Por Maurício Stycer
Apresentado como “o maior lateral da história do Brasil” pela revista “ESPN”, Roberto Carlos encontra no principal técnico hoje em atividade no país, Muricy Ramalho, o seu maior entusiasta: “Foi o melhor que eu vi na posição. Os caras falam do Nilton Santos, mas não tem comparação. Os caras são muito saudosistas”.
No interior da revista, o título dado ao jogador do Corinthians é um pouco menos grandiloqüente. Ele é apresentado “apenas” como “maior lateral-esquerdo da história do futebol”. O próprio Roberto Carlos, num raro momento de modéstia, reconhece que há outros jogadores na sua frente: “Acho Nilton Santos, Junior, Branco, e depois apareço eu”.
Na visão da revista, pesam a favor de Roberto Carlos a longevidade na seleção (125 e 11 gols), o sucesso internacional (13 títulos apenas pelo Real Madrid, incluindo dois mundiais e três europeus) e o talento tanto na defesa quanto no ataque. “No auge da carreira, ele era defensivamente perfeito”, diz Caio Maia, diretor de Redação da “ESPN”.
Na longa reportagem com o craque, não se mencionam dois de seus fracassos – as Copas de 1998 e 2006. “O fato de Roberto Carlos ter arrumado a meia naquele lance… Há um consenso que não podia ser um jogador baixo como ele a marcar o Henry”, defende Maia.
A eleição de Roberto Carlos como “maior lateral” do futebol brasileiro é contestada por um especialista no assunto, o jornalista Paulo Guilherme, autor do livro “Os 11 maiores laterais do futebol brasileiro” (Editora Contexto). Na sua seleção, que começa com Nilton Santos e termina com Roberto Carlos, há lugar ainda para Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Nelinho, Wladimir, Junior, Leandro, Branco, Leonardo e Cafu.
“É difícil fazer qualquer tipo de comparação entre jogadores que atuaram em épocas tão diferentes do futebol. Uma lista cronológica com Nilton Santos, Junior, Branco e Roberto Carlos é um ótimo exemplo de como a posição de lateral-esquerdo evoluiu no futebol brasileiro e mundial”, observa Paulo Guilherme.
Para o jornalista Roberto Porto, um dos principais historiadores do Botafogo, autor de vários livros sobre o clube, a escolha da revista é “um absurdo”. “É a escolha de um grupo de jornalistas jovens, que não viu nada de futebol, que não conhece e não estuda o passado do futebol brasileiro”. Caio Maia, da “ESPN”, defende-se. “Sabia que essa escolha ia causar uma polêmica. Mas não estamos dizendo que o Junior Cesar é o maior lateral de todos os tempos. É o Roberto Carlos”.
Te contar, era só o que faltava…
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