Coluna: Duelo sem favoritos na Arena da Floresta

Um brutal dilema deve ter rondado a cabeça do técnico Roberto Fernandes para escalar o Paissandu. E é normal que seja assim. Afinal, o jogo é decisivo, provavelmente o mais importante da temporada até agora. Pelo passado recente, a equipe sabe que o torcedor jamais perdoará um tropeço que comprometa a campanha pelo acesso à Série B.
Quis o destino – ou algo que o valha – que a parada se decida fora de casa, contra um adversário tinhoso, invicto em seus domínios desde 1991 diante dos bicolores. É verdade que o Rio Branco atual nem de longe lembra o time lépido e audacioso de três anos atrás, quando Testinha, Juliano César e Marcelo Brás infernizavam qualquer sistema defensivo.
Fernandes, bom de discurso, chegou ao Paissandu avisando que iria montar um time de Série B para disputar a Série C sem maiores percalços. Não conseguiu formar essa equipe e, obviamente, passou vários apertos durante o torneio.
Em outros tempos, daqueles que provavelmente não voltam mais, o Paissandu jamais estaria nessa angústia transcendental nas horas que antecedem o embate na Arena da Floresta. Não precisa nem ir muito longe. Givanildo e aquele Papão de 2002, que ganhou a Copa Norte e depois conquistou a Copa dos Campeões, jamais se assustariam com o Rio Branco, nem que viesse acompanhado da Liga da Justiça.
Tudo passa e os tempos são outros. O Pará deixou de ser hegemônico no futebol nortista, por efeito direto da decadência de seus dois gigantes. Remo e Paissandu decaíram tanto que não assustam mais qualquer oponente na região. Chegaram ao ponto de não se impor nem no âmbito interno – e o Independente Tucuruí que o diga.
Por isso, a batalha de hoje em Rio Branco tem contornos dramáticos e o loquaz Fernandes sabe muito bem disso. Vem daí minha desconfiança, quase certeza, quanto ao desenho tático do time que pisará a Arena da Floresta. Não me espantaria se fosse um 3-5-2, com Leandro Camilo, Jorge Felipe e Vagner na linha de zagueiros e mais três volantes no quinteto de meio-campo – Pontes, Charles Vagner e Diguinho.
Caso esse terrível presságio se confirme, terá o Paissandu seis beques em ação, quase um mini-exército em campo. Técnicos são seres previsíveis. Não costumam arriscar o pescoço diante de missões espinhosas. Preferem recuar os beques, plantam-se no próprio campo e deixam a vida passar. Como o empate é bom resultado, Fernandes dificilmente entrará com o meio-campo dos sonhos da torcida – Pontes, Charles, Sandro e Robinho. É bem mais provável que se decida por Pontes, Charles, Diguinho e Luciano Henrique. No ataque, nenhuma surpresa: Josiel e Rafael Oliveira (foto), para infortúnio do segundo.  
Desde já, é bom tirar o cavalo da chuva quanto à possibilidade de Héliton entrar jogando. Mesmo sendo um dos melhores puxadores de contra-ataque do futebol local, atrás apenas do papa-léguas Joãozinho. Fernandes jamais usaria um velocista desde o começo da contenda.
Potiguar tem mais chances, mas também deve ficar para o segundo tempo ou caso surjam problemas na primeira etapa. O fato é que nunca teve a preferência do técnico, embora seja o parceiro ideal de Rafael Oliveira, naquele que seria o melhor ataque possível.
 
 
Mais temível do que o ataque do Rio Branco é esse tal bandeirinha metido a superstar. Mário Jorge, que tem até torcida organizada, será um dos auxiliares do goiano Eduardo Tomáz de Aquino Valadão. Pelos “bons serviços prestados” ao Estrelão, ele arranca aplausos entusiasmados sempre que entra em campo. Olho na figura.   
 
 
O torcedor mais sensível que se prepare. Por economia, a TV Cultura decidiu usar narração e comentários de jornalistas acreanos na transmissão deste domingo. A tradição esportiva indica que o bairrismo deve dar o tom, com sérios transtornos à paciência do telespectador local. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11) 

13 comentários em “Coluna: Duelo sem favoritos na Arena da Floresta

  1. É Gerson,más não é só no pará que a coisa esta braba,no fortaleza, o glorioso leão do pici esta com um pé na série D,precisa de um milagre e uma combinação de resultados para não cair,e ainda precisa golear,veja o comentarios no blog do leão do pici:

    A situação do Fortaleza era Complicada com C. Agora, o medo do torcedor se mistura com o Desespero com um D exageradamente maiúsculo. Ver o time cair para a 4a divisão é uma visão que assusta a torcidar tricolor, pois sabemos que seria mais um passo difícil de ser dado rumo a uma futura recuperação.
    Ontem, em Goianinha, aconteceu um jogo que mais parecia um filme de terror. Quando a gente pensa que a situação é a pior possível, eis que o time consegue se superar e cair ainda mais em qualidade e vontade.
    Agora, só nos resta torcer para que, sábado diante o CRB, consigamos um resultado melhor do que o Campinense venha a conseguir contra o Guarany. Uma vitória do Campinense seria desastrosa, pois obrigaria o Fortaleza a golear o CRB por pelo menos 4 gols de diferença. O que, convenhamos, só acontece em filme.
    A luta agora é outra. Mas vamos a ela!

  2. Jatene e cia, narrador local, economia, e em 2005 cofres abertos, pros defuntos. Mas! Sempre o mas, o triste perdeu a eleição por apoiar morto. Torcida do Papão olho vivo! Esse nefasto está se fazendo de doido, temos que mostra pra ele quem é maioria . Esse governador e cia são nocivos aos interesses da nação bicolor.

    1. não dá pra fazer isso bruno por causa do delay que acontece entre as duas tranmissões.
      Então vc assiste um momento da partida enquanto o cara tá narrando outro.

  3. Há muito que vejo futebol local ouvindo a Clube, pois os os caras da Cultura são brincadeira.

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