Por Gerson Nogueira
A Seleção Brasileira tem jogado de maneira tão sofrível nos últimos tempos que baixa logo uma empolgação quando ganha com certa folga. Bastou fazer 3 a 1 sobre a Dinamarca, sábado, para muita gente assumir as vestes de pacheco e começar a acreditar no hexa. Menos, menos…
Para começo de conversa, o adversário está no pelotão terciário da Europa. Desde os anos 80 e a aposentadoria dos irmãos Laudrup que a Dinamarca não pode ser considerada uma seleção de primeira linha. Contra o time de Mano Menezes jogou com uma ingenuidade que poucas vezes se vê na escola européia.
Marcava em linha, com laterais que não atacavam, nem marcavam. A saída de bola era entregue a zagueiros cintura-dura, que acabaram dando de presente dois gols para o ataque brazuca, em boas roubadas de bola de Oscar e Hulk.
Aliás, os dois citados foram os destaques da Seleção. Oscar já vinha se sobressaindo no Internacional, mas carecia de mais personalidade para exercer a função de organizador no meio-de-campo do escrete. Contra os dinamarqueses pela primeira vez pareceu à vontade nesse papel e jogou com desenvoltura.
Sem dúvida, uma excelente notícia para o país que adora ser chamado de pátria do futebol, mas há pelo menos três Copas não apresenta um legítimo camisa 10. Mesmo em 2002, quando Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo se revezavam na tarefa de criar jogadas, não tínhamos um maestro transitando por ali.
Oscar teve boa atuação, distribuiu jogadas, fez lançamentos e botou o centroavante (Hulk) na cara do gol algumas vezes. Se continuar nessa batida, será a principal sombra de Paulo Henrique Ganso na caminhada até 2014, principalmente se o paraense continuar a ser castigado por tantas lesões graves.
Quanto a Hulk, a história é outra. Parece um atacante empenhado em cavar a ferro e fogo uma vaga na Seleção, tanto para a Olimpíada de Londres quanto para a Copa do Mundo. Tem o mérito de jogar sempre como se fosse uma decisão de campeonato. Não importa se é o amistoso mais molambento ou um clássico com argentinos ou alemães.
O cenário favorece suas pretensões. O Brasil não tem outro atacante de área. Adriano está fora de combate, Leandro Damião ainda não parece pronto, Alexandre Pato é um enigma no aspecto físico. Por isso tudo, Hulk tem grandes chances na Seleção. Mesmo não sendo um atacante excepcional, tem bom chute, coloca-se bem na área e luta como poucos. No mínimo, estará entre os 23 selecionados.
Em comparação com outras atuações recentes da Seleção, a vitória obtida em Hamburgo abriu pequenas esperanças. A maior delas deriva do fato de que Mano Menezes parece ter desistido das apostas cegas em jogadores apenas medianos. Tenho a impressão de que ele, finalmente, se deu conta de que não dá mais para ficar testando novatos. É preciso formatar um time e apostar tudo nele. Até porque não há mais tempo para experiências.
O goleiro Dalto chama atenção pela imponência (tem de 1,95m), mas sua contratação ainda desperta curiosidade na Curuzu. Apesar de jovem (25 anos), tem credenciais de goleiro experiente, fato reafirmado no programa Bola na Torre pelo técnico Roberval Davino.
Do lado de fora do treino de domingo, torcedores mais desconfiados manifestam preocupação com a agilidade do grandalhão. Bola rasteira é a saída para vencer goleiros muito altos, lembram os peladeiros mais calejados.
Pelo que demonstrou na Copa do Brasil e no Parazão, Paulo Rafael continua mais titular do que nunca, mas Davino dá a entender que vai procurar trabalhar com seus jogadores de confiança. Dalto é um deles.
Direto do blog
“A título de informação, caso não saibam, o zagueiro Charles, ex-Águia, deixou Marabá para se apresentar ao Cuiarana em Salinas, por nada menos que RS 20 mil de luvas mais RS 15 mil por mês. Confirmado pelo próprio jogador em entrevista ao PH da Rádio Clube AM-Marabá. Nada contra o atleta, que procura jogar onde melhor lhe pagam. A pergunta é: acharam petróleo/ouro em Salinas? Ou será outra edição do ‘caso Cametá’?”.
De Luís Sérgio Cavalcante, de Marabá, surpreso com a pujança financeira do recém-criado Santa Cruz de Cuiarana.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 29)
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