Leitor-internauta, preocupado com a violência, critica o endosso de comentaristas à vitória de Machida no vale-tudo.
Foi com surpresa que ouvi os comentários dos apresentadores do programa “Bola na Torre” da RBA sobre a luta de vale-tudo vencida pelo tal Machida. A surpresa está no fato de esportistas apoiarem uma prática que nada mais é do que pura violência. O que se constatou não foi uma disputa esportiva entre atletas, mas tão somente duas bestas-feras se digladiando em um ringue, ovacionados por uma turba de fanáticos sedentos por sangue e brutalidade, seja ao vivo ou via satélite. Se em uma partida de futebol, um jogador pratica uma “entrada” mais violenta, logo é criticado por todos os comentaristas esportivos (com toda razão) pelo seu comportamento violento; no entanto, diante de uma prática de luta-livre, todos se derretem em elogios. Houve até um comentarista que propôs que o pseudo-atleta desfilasse em carro de bombeiro. Seria a consagração da barbárie. O que todos precisam entender é que violência é sempre violência em qualquer situação, e não serão as convenções humanas que mudarão isso. Se já existem estudos que apontam que os videogames violentos influenciam o comportamento de quem joga, imagine o que uma luta de verdade não faz nas pessoas sem uma melhor estrutura psicológica, principalmente as crianças, que acabam absorvendo a violência como uma coisa natural. Depois, quando em um estádio de futebol, a torcida ou os jogadores praticam atos de violência, são imediatamente condenados. Só esquecem de dizer onde toda esse fúria foi incentivada (lógico que as influências são múltiplas). Longe de querer dar lição de moral, o que quero é apenas provocar um pouco de reflexão, para que não se entre em contradição. Acho que os comentaristas esportivos, por serem formadores de opinião, devem medir muito bem seus comentários, antes de apoiarem práticas que há muito já deveriam ter sido banidas de nossa sociedade. Precisamos de bons exemplos e de paz. Um forte abraço.
Ricardo Conduru
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