Por Paulo Vinícius Coelho
A absolvição do Duque de Caxias no STJD, por ter escalado o volante Leandro Chaves com três cartões amarelos contra o Icasa, abriu precedente tão perigoso que fará o Cruzeiro procurar o Tribunal para verificar se Valencia, do Fluminense, tinha condição de estar no banco de reservas na partida Cruzeiro 1 x 0 Flu, pela 29a rodada.
Para que você entenda o caso. Leandro Chaves era jogador do Ipatinga e transferiu-se para o Duque de Caxias com um cartão amarelo, na Série B. Levou mais dois cartões amarelos pelo Duque de Caxias e deveria cumprir suspensão na vitória por 1 x 0 sobre o Icasa. Não cumpriu. O regulamento diz que o controle dos cartões é obrigação do clube e que o jogador carrega seus cartões depois da transferência para outro time da mesma divisão. Mas o Duque de Caxias o fez cumprir a suspensão depois do quarto cartão amarelo, na partida contra o Bragantino.
O clube do Rio de Janeiro pensou errado. O Tribunal mais ainda. Ontem, no julgamento do recurso, deu ganho de causa ao Duque de Caxias. Se não desse, o Brasiliense continuaria na Série B e o Duque seria rebaixado. O blog do Juca alertou na quarta-feira que o julgamento do caso poderia criar jurisprudência e prejudicar o Fluminense na Série A. Entenda: o volante Valencia recebeu seu primeiro cartão amarelo no Brasileirão quando jogava pelo Atlético Paranaense, contra o Internacional. Já no Fluminense, levou o segundo cartão contra o Guarani e o terceiro contra o Corinthians. Cumpriu suspensão na rodada seguinte, contra o Flamengo. O Fluminense fez o certo.
O quarto cartão amarelo de Valencia aconteceu na derrota do Flu para o Santos, por 3 x 0, no Engenhão, pela 28a rodada. Na rodada seguinte, Valencia ficou no banco de reservas contra o Cruzeiro. Não estava suspenso e isso era perfeitamente legal. Mas o STJD disse que o Duque de Caxias fez o certo, ao tirar Leandro Chaves de ação após o terceiro cartão pelo clube, o quarto no campeonato. Desse ponto de vista, Valencia não poderia ficar no banco de reservas do Fluminense contra o Cruzeiro.
O procurador-geral do STJD, Paulo Schmidt, é contrário à leitura do STJD. Diz que o tribunal errou ao dar ganho de causa ao Duque de Caxias. Mas entende que o precedente é mesmo perigoso. “No caso do jogador do Fluminense, se tem três cartões amarelos e está suspenso, não pode estar no banco de reservas. Não importa que não tenha entrado em campo”, diz Schmidt. Ao tomar conhecimento do caso, o gerente de futebol do Cruzeiro foi taxativo: “É claro que vamos ver isso. Vamos ver isso hoje”, disse. “A lei do cartão existe para ser cumprida. Se o tribunal interpreta errado, o que nós podemos fazer?”, pergunta Valdir Barbosa.
… O QUE PENSO EU …
O mais correto, do ponto de vista esportivo, seria o Cruzeiro esquecer o caso e deixar o Fluminense, que agiu certo, em paz. O Fluminense é campeão brasileiro. Isso seria o certo, mas não excluiria que o procurador-geral do STJD fizesse seu trabalho e denunciasse o caso, com base na lambança dos auditores do tribunal. O Fluminense é o legítimo campeão brasileiro. Qualquer decisão diferente disso fará com que a Justiça seja injusta.
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