Onde Joaquim Barbosa fracassou

Por Paulo Nogueira (do blog Diário do Centro do Mundo)

E eis que o caso do Mensalão chega a seu clímax. De todos os personagens da trama, o mais extraordinário é, por razões óbvias, Joaquim Barbosa. Com seu jeito bruto e tosco, com suas palavras duras e inclementes contra os réus, ele rapidamente se converteu num heroi do 1% — o diminuto grupo de privilegiados que tem sua voz nas grandes empresas de mídia.

O maior esforço das empresas de mídia, em relação a JB, foi tentar convencer as pessoas de que elas genuinamente admiravam o “menino pobre que mudou o Brasil”. Ou, numa expressão, o “homem justo”.

Não foram bem sucedidas nisso: a sensação que ficou, com o correr dos dias, é que aquela admiração é fingida. Joaquim Barbosa foi e é conveniente para o 1%, mas as informações que foram surgindo sobre ele tornam difícil qualquer tipo de admiração que não seja simulada.

jb-600x375Fora da fantasia do “homem justo”, não é fácil admirá-lo na vida real. JB não tem notório saber, não se expressa com charme e clareza, não escreveu livros ou artigos dignos de nota. Também não é fácil admirar um alpinista profissional que é capaz de abordar – aborrecer, na verdade — alguém num aeroporto para tentar cavar uma promoção.

E nem parece digno de aplausos quem, numa entrevista, cita um episódio ocorrido há quase quarenta anos – a reprovação no Itamaraty — com a raiva desagradável que temos de alguma coisa ocorrida há dias.

O 1% triunfou no uso de Joaquim Barbosa para que defendesse seus interesses no julgamento do mensalão. Ele se revelou excepcionalmente suscetível à adulação da mídia. Ninguém parece ter acreditado tanto na admiração da mídia por JB quanto o próprio JB.

O fracasso do 1% foi na tentativa de fazer de JB um “heroi do povo”, alguém capaz de conquistar a presidência da república nas urnas e zelar pela manutenção de seus privilégios com o uniforme de “menino pobre”.

Este fracasso se deu, em grande parte, por força da internet. Nos sites independentes, as informações sobre o real Joaquim Barbosa permitiram compor um perfil bem diferente daquele difundido pelas companhias jornalísticas.

A relação promíscua com a mídia (notadamente com a Globo, que deu emprego a seu filho não por filantropia, naturalmente), o apartamento comprado em Miami com o uso de uma pequena trapaça para evitar impostos – coisas assim acabaram desconstruindo o perfil montado por jornais e revistas, ao se tornarem públicas pela internet.

Nas pesquisas presidenciais, seu nome aparece com números acachapantemente baixos e decepcionantes para quem tem sido tão promovido.

Se Joaquim Barbosa estivesse nos corações e nas mentes dos chamados 99%, ele estaria brilhando nas pesquisas. Seria um contendor poderoso para 2014, na pele do “homem que acabou com a corrupção”.

Mas não.

Por mais que a mídia tenha se esforçado para fazer de JB um “heroi do povo”, ele já é amplamente reconhecido como um representante daquele grupo predador que fez do Brasil um recordista mundial em desigualdade – o 1%.

13 comentários em “Onde Joaquim Barbosa fracassou

  1. É, mas quem colocou a canalhada na cadeia foi ele.

    Não se pode inculpá-lo pela (in)decência da nossa (in)justica.

    Agora mesmo sai a notícia de que um dos condenados (não merece nem que se escreva seu nome) vai aposentar-se com direito a todas as regalias.

    É essa a nossa justiça?????????

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  2. Matéria tendenciosa de um esquerdista cego. Tudo isso por que ele colocou na cadeia os políticos da moralidade petista? Quer dizer, a bandidagem política petista? Faça me rir!

