Religião é assunto sempre delicado e a prudência recomenda que se respeite a convicção de cada um, mas algumas entrevistas pós-jogo beiram o absurdo catequético. Depois da bela vitória sobre o S. Paulo, no Morumbi, o goleiro cruzeirense Fábio evitou comentar a parte técnica da partida e caprichou no tom de pregação.
“Deus é fiel, toda glória a Ele e temos que agradecer por ter iluminado o nosso time, nos presenteando com essa maravilhosa vitória. Glória a Deus…” e seguiu nessa linha até o repórter finalmente desistir da entrevista. Tudo muito bem, a fé move montanhas, mas é esquisita a ideia de que Deus só age em favor dos vencedores e vira as costas aos perdedores.
Ainda estão vivas na memória de todos as imagens de Marcelinho Carioca, atleta de Cristo juramentado, com faixa na cabeça saudando Jesus. Baixava o cacete nos adversários, cuspia e xingava deus e todo mundo. Seu único momento de contrição era na hora de ajeitar a bola para cobrar faltas. Quando a bola entrava, lá vinha louvação religiosa em doses cavalares. Quando perdia, saía querendo briga e disparando palavrões contra a arbitragem.
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