Dez regras para escrever um romance

Por André Forastieri

ElmoreLeonardUma coisa é o que você acha ou diz que gosta. Outra é o que você gosta de verdade. Eu, por exemplo, não gosto de teatro. Sei disso porque não assisto uma peça tem uns vinte anos. Não tenho nada contra teatro. Não me orgulho disso. Só reconheço a realidade. Se eu gostasse mesmo de teatro, ia.

Da mesma maneira, não gosto de romances brasileiros, romances franceses, romances escritos por mulheres etc. Nada contra. Na prática, 90% dos romances e peças que eu li na vida foram escritos por um homem originalmente em inglês. Um dia eu falo dos 10%.

Hoje o assunto é meu autor favorito. Sei que é porque não tem outro autor que eu tenha lido mais.

Elmore Leonard lutou no Pacífico Sul. Vive de escrever desde os anos 50. Começou com faroestes. Passou para policiais. Muitos viraram filmes, alguns bons – Jackie Brown, Get Shorty. Muitos ganharem prêmios. O primeiro livro dele que eu li, City Primeval, tinha atrás a chamadinha: “the best thriller writer alive”.

Lá se vão 26 anos e o velho, 83 anos, continua na ativa e cheio de fãs. Martin Amis, um deles, explicou: “Leonard faz Raymond Chandler parecer tosco.”

Paulo Francis me apresentou e sou fiel. São 35 livros dele que eu li até agora:

Mr. Majestyk (1974), Fifty-Two Pickup (1974), Swag (1976), Unknown Man No. 89 (1977), The Hunted (1977), The Switch (1978), Gunsights (1979), City Primeval (1980), Gold Coast (1980),

Split Images (1981), Cat Chaser (1982), Stick (1983), LaBrava (1983), Glitz (1985), Bandits (1987), Touch (1987), Freaky Deaky (1988), Killshot (1989), Get Shorty (1990), Maximum Bob (1991),

Rum Punch (1992), Pronto (1993), Riding the Rap (1995), Out of Sight (1996), Cuba Libre (1998), Tonto Woman (1998), Be Cool (1999), Pagan Babies (2000), Fire in the Hole (2001),

When the Women Come Out to Dance (2002), Tishomingo Blues (2002), A Coyote’s in the House (2003), Mr. Paradise (2004), The Hot Kid (2005), Up in Honey’s Room (2007)

Mesmo em épocas que paro totalmente de ler ficção, leio o novo Elmore Leonard assim que sai. Por essas e outras é que o único livro autografado (tirando os de autores amigos, claro) que tenho em casa é dele.

10rulesbookChama-se Elmore Leonard’s 10 Rules of  Writing. Tem pouco texto e umas ilustrações bico de pena, modelito New Yorker, do Joe Ciardello.

As regras são:

1. Nunca comece um livro falando sobre o tempo.

2. Evite prólogos.

3. Nunca use nenhum verbo para carregar o diálogo que não seja “dizer” (tipo, “ele disse” em vez de “ele justificou”, “afirmou”, “disparou” etc.)

4. Nunca use um advérbio junto com “disse” (como em “disse ele seriamente”).

5. Mantenha seus pontos de exclamação sobre controle.

6. Nunca use as palavras “suddenly” ou “all hell broke loose”.

7. Use pouco gírias e dialetos regionais.

8. Evite descrições detalhadas de personagens.

9. Não detalhe muito coisas e lugares.

10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular.

A mais importante ficou para fechar.

Se soa como algo escrito, eu reescrevo.

E se a gramática está atrapalhando, passe por cima dela.

Não posso permitir que o que aprendi na escola atrapalhe o som e o ritmo da narrativa.

É minha tentativa de permanecer invisível e não distrair o leitor da história com um texto óbvio.

Como dizia Joseph Conrad,  as palavras não podem bloquear o que você tem a dizer”.

É de pedir autógrafo ou não é?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s