O anúncio formal da Fifa, direto das Bahamas, foi apenas protocolar. A coluna de Ancelmo Góis matou a charada ainda na sexta-feira, obviamente a partir de informações oriundas da própria CBF. Não há dúvida quanto ao peso do lobby, das articulações de bastidores e do interesse financeiro envolvido no processo. Ficou claro que pouco importa à Fifa (e a CBF) o aspecto técnico da coisa. Quem tem estádio ou não, quem gosta de futebol ou boi-bumbá. O que vale é a grandiosidade dos projetos, o volume de dinheiro a ser gasto.
Fontes não autorizadas revelam que o estádio futurista que Manaus vai construir terá o acompanhamento direto de uma firma ligada a Blatter. Claro que, na hora de contabilizar o lucro, é mais sedutor apostar num projeto caro (R$ 600 milhões) do que na reforma prevista para o Mangueirão, que não ultrapassaria a casa dos R$ 200 milhões. Cifras, cifras e nada mais. Fiquei vendo a divulgação das capitais escolhidas e parecia que, ao fundo, ouvia-se o tilintar frenético das moedas.
Belém, sabemos todos, tinha tudo para sediar jogos da Copa. Estádio, acessibilidade, tradição futebolística e experiência em grandes eventos. Manaus tem hotelaria e o apelo do ecoturismo. Não foi isso que decidiu a parada. Não nos iludamos: aquele que era o nosso grande trunfo foi também nosso maior calo. Ter um estádio pronto, sem possibilidades de grandes gastos, desinteressou os senhores da bola. Para eles, é mais lucrativo investir numa praça em que tudo está por fazer e onde a dinheirama será farta e generosa.
Podem dizer o que disserem, podem levantar mil hipóteses, mas no fundo prevaleceu mesmo a velha questão. A Fifa (e a CBF do sr. Ricardo Teixeira) só pensa naquilo: grana. Manaus tinha o projeto mais caro (e tentador) de todos. Prevaleceu a ganância. E ninguém vai poder fazer nada quanto a isso. O futebol tem seus donos. Eles mandam e desmandam. O resto que se dane.
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