Por Gerson Nogueira
Que o futebol não é aquela caixinha de surpresas, todos já estamos cansados de saber. Cada vez mais os esquemas são desnudados, as jogadas são marcadas e os times reagem de maneira previsível. Muitas luas (rocks e livros) se passaram e sabe-se hoje que o futebol é divino, maravilhoso até, em muitos momentos, mas também pode ser operário e comum – e ainda assim continuará bonito, digno de ver.
As declarações do técnico Arturzinho, indicando que planeja ter um Paissandu cada vez mais cascudo e brigador (no bom sentido) em campo, fazem com que o conceito de futebol simples e eficiente volte a ser saudado como alternativa para tirar o Papão do buraco em que se encontra. Ainda bem.
A Série B é, essencialmente, um campeonato equilibrado, povoado de times que baseiam sua força no conjunto e na capacidade de lutar fisicamente em todos os lados do gramado. Curiosamente, porém, há quem espere dos times de Segunda Divisão desempenho compatível com equipes de Série A.
O desnível é óbvio, bem como as condições para a montagem de grandes times. O orçamento de um time de Primeira Divisão no Brasil é hoje pelo menos vinte vezes maior do que de um disputante da Segundona.
Vale dizer que, em média, o Paissandu gasta cerca R$ 700 mil por mês com a folha salarial do elenco e não pode ir muito além desse valor, sob pena de se inviabilizar futuramente. Com menos recursos, os times têm limitadíssima capacidade de atrair bons atletas.
Tem origem aí o fato de a maioria dos times da Série B terem em seus elencos veteranos já sem mercado na Série A e o Paissandu de Vânderson e Iarley não é exceção. A bem da verdade, pelo poder aquisitivo, os “segundinos” estão bem mais próximos de seus primos pobres de Terceira Divisão.
Não há milagre que permita a um time da Segunda Divisão jogar com a qualidade que o torcedor se acostumou a ver, pela TV, em equipes da elite do futebol brasileiro – sendo que alguns disputantes da Série A já apresentam limitações óbvias.
Arturzinho acerta no alvo a propor uma releitura do conceito de grandeza para o Papão na Segundona. Aos sonhadores, ele parece propor: baixem a bola ou mudem de perspectiva. É preciso jogar com a aplicação que o torneio exige, sem firulas exageradas. A ordem é esquecer a inspiração e abraçar de vez a transpiração.
O Papão que vai a campo hoje à noite contra o Icasa talvez ainda não mostre esse perfil desejado por Arturzinho, mas certamente já será mais aplicado e guerreiro do que vinha sendo. Deve contribuir para isso a presença de um punhado de nativos. Caso o goleiro Marcelo seja vetado, a defesa terá quatro paraenses: Paulo Rafael, Pikachu, Raul e Pablo. No meio-campo, mais dois, Capanema e Djalma.
Salvo exceções, os jogadores que melhor respondem à cobrança por comprometimento são os que têm vinculação afetiva com o clube, originários da base, identificados com a casa. É claro que, para atingir um ponto satisfatório, times operários precisam ralar muito, principalmente quanto ao condicionamento. Nos últimos jogos, o Paissandu cansava cedo, bem antes dos adversários. Para que a filosofia de Arturzinho funcione, todos devem estar bem preparados. A conferir.
————————————————————————
Novo reforço a caminho
Na aparentemente interminável procura pelo reforço ideal, o Paissandu deve anunciar até amanhã um meio-campista renomado, segundo fontes da diretoria. Jogador com passagens destacadas por clubes da Série A. Desconfio que seja um ex-corintiano, há algum tempo jogando no exterior, embora nenhum dirigente confirme o nome. Que chegue para ser titular porque de reservas a Curuzu está superlotada.
————————————————————————
Direto do blog
“Rolava um media training pra garotada aprender a falar com a imprensa. Todos têm direito a opinião, mas tem algumas opiniões ou mesmo verdades que devem ser ditas internamente. A imprensa faz o papel dela: perguntar. Vai do atleta ter a habilidade (ou ser orientado) a se expressar de forma adequada. Minha crítica é que o clube não precisava punir tão rápido se tinha dúvida em relação ao comportamento do atleta. Já que puniu, não deveria voltar atrás. Passa a impressão de bagunça e decisões afobadas. Causa mais tumulto ao ambiente do que a entrevista poderia ter feito”.
Por Eriko Morais, a respeito da multa (depois perdoada) ao zagueiro Yan, do sub-20 do Remo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 24)
Deixe uma resposta para Rocildo Silva Oliveira Silva de OliveiraCancelar resposta