Por Jamari França
Pois é, mais uma triste adição ao “clube” dos músicos mortos aos 27 anos. Amy Winehouse (1983 – 2011) não conseguiu viver consigo mesma, não conseguiu se safar de sua trip autodestrutiva, o reconhecimento de sua arte não foi suficiente para fazê-la superar os traumas ou o que quer que seja que era mais forte do que ela e sempre a levava de volta para o álcool e as drogas após sucessivas tentativas de reabilitação.
Dá para reconhecer nela o mesmo perfil que levou à morte, aos 27 anos, grandes mitos como Robert Johnson, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain. Talentos que não tiveram a chance de desenvolver uma carreira longa, mas deixaram sua marca na história do rock. A bola para Amy já estava cantada há muito tempo. Ela brincava perigosamente com os limites que separam a vida da morte, mergulhando inteira em todo tipo de drogas que podiam matá-la.
Esses desvarios a levaram a jogar fora uma carreira que tinha tudo para ser brilhante. Era uma artista branca de quem se pode dizer que tinha a alma negra, exatamente como Janis Joplin. Ela se alimentava da soul music, do rhythm’n’blues, do blues para transmitir sentimentos normalmente identificados com cantoras negras da velha escola. Uma jovem impregnada da negritude do imenso legado musical vindo da antiga raça escravizada que foi o principal esteio da música popular ocidental do século passado aos nossos dias.
A música negra tem doses iguais de tristeza e celebração. Amy se concentrava mais na primeira, num tom de voz lamentoso, com uma verdade que batia forte na alma da gente. Arrebatava ao vivo nos breves períodos em que conseguiu ser plena num palco. Aqui no Brasil não fomos infelizmente premiados com um desses momentos, suas performances foram trôpegas, da mesma maneira que na última tentativa dia 18 de junho último na Sérvia, quando vagou pelo palco balbuciando as músicas no que um crítico chamou de “o pior show da história de Belgrado.”
Ela tinha mais uma vez passado por um período de reabilitação para tentar se colocar em condições de fazer a turnê européia em oito países e gravar seu tão aguardado terceiro álbum.
Levei um choque ao ouvir a notícia no jornal Hoje, pintou a angústia de uma grande perda, da ausência de uma artista que ainda tinha muito a dizer, capaz de marcar com sua presença a música popular deste século 21. Sempre penso no que estariam fazendo hoje nomes como Janis Joplin e Jimi Hendrix, para onde a maturidade os encaminharia, que terrenos musicais eles desbravariam para a cultura universal. Penso o mesmo em relação a Cazuza e Renato Russo, John Lennon e George Harrison, Duane Allman, Marvin Gaye, Elvis Presley e muitos outros.
Com a morte deles, bem como a de Amy Winehouse, perdemos todos nós.
P.S. This is the end, beautiful friend…

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