E a pelada vai dominar o mundo

Por Gerson Nogueira

Série especial de matérias da ESPN Brasil sobre as cidades que irão sediar jogos da Copa do Mundo mostra um cenário desalentador em Manaus para quem gosta de futebol. Além do monumental atraso nas obras do novo estádio, fica evidente o total desinteresse dos torcedores em relação às quatro partidas do Mundial que a capital irá receber. Entre ver Marrocos ou Japão jogar, o manauara prefere mil vezes mais acompanhar as trepidantes pelejas envolvendo algumas das 500 equipes que disputam o tradicional Peladão.

bol_qua_200313_15.psAo mesmo tempo, se antes havia alguma dúvida quanto à utilidade pós-Copa do caríssimo estádio em construção, cujo custo deve beirar R$ 1 bilhão, agora reina a certeza absoluta. Os próprios torcedores admitem que a obra será um riquíssimo elefante branco pelos motivos que todo o pessoal que acompanha o Círio já conhece: há muito que o amazonense não comparece a estádios, a não ser para ver amistosos da Seleção Brasileira.
Em determinado ponto da entrevista, irrompe um entusiasta das peladas garantindo que a Arena da Amazônia terá, sim, uso depois da Copa. Não, não será usada como palco para festival de boi-bumbá, como os mais apressados poderiam imaginar. Segundo ele, o moderníssimo estádio passará a ser o templo sagrado do Torneio Peladão. Com base nessa previsão, que merece todo respeito, a grama de alto padrão que a Fifa exige nos estádios da Copa será aproveitada (ou estragada, conforme a interpretação) por peladeiros.
Nada contra os esquisitos hábitos da torcida de Manaus, mas tudo contra os critérios dos mentecaptos responsáveis pela escolha das cidades da Copa do Mundo. Vou voltar a um assunto batido e irreversível, mas soa inaceitável, sob qualquer ponto de vista, que Belém tenha sido alijada da competição. Como se sabe, o ex-presidente da Fifa, o notório João Havelange, e seu também insigne sócio de maracutaias Ricardo Teixeira trabalharam febrilmente junto à Fifa para que Manaus e Cuiabá, ambas sem a menor tradição futebolística, fossem contempladas.
O argumento preparado para enganar os crédulos era o da questão ambiental, associada às duas capitais. Seria uma explicação quase meiga se tivesse um mínimo de verdade a sustentá-la. Como aconteceu na África do Sul, para a realização da última Copa, a Fifa fez questão de impor ao Brasil a construção de 12 novos estádios. Muito além do apuro arquitetônico das arenas futurísticas, está em jogo o fabuloso orçamento para bancar esses gastos. Algo que no país da bola ronda a casa dos R$ 25 bilhões – para o mundial sul-africano, os gastos foram 30% menores.
À época da escolha das sedes, há quatro anos, questionada em relação a Manaus, Cuiabá e Natal, a Fifa alegou critérios técnicos e observações durante a fase de inspeção das cidades candidatas. Quem acompanhou a visita a Belém, numa tarde chuvosa, constatou a má vontade de Ricardo Teixeira e delegados da Fifa, que aqui permaneceram por menos de três horas, partindo para dois dias de visita a Manaus, expressando o interesse dominante na comissão.
Como ficou patente depois de definidas as sedes, Belém não deveria sequer ter competido com Manaus, mas merecia a escolha em relação a Natal ou Cuiabá, por exemplo. Em nenhum instante, porém, o manda-chuva da CBF fez o mínimo esforço nesse sentido. Pesou, acima de tudo, o fato de que o Mangueirão vinha de uma reforma recente e não pegaria bem – até pelo exposto na proposta da candidatura de Belém – levantar um novo estádio.
Ontem, como agora, à Fifa pouco importa se a capital eleita não se interessa por futebol e se, por isso mesmo, um público diminuto irá prestigiar os jogos destinados à sede amazônica. A entidade só quer saber quanto dinheiro será pago às construtoras desses gigantes de concreto e aço. O futebol é mero detalhe.
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Era só o que faltava…
O episódio do cartola que passou o jogo de sábado, em Cuiarana, de megafone em punho, azucrinando e pressionando o trio de arbitragem deve ser apurado com rigor pela comissão de arbitragem da Federação Paraense de Futebol e merece apreciação do Tribunal de Justiça Desportiva. A interferência ostensiva de um dirigente, à beira do campo, desestabiliza a condução do jogo pelo árbitro e seus assistentes, devendo ser energicamente coibida.
Há muito tempo que o Campeonato Paraense não tinha notícia de práticas coronelescas, dignas do futebol de várzea. A desfaçatez com que o cartola do Santa Cruz agiu, a fim de garantir a vitória sobre o visitante Paragominas, não pode virar hábito num Estado onde práticas ruins são assimiladas com espantosa velocidade.
O mesmo pode-se dizer das atitudes violentas e antidesportivas da diretoria da Tuna em Cametá, na mesma rodada. Inconformados com a atuação da arbitragem, os cruzmaltinos chegaram a agredir os árbitros auxiliares na porta do hotel onde estavam hospedados.
Caso tais despautérios não sejam punidos, corre-se o risco de ter um campeonato dominado por cartolas bufões e arruaceiros, capazes dos piores desatinos sempre que seus times não consigam vencer.
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Fortes emoções em campo
A quinta rodada do Parazão começa hoje com partidas que podem modificar bastante a posição na classificação do returno e geral. Tuna e São Francisco fazem um jogo de desesperados. A Lusa, que entra como favorita, precisa escapar da zona de rebaixamento e brigar por um lugar nas semifinais. O São Francisco tenta sair do incômodo jejum (seis derrotas consecutivas) e se acautelar contra o risco de cair para a Segundinha.
Em Cuiarana, com ou sem megafone, Santa Cruz e Águia realizam duelo de seis pontos. Ambos brigam para alcançar as semifinais do returno e o Águia empreende esforço paralelo para deixar a zona da morte. Confronto com cheiro de empate.
À noite, o Paissandu recebe o Cametá para um jogo de afirmação de autoridade. Líder na pontuação geral, garantido na final do torneio, o Papão ainda curte as delícias do passeio sobre o maior rival. Por mais que o Mapará se esforce, os ventos sopram inteiramente a favor dos bicolores.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 20)

