A valentia dos covardes

Por João Batista Freire (*) 

Sucessivamente, a cada rodada do campeonato brasileiro, supostos torcedores desfilam sua valentia nas arquibancadas. Basta que uma briga se transforme em tumulto para que homens ensandecidos proclamem sua valentia covarde.

São capazes de chutar alguém caído no chão, aparentemente desmaiado, como aconteceu domingo, dia 20 de outubro de 2013 em Goiânia, tentando matá-lo. Não devemos nos enganar, há vários jogos acontecendo em um estádio de futebol durante uma partida.

Um deles, o mais nefasto, é o dos supostos torcedores que se preparam a cada dia para o grande espetáculo da violência, do derramamento de sangue, da transmutação de indivíduos em turba, da afirmação da macheza, da confirmação do “enfim, sou homem”.

Pobres homens, que precisam afirmar a cada momento de vida que são homens, mesmo tendo nascido homens.

Quanta insegurança!

Mas quanta violência isso produz.

Torcedor é o genérico de pessoas que vestem a camisa do mesmo time, pois o que pretendem uns é bem diferente do que pretendem outros. Os valentes covardes não vão ao campo para torcer, isso é um fato. Vão para matar.

Geralmente não matam, apenas machucam; machucam colegas, machucam adversários, machucam os que já não têm coragem de ir ao estádio, machucam telespectadores, machucam todos os que, verdadeiramente, gostam do futebol.

Mas se pudessem, matariam, porque esse é o objetivo. Espero que a polícia leve mais a sério o que está acontecendo.

Quando brigam, são devidamente identificados pelas câmaras das emissoras de televisão. A polícia tem documentos à farta para bani-los para sempre dos estádios; alguns deles, para passar um bom tempo atrás das grades.

Eu gostaria que nunca mais uma diretoria de clube de futebol fizesse churrasco com esses valentões covardes, ou que a polícia se reunisse com seus chefes para confabular.

Eu não lhes daria esse reconhecimento jamais.

*João Batista Freire é professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.>

5 comentários em “A valentia dos covardes

  1. O cara parece que até acompanhou alguns dos comentários que faço há tempos na Rádio Clube, no Bola na Torre e na coluna.

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  2. Devido a estes covardes deixei de ir a estádios de futebol, hoje infelizmente só acompanho os jogos do papão pelo rádio e televisão.

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  3. Sabem que eles existem e o que fazem, porém, que medidas punitivas tem sido tomadas de verdade?

    No Paysandu além de ingressos mais baratos, tem a franquia de uma das lojas do estádio Curuzú.

    Já disse uma vez e volto a repetir, o Paysandu não precisa da Terror Bicolor pra nada, se fechar as portas ou se sumir pra sempre não fará nenhuma falta.

    Pois lugar de bandido é na cadeia!

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