Otários!

Por Camilo Delduque (engenheiro civil)

É o que somos, por opção ignorante, pela insistência de nos sentirmos colonizados, sem voz própria, com a apatia enraizada em nossas vísceras. O instante de abundar a felicidade na cabeça do paraense, principalmente os belenenses, chegou. Chegou a hora de explodirmos as nossas mais ricas idéias enriquecidas de pobres ideais. As férias chegaram e com elas as conseqüências do nosso mutismo. Vamos enfrentar a buraqueira das estradas, o trânsito medonho comandado por motoristas mal educados e deselegantes vigilantes do governo. Quem for a Salinas, subirá em 75 lombadas de dimensões caóticas, uma para cada três quilômetros, em média. Assim, o penitente paraense, ou não, chegará ao inferno dos absurdos, onde habita a extorsão combinada ao matuto oportunismo insensato. Lá, um prato de pescada cozida custa R$ 70,00. Nem pensar em meia-dúzia de caranguejos por R$ 25,00!
Se não sabemos quem somos, nada podemos falar de reclamações encafifadas em solilóquios. Ao acobertarmos segredos de parentes e conhecidos, apanhados em safadezas plenas, reconhecemos nossa incapacidade de nos defrontarmos com a seriedade de uma reclamação.
Belém padece desse cinismo porque ouve um prefeito ignaro e falsificador debulhar seus arrotos megalomaníacos sobre a cambada rude que o elegeu. A cidade de Salinópolis, tal como Belém, merece um administrador com vontade de ser brasileiro e olhar dirigido ao progresso. Parece predestinação, mas, com raras exceções, é sempre a mesma gentalha que se instala nas prefeituras paraenses. Ruas esburacadas, assaltos, lixo, infra-estrutura carente e tantas outras
degradações, dignas de um filme de terror, é o cenário flagrante das nossas bibocas. E alguns ainda querem Salinas, Algodoal, Soure, e tantas outras vítimas do infortúnio, como pólo turístico. Nunca! Otários…

16 comentários em “Otários!

  1. O maior cancro do Pará é a sua elite econômica comezinha, ignara, arrogante e cheia de empáfia, a maioria dela encastelada em Belém. Na capital, feiras e supermercados cobram 20, 25 e até 30 reais por um quilo de pescada amarela ou filhote, os peixes mais nobres, que empresários e donos de biroscas compram no interior, diretamente dos pescadores, pagando até 4 vezes menos. Belém é uma das capitais mais caras para se comer em casa ou fora de casa. Em um estado que se vangloria de ter um dos maiores rebanhos de bois e muitos rios com imensa quantidade e variedade de peixes, comer em restaurante é pedir para ser assaltado. Portanto, não deveria causar surpresa que, no veraneio, único momento que a gente boa da capital se lembra do interior, o caboclo se vingue da exploração secular sofrida nos outros 11 meses dos anos. A elite furimbunda não se intimida nem um pouco a pagar preços escorchantes por alimentos básicos aos barões dos supermercados de Belém, mas se sente indignada quando o pretenso elevado preço é praticado pelo interiorano, um otário no imaginário dela. Também não a vejo se indignar com os preços delirantes cobrados nas churrascarias de Belém. Em estados que não criam bois ou não são donos de grandes rebanhos, como o Ceará, as churrascarias não se arvoram a cobrar tão caro. A elite de que falo deveria saber, se é que não sabe, que as cidades do oeste, sul, sudeste e de outros cantos do Pará também possuem ruas esburacadas, estradas de terra, falta de água e de energia e outras carências, e também gente inadimplente com o IPTU, a exemplo de Salinópolis. A diferença é que esses outros municípios não possuem casas de veraneios e atrativos para bacanas e, consequentemente, são destituídos de porta-vozes influentes e reinvindicadores na mídia.

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    1. Concordo por inteiro com o amigo Delduque e compreendo plenamente sua indignação, camarada Daniel. Não é de hoje que Salinas e quase todos os balneários mais badalados praticam preços exorbitantes sem oferecer um serviço minimamente compatível. Quem não tem referências para comparar aceita o abuso, mas é saudável observar que nem todos engolem isso passivamente.