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  3. Artigo impregnado de ressentimento, não do articulista, mas de quem o “patrocina”. E o pior, é que a ânsia de merecer o “patrocínio” é tanta que o articulista nem percebe que os impropérios que dispara contra o Ministro, mais do que desqualificá-lo, desqualificam mesmo quem o indicou para ocupar tão importante cargo, assim como as intenções que permearam esta indicação. Afinal, o Ministro não tem culpa de não ter reputação ilibada, notável saber, e de ser um INCLEMENTE. De fato, se ele é um alpinista, quem mandou então indicar um alpinista. Isso se for verdade que o Ministro seja assim tão desqualificado mesmo. De minha parte, não creio que seja um santo (afinal já até aplicou um corretivo na esposa) mas que há muito ressentimento no artigo, lá isso há mesmo.

    Ademais, não foi o Ministro quem condenou os envolvidos. Ele apenas é o autor de um único voto, a condenação veio do Tribunal, muitos condenados de maneira unânime pelos Ministros, dentre estes, dois com nítidos pendores ao PT. Aliás, falando nestes Ministros simpáticos ao petismo, fica a pergunta: se o articulista lembra a questão da casa em Miami do Ministro Joaquim, porque ele não lembra dos empréstimos obtidos pelo Ministro petista de um banco de cujas causas ele (o Ministro petista) era relator. Será que é por uma questão de maior ou menor concentração de melanina, ou é mesmo por questões alusivos ao “patrocínio”.

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  4. Não fez mais que sua obrigação, por isso recebe o que nós pagamos, mas comete um ato falho quando deixa outros processos na gaveta adormecida do me engana que eu gosto, seria justo se desse a mesma importância aos outros corruptos que se escondem embaixo das asas e do bico do 1%.

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  5. Olha o recalque ai gente!chora cavaco!!!
    Que bom que o papel aceita tudo, até opinião que talvez não reflita a realidade.

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  6. Concordo!
    O JB jogou só pra mídia, e como não colou, ela o esta descartando!

    Bem feito!

    No inicio eu ate o admirava. Mas decepções acontecem!

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  7. Recebia DINHEIRO da UERJ sem trabalhar, segundo o jornal New York Time. A sua propaganda antecipada à presidência da República foi retirada da internet após as denuncias.

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  8. O que leva um médico faltar seus compromissos com seus pacientes véspera de um feriado?

    Falta de condições de trabalho
    Falta de equipamentos
    Insatisfação salarial, ou
    Falta de respeito

    Pois aconteceu comigo hoje pela manhã. Ao chegar no Hospital Porto Dias, um dos hospitais mais bem equipados do Estado do Pará, me informaram que o médico não atenderia pois estava doente. E olha que a consulta foi marcada duas semanas atrás.

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  9. Amigo Alberto, trata-se de mais um projeto fracassado de falso herói brasileiro, totalmente fabricado por determinados setores, que antes haviam feito o mesmo com Collor.

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  10. Se o artigo é “patrocinado”? Não sei. Se o autor tem “ressentimentos”? Talvez sim pois, o mesmo tenta blindar, atenuar fatos que, à priori, se não tem comprovação como querem fazer crer alguns, são factíveis mediante o clientelismo corporativo que há anos impera nas casas legislativas assentadas em Brasília. Creio então que o mensalão petista é mesmo um fato. Porém, a defesa da legenda por parte do autor valendo-se de atenuantes não desqualifica observações contrárias à figura de Joaquim Barbosa, o novo paladino da moralidade pública. Além disso, a exposição do ministro sob esta nova condição, tornada possível mediante a grande cobertura que se dá ao julgamento do caso e aos interesses daqueles que assim o queriam expor (turbinadas ainda pelas marchas de junho que quase criaram uma crise institucional no país), revelou certas incoerências no discurso destes, que para os mais atentos foi uma demonstração clara da desfaçatez de nossa grande imprensa, preposta que é de grupos com interesses e intencionalidades nada republicanas: o “menino humilde, negro e pobre” que “enquadrou bandidos” ganhou as capas e manchetes de revistas e jornais de circulação nacionais nada identificadas com os anseios e demandas de muitos setores igualmente humildes, negros e pobres de nossa sociedade, uma vez que estes veículos de informação defendem em seus editoriais o fim de políticas inclusivas. Ou seja, eles criam forjaram um personagem travestido de personalidade pública, vestal, probo, e implacável. E os incautos caíram na esparrela. Ainda bem que são poucos.

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