A agressividade da Tuna desde os primeiros movimentos pegou o Remo de surpresa. Parecia que os donos da casa não esperavam tanta audácia. Para complicar, o gol visitante saiu logo de cara. Em seguida, veio o apagão dos refletores. O Remo empatou (de pênalti, que existiu) logo depois e o clássico se manteve equilibrado, lá e cá, até o fim do primeiro tempo.
No segundo tempo, antes dos 30 minutos, o Remo já tinha se garantido disparando uma goleada também estranha. A estranheza vem do fato de que, apesar do placar folgado, o time de Paulo Comelli não teve moleza. Na verdade, levou sufoco o tempo todo.
Mesmo depois que a Tuna teve um jogador expulso, a pressão não diminuiu. Na raça, sem qualquer organização, Fabinho e Adriano Miranda eram lançados nas costas de Marlon e Rafael Granja e infernizavam a marcação. Antes do segundo gol tunante, ambos criaram duas boas chances – uma delas em jogada que Moisés salvou em cima da linha.
Alguns velhos problemas do Remo no campeonato reapareceram na plenitude e contribuíram para as aflições defensivas do time. Os laterais Marlon e Granja subiam muito e ficavam sempre expostos. San e Paulo Sérgio se confundiam na cobertura.
O meio-de-campo passou os 45 minutos iniciais sem criar nada. Ratinho, encarregado dessa tarefa, parecia sem posição definida. Moisés, eficiente no combate, por vezes se atrapalhava com o meia-armador. Jailton Paraíba voltou a aparecer bem, mas continua passando a impressão de que corre além do necessário. Apesar disso, é um atacante que incomoda e não merecia ter saído no intervalo, trocado por Finazzi.
Somente depois do gol de Bruno, num cochilo coletivo da zaga, o Remo se conscientizou de que podia lutar para ampliar a vantagem. Inseguro e recuado, o time se complicava na ligação com o ataque, sofrendo com a dura marcação tunante.
Quando Tiago Marabá entrou, substituindo Dantas, o Remo ganhou sua melhor configuração tática e aí finalmente se impôs. Em duas jogadas, Marabá mudou a face nervosa da equipe, botando Granja na cara do gol para fechar a goleada em 5 a 2. Simplificar ainda é o melhor caminho.
Cena emocionante do fim de semana: Sir Alex Ferguson aplaudido de pé pela torcida do Manchester United depois da vitória sobre o Chelsea. Não é para menos. Quando assumiu, o clube tinha sete títulos ingleses. Ferguson elevou essa marca para nada menos que 18 campeonatos. É bonito ver ídolos de verdade serem reverenciados.
Cena deprimente do fim de semana: jogadores do Milan transformaram a comemoração pela conquista do Italiano num festival de xingamentos a Leonardo, técnico da Internazionale e ex-jogador e técnico rubro-negro. O time se uniu à torcida nos insultos cantados ao brasileiro. É triste não saber vencer.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 10)
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