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  2. Pela primeira vez alguêm me chama de otário e eu concordo, não tá errado não, tá certinho.

    E pras minhas Soure e Salvaterra, falta o tal do transporte.
    Tá tão ruim que hoje a ENASA faz uma falta danada.

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  3. Moro em uma capital turística do nordeste. Como em todo o país, há violência, corrupção etc. Diferenças em relação a Belém: serviço de saúde pública melhor (o privado não é), cidade mais limpa, menos pichação, praias mais limpas, trânsito menos ruim, motoristas mais educados, escolas mais baratas. Mas discordo do post em relação à afirmação de que somos otários. Entendo o desabafo e saí de Belém também pelo fato de que não aguentava mais tudo isso. Talvez a palavra que melhor defina o problema seja cidadania, ou melhor, a ausência de cidadania. Reclamamos, mas continuamos votando mal, sujamos a cidade, somos mal educados, exploramos o próximo quando somos comerciantes e queremos levar vantagem. A desculpa sempre é a elite e o governo. Sim, eles são culpados, mas quem é o maior culpado somos nós. Nós votamos neles e nós sustentamos as elites. Quando morava em Belém, deixei de votar (meu título era de outra cidade) e só justificava meu voto. Quando precisava da elite e podia, procurava alternativas (raramente usava os grandes supermercados). Reclamar é bom, fazer é melhor ainda, as classes mais baixas não pensam, então se fizéssemos um movimento popular de indignação, seria pelo menos um protesto contra o status quo tupiniquim. Quando uma determinada senadora propôs a intervenção federal no Pará, reclamaram. Hoje vejo que – ainda que não movida por interesses populares – ela tinha razão. Sinto saudade da minha terra, mas não penso em voltar para morar, embora o futuro pertença a Deus. Mas vejo com tristeza quando outras capitais que não tem, por exemplo, nem um por cento da nossa riqueza gastronômica, sejam mais valorizadas que a nossa. Quando vejo Moqueiro ser abandonada e poucas capitais tem ilhas habitáveis próximas. Quando vejo nossas torcidas sofrendo. Enfim, ver meu povo inerte e compactuar com tudo isso de ruim.

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  4. E olha que o Camilo ”esqueceu” de dizer, que para os pobres mortais, ”sentar numa mesa de bar com 4 cadeiras” custa uma garoupa….he he he …

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  5. Tá certo; comentários valiosos etc. e tal mas esqueceram de avisar aos Russos:1. quando o trem da vale despeja em Marabá e adjacências centenas de nordestinos famintos cujas prefeituras de suas cidades os embarcaram rumo ao eldorado paraense com direito a passagem de ida e um kit alimentação e esse povo sem rumo invade terra, queima pastagens, aumenta a violência urbana e gente daqui da capital faz que não é com a gente. Essa denuncia é velha e nunca vimos nenhum dos nossos politicos criar uma “comissão parlamentar” para investigar esse exôdo que só melhora o IDH das cidades de onde esse misseráveis vieram. Depois eles acabam chegando a Castanhal, Santa Isabel, Benevides, Marituba, Ananindeua, Mosqueiro (onde uma marcha do MST foi recebida com honras e lhes foi dada a chave da vila pelo prefeito de Belém na época 2. O dia 15 de junho passado marca o inicio da votação da LDO que é quando todos os desejos, vontades, anseios e necessidades são colocados de um lado e do outro as fontes de recursos que podem lhes dar realidade em cada municipio, também fazemos que não é com a gente da capital mas é ai que se decide o numero de vagas nas escolas do ensino fundamental e médio, a merenda escolar, o transporte, a saude , a segurança e a infra estrutura para receber os veranistas de férias em cada municipio e sua fonte de receita.Tá na hora de reagir com objetivo porque senão depois só nós restarão as greves e as barricadas que interditam as vias de acesso com queima de pneus, sofás e galhos secos.

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  6. Post interessante. de certa forma concordo com todo mundo que postou acima.

    Quanto ao preço do carangueijo 6 por 25 paus tá bom pra caramba.
    Vai comer um carangueijo num balneario do nordeste na alta temporada pra ver quanto tu vai pagar. Essa enfieira aí vai sair por uns 50 paus.

