elemento surpresa nas costas de defesas desavisadas. Gols que funcionaram como alento num campeonato de pouquíssimas alegrias para a torcida bicolor.

Identificado com o Paissandu, Pikachu deveria ter convencido seus representantes a esperarem ocasião mais propícia para sair. Fazer isso antes de um Re-Pa é arrumar encrenca, magoar o torcedor e optar por uma saída à francesa. Por outro lado, mesmo que o adeus seja inevitável (e tudo indica que sim), cabia ter sensibilidade para disputar o último clássico, até como sinal de gratidão e respeito pelo clube que o revelou.

Em meio a tudo isso, não é difícil imaginar a situação desconfortável de Mazola Junior, forçado a ficar no fogo cruzado: de um lado, a diretoria, que usa de argumentos mais do que justos para exigir que Pikachu jogue contra o Remo; do outro, o estado de espírito do jogador, que já deixou claro a intenção de não entrar em campo.

É dura a vida de técnico de futebol.

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Desajustes equilibram o clássico

Charles Guerreiro comanda o time líder do primeiro turno, com três vitórias e um empate. Mazola está à frente do segundo colocado, que venceu duas, empatou uma e perdeu outra. A rigor, o Remo deveria ser visto como favorito, pois cumpre a melhor campanha.

Ocorre que Remo e Paissandu têm muito mais semelhanças do que diferenças neste campeonato. A principal afinidade está na desarrumação das equipes, ainda longe de praticar um futebol confiável e imune a sobressaltos.

Apesar de apresentar estilo mais vistoso, de passes rápidos e de primeira, o Remo continua a ter setores bastante irregulares. O meio-de-campo funciona bem quando cria jogadas e trabalha em prol do ataque, mas fracassa na missão de proteger a defesa.

Sem um especialista na criação, o Paissandu sofre diante de qualquer adversário mais atrevido. Com um meio-de-campo repleto de volantes, Mazola Júnior tenta garantir segurança defensiva para compensar a ausência de transição eficiente para o ataque.

Os defeitos talvez façam com que os velhos rivais se enfrentem praticamente em igualdade de condições. As virtudes de um podem ser neutralizadas pela fibra e disposição do outro.

Por essas e outras, é bem provável que o esperado primeiro choque-rei do ano termine com um quê de desapontamento, para ambas as torcidas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 26)

11 comentários em “O fator Pikachu

  1. Não é por aí, O técnico deve colocar em campo o melhor que tem em mãos e exigir profissionalismo do atleta e comprometimento. Achas que arriscaria uma derrota barrando o jogador sabendo que contando com ele estaria mais próximo da vitória?

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  2. Penso, também, que Mazzolla agiu com todo o profissionalismo, corretamente… O Pikachú foi quem vacilou…

    Bora, Papão, ganhar e demitir o treinador do leão, calar a boca do Pirão e assustar o sem-divisão. rs

    Cadê o amigo Cláudio, para abrir os trabalhos ? rs

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  3. Sr. Gerson e comentaristas, o Yago Pikachu pisou na bola e blefou, literalmente. Ora, se pediu o número da Conta para o Vandick(Presidente Pay) e já tinha alguém com os RS 8 milhões para depositar porquê não foi feito ? Resposta : Se existe esse alguém com a dinheirama em mãos, sabe que, por maior boa vontade que se tenha, Pikachu não vale tanto. A lógica que deveria nortear o jogador, seria a de cumprir seu contrato com o clube. A situação se complica mais, para o lado do jogador, pois o clube detém contrato assinado por ambos e pode acioná-lo através desse. Por outro lado, manter um jogador insatisfeito no elenco, mesmo sem jogar, é prejudicial e desagregador para o grupo. Em 26.01.14, Marabá-PA.

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