Sobre carrinhos de Fórmula-1

Por Flávio Gomes

O antepenúltimo carro 2011 veio à tona hoje. A Marussia Virgin (será que volto a chamar só de Virgin?) apresentou seu MVR-02 em Londres. Os pilotos serão Timo Glock e Jérôme D’Ambrosio. Espero ter acertado os acentos. Faltam Hispania e Force India. A pintura é bonita e a equipe tem uma graninha extra da Marussia, que faz carros superesportivos daqueles que ninguém compra — mais um dos mistérios da humanidade, porque para ter dinheiro para sustentar um time de F-1, é preciso vender muitos Marussias; era o caso da Spyker, que se meteu com F-1 e quase fechou as portas.

Como sempre, não tenho nada a dizer sobre os fluxos de ar, a perseguição ao downforce, as curvas sinuosas, o bico mais alto e chato para otimizar a passagem do… Sabe o que eu acho? Que os caras que se metem a falar dos carros novos da F-1 são cascateiros iguais àqueles que escrevem sobre vinhos. A frase “o baixo perfil das laterais claramente direciona uma maior quantidade de ar às asas traseiras para aumentar o downforce, e as aletas dispostas na horizontal na asa dianteira otimizam a passagem do vento para criar uma zona de alta pressão sob o carro, acelerando o fluxo contínuo que gera uma maior aderência; já o bico mais alto e chato, fino e comprido, é conservador e eficiente, revolucionário, em termos, criando um túnel descoberto em forma de canoa que canaliza a passagem do ar menos turbulento sobre a tomada de ar atrás da cabeça do piloto, que pilota” é o equivalente, nas revistas escritas por enólogos, a descrições como “este é um vinho de boa intensidade aromática com frutas brancas, baunilha e toques de tostado, na boca tem um bom frescor e uma presença interessante, redonda e saborosa, com um final relativamente longo e tambem frutado, agradável e de boa elegância, de nariz muito harmônico, mostrando raros toques evoluídos, volumoso, com taninos doces, relativamente domados, e muita acidez, aveludado, equilibrado, acidez elevada e atraente, oferecendo uma bela complexidade e, no retrogosto, especiarias doces e toques minerais bem integrados, não sobrepujando a fruta que é o ator principal tanto no nariz quanto na boca”.

Ou seja: nem uma, nem outra, querem dizer nada.

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