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  7. Ele é que é feliz por ter de reclamar das dezenas de lombadas para chegar no Sal. De em lá estando ter de pagar caro pelos frutos do mar com que se deleita.

    Infelicidade suprema é a daqueles que tem de passar as férias deitados em macas no corredor do PSM (do Guamá e da 14 de março) ou tendo que torcer para não ser o escolhido para morrer lá Barros Barreto.

    Interessante que ele itemiza perfeitamente cada um dos calos em que o sapato também lhe aperta (assaltos, lixo, ruas esburacadas infraestrutura carente, sem contar a proporção exata lombadass/kms na estrada do sal), mas só fala bem genericamente (tantas outras degradações) dos males com os quais não se interessa porque não conhece.

    Será que ele sabe a quantos km/h vinha correndo o bólido importado que esmagou o corpo do trabalhador rural ou da criança vindo da escola, ou do ciclista voltando do trabalho, ou do idoso que voltava da taberna, enfim do matuto, cuja morte originou a colocação da primeira daquelas 75 lombadas.

    E, quanto aos preços, a maioria deles são praticados por quem está longe de ser matuto, e, sim, por urbanos que para lá se dirigem atraídos pela verba veranista. Paga e não bufa, esperto!

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  8. Antonio Oliveira, aturar o comentário do Camilo Delduque, o qual percebe-se que deve ser um elitizado avarento, daqueles que reclamam seus direitos de cidadão mas esquecem suas obrigações sonegando impostos tão necessários à efetivação desses seviços que ele clama é muito funesto. Pior que isso é ter de aturar o Edmilson Rodrigues, fazendo as mesmas criticas que esse Camilo Delduque e se dizendo hoje”” do PSOL”” dando uma de heroi do povo de Belém, se intitulando o melhor prefeito que Belém ja teve e sério candidato a vaga na prefeitura de Belem. Esse senhor passou oito anos na prefeitura e foram oito anos de atrazo total onde toda essa buraqueira, lixo, favela, transito caotico em Belém, caos no PSM a gente ja conhece do governo dele os quais ele deixou den herança pro Duciomar e este aceitou a herança e vai dar a outro prefeito herdeiro. Mas agora ele Edmilson se faz de desentendido achando que o povo tem memória curta. Comigo não violão. Não vou me surpreender se esse camilo Delduque for eleitor do Edimilson Rodrigues.

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  9. Estou sem tempo de comentar os vários pontos interessantes da postagem e comentários. Mas concordo com muita coisa. É um tema que dá pra muita discussão. Apenas queria dizer que foi muito bem lembrado pelo Edilson que o Edmilson agora vem por-se como
    um salvador da capital. Lembro-me que o 2o mandato dele foi horrível. Porque ele não tratou de arranjar financiamento para por em prática uma obra que pudesse melhorar, já àquela época, o trânsito, evitando o caos que tem imperado nos últimos anos. Acho que somos um Estado que ainda vai padecer muito, em todos os setores básicos (saúde, educação, transporte, saneamento, segurança).

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  10. Eu entendí perfeitamente a mensagem do dono do texto.
    O “otário” pode se encaixar em situações que nos diminuem.
    Na saúde por exemplo, o cara que dorme na fila e não consegue senha pra ser antedido.
    O cidadão que paga plano de saúde, e quando precisa descobre que o mesmo não cobre a area que precisa.
    Nós torcedores que somos obriagdos a consumir produtos encarecidos, pois a administração do mangueirão não barateia para os ambulantes.

    Quando vc vai a um supermercado, entra na fila e a moça diz, o caixa está fechado.

    Quando a OI ou seja lá quem for te transfere de atendente p/ atendente e não equaciona teu problema.

    Quando o teu time é roubado na cara de pau.

    Quem quer ir pro Marajó e fica sabendo que não tem mais passagens.

    E o cara que descobre que o seu cartão foi clonado?

    Há vários exemplos, foi isso que o amigo quis externar usando o seu exemplo.

    E no fim somos todos otários, mas não de sermos bestas, mas de sermos enganados.

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