15 comentários em “E a pelada vai dominar o mundo

  1. É Gerson, o assunto é irreversível e ja é passado mas a dor, a angustia dos paraenses que apreciam o futebol é cada vez mais presente e será toda as vezes que lembrarmos eleições para sub sede de Copa do Mundo no Brasil. Essa ferida de angustia tão cedo não vai cicatrizar nem mesmo se fomos agraciados com sede de Copa America aqui. E sobre isso, o que mais me revolta é saber que além desses safadões Avelange e Teixeira que tudo fizeram para a SUB ser em Manaus, ainda teve o dedo forte do LULA, que contribui muito com sua poderosa inflência e pesso politico para nossos irmãos manuaras ganharem tudo. Essa informação da torcida do Lula para a sede em Manaus, mesmo tendo a governadora do PT aqui, saiu numa revista de circulação nacional. Mas um um pouco do antido para essa dor é saber que os dois safadões ja se foram, pelo menos na teoria, do nosso futebol, e o Lula espero que nunca mais volte.

    1. Só um reparo, amigo Edilson. A própria (e insuspeita) revista Veja, à época, informou que Lula havia sido “derrotado” em gestões junto à Fifa para que Belém fosse escolhida.

  2. A história que sei é bem diferente, houve sim um complô do pessoal do PSDB/PA , SP e AM e uma reunião/ jantar em SP com Ricardo Teixeira e Dirigentse da FIFA pró Manaus, tanto que antes da divulgação já se sabia o resultado da escolha, agora meu caro edilson, não meta o LULA nisto, vc nem citou a sua fonte, ele está bem acima disto, queira vc ou não, mas se vc pensa deste jeito, é um direito que lhe assiste..

