Ainda há dirigente que duvida da força produtiva das divisões de base e prefira fazer dinheiro com venda de estádio, mas o Paissandu – quase sem querer – acaba de sacramentar o melhor negócio de sua história. Receberá R$ 600 mil pela cessão dos direitos federativos do atacante Moisés ao investidor Kiavash “Kia” Joorabchian, que andou envolvido com o Corinthians há alguns anos e opera forte banca de negócios a partir da Inglaterra. Além disso, o clube terá 20% de participação em qualquer negociação internacional envolvendo o jogador.
O homem-chave por trás da venda parcial dos direitos de Moisés foi um técnico: Dorival Júnior. Com relações estreitas com Kia, aconselhou o empresário a fechar negócio com o Paissandu para que o atacante desembarcasse na Vila Belmiro em tempo recorde. Assim foi feito.
Informação passada por uma testemunha das negociações indica que Dorival foi taxativo: queria, para o lugar de Robinho, o camisa 9 paraense. Com isso, conseguiu atravessar um acordo quase firmado entre o presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, e a direção do Internacional (RS).
A Kia, Dorival prometeu deixar Moisés em condições de ser repassado ao futebol europeu no prazo de dois anos. O plano é valorizar o jogador no Brasil ao longo de 2011 e transferi-lo em 2012 para o futebol inglês (preferencialmente o Chelsea). O anglo-iraniano chegou há 10 anos e montou praça, com fama de descobridor de jóias raras. Ao cuidar dos interesses dos argentinos Tevez e Mascherano, quebrou resistências e abriu caminho para engatar transações com os grandes clubes europeus.
O acerto agradou tanto a Kia, que considerou baixo o valor desembolsado por Moisés, que tratou de engatilhar a aquisição dos direitos federativos de Tiago Potiguar, embora a direção do Paissandu ainda não confirme o entendimento, temerosa talvez da reação da torcida em plena campanha para voltar à Série B. Apesar disso, o acordo pelo baixinho de Currais Novos pode ser selado ainda neste mês. Outro que deve seguir em breve o mesmo caminho, também através de agentes de Kia, é o lateral-direito Cláudio Allax, que atualmente amarga a reserva no Paissandu, mas foi bem recomendado ao investidor e deve tomar o rumo do Leste Europeu.
E pensar que Moisés chegou a ser cedido, como descartável, a clubes menores do futebol paraense e esteve até bem perto de ser dispensado. Ganhou uma sobrevida com a chegada de Luís Carlos Barbieri e, depois, com Charles Guerreiro. Como a maioria dos garotos da base, chegou ao Paissandu de graça, que gastou pouquíssimo com ele. Fico a imaginar, diante de casos assim, o que seria do nosso futebol se fosse tratado com um mínimo de profissionalismo e seriedade.
A fim de desviar o foco do polêmico negócio do Baenão, Amaro Klautau propõe a mudança no estatuto do Remo para que os sócios elejam o próximo presidente. O projeto existe há mais de um ano e só agora, no meio da maior crise do clube, ele achou de desencavar a idéia.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 16)
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