  3. Não era segredo que LULA defendia a ideia de BELÉM ser uma das capitais sede da Copa.Isto foi fato!
    Infelizmente em jogo de futebol no padrão FIFA em termos de Copa do Mundo somente a paixão dos locais não é critério suficiente para a escolha da sede.
    Muitas pontos desfavoráveis foram apontados em relação ao Mangueirão, como estádio ultrapassado, dificuldades de acesso ao torcedor, o fator trânsito influiu bastante pois para a evacuação das proximidades do estádio em caso de catástrofe isto contribui mesmo! ergonomicamente incorreto, não sei nem o que é isso!, saídas de emergência inapropriadas ou inexistentes! E mais uma série de fatores técnicos que o governador do Estado na época junto com os responsáveis já deveriam ter apresentado na ocasião um plano diretor para a correção das não conformidades encontradas pela comissão!
    A única forma de Belém ter sido escolhida seria a demolição do Edgar Proença e a construção da Arena Mangueirão! com uma remodelação não só na área do estádio mas também num raio de quilômetros que eu não posso precisar ao certo! Imaginemo transtorno!
    A outra saída seria a construção de um estádio moderno em uma nova área que por incompetência dos nosso gestores da época não mostraram aos da comissão assim como fez o estado de Pernambuco!
    No princípio soou muito mal, porém hoje em dia os frequentadores do mesmo percebem que além de tudo o que foi colocado pelo Ricardo Teixeira, realmente ainda falta muito mais para que a nossa atual praça de futebol fosse palco da copa!
    Hoje nota-se que o nosso Mangueirão está ultrapassado inclusive não suportando nem a carga de um clássico local!
    Dói muito mais não pelo fato de termos um Mangueirão fora dos padrões, mas dói muito mais pela ineficácia dos antigos gestores que ficaram de braços cruzados sabendo que tudo isto que foi mostrado acima iria ser cobrado deles quando questionados!
    Agora é muito tarde. Sou apaixonado por futebol igualmente como milhares e até milhões de paraenses.
    Não aproveitamos a oportunidade de termos uma praça digna para o espetáculo pois a verba viria como veio para a construção e reforma de estádios ultrapassados tais como o Maracanã!
    Portanto amigos resta-nos assistir pela televisão ou seguir para uma sede mais próxima para participar de algum jogo da Copa do Mundo.
    Eu moro em João Pessoa, achei um absurdo escolherem duas sedes vizinhas Recife e Natal, talvez até por ser mais estratégico, isto sem falar que Fortaleza também está a um pulo das duas acima citadas!
    Esta é a minha visão dos fatos que frustraram por demais os torcedores paraenses!

  4. O mundial da França em 1998 foi realizado em estádios velhos e descobertos, a exceção foi o Saint Dennis construído especialmente para aquela competição. Somente após aquela copa é que a FIFA passou a exigir mais dos países anfitriões ou será que foram os franceses não cederam as chantagens?

  5. Como o Gerson falou, a paixão do povo paraense pelo futebol não tem limites, e o que me deixa mas triste por morar em Manaus é isso, estou a 4 anos aqui e nunca vou esquecer os fins de semana que ia ver meu Paysandu jogar, aqui o campeonato amazonense quando lota o estádio dá 3 mil pessoas, quando tem jogo do peladão 20 mil pessoas, no ano que cheguei aqui teve a ultima final do peladão no vivaldão, pois iriam demolir pra construir a arena da amazonia, deu 40 mil pessoas, como disse a coluna, estranho hábito de preferir assistir pelada a futebol profissional, infelizmente já não pode voltar atras, mas saber que nossa cidade perdeu a sede da copa pra outra cidade que vive de futebol pelada é duro..como dizem os amigos do blog…te dizer

  6. Verdade Breno..mas coloca em Belém uma final de peladão de graça e um RexPa pagando pra ver onde o torcedor paraense vai.

  7. Quanta inveja heim, nunca imaginei q paraense além de ladrão fosse invejoso, além de lotarem as penitenciarias do Estado do Amazonas, ainda olham com um olhar de inveja para nossa arena,,, e acham mesmo que é só de futebol que uma arena multiuso ,sobrevive, se fosse assim, os EUA, AFRICA DO SUL, JAPÃO E COREIA, e os próximos mundiais na RÚSSIA, QUATAR E NA AUSTRÁLIA, jamais sediariam um mundial de futebol… Alias o projeto do Mangueirão tava uma bosta, a FIFA não quer estádio olympico…gente burra os paraenses…

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