Copa de 2014: Manaus ou Belém?

Reproduzo comentário enviado pelo Alex Bernardes, sobre a candidatura de Belém a sub-sede da Copa do Mundo de 2014:

Sou leitor assíduo de sua coluna no Bola e tenho uma crítica construtiva ao papel da imprensa paraense na questão de Belém como sede da Copa.

Assistindo ao Bola na Torre, observei os comentários de que, pelos critérios técnicos, Belém teria que ser a sede, dando a entender que caso Manaus seja escolhida terá sido por razões políticas. Ora, as duas capitais têm tecnicamente vantagens e principalmente desvantagens. No entanto, se a Fifa quer uma sede amazônica é arrogância nossa achar que essa bandeira nos cabe melhor.

Acho que está faltando muita coisa à campanha, inclusive foco mais qualificado da imprensa, com seu importante papel de cobrar e fomentar debate.

Manaus é sim, há muito tempo, sinônimo de Amazônia pelo mundo e no Brasil. Sempre estivemos atrás nesse quesito e isso nunca foi problematizado com a importância que deveria. Os manauras com competência exploraram essa sua virtude e nós não corremos contra o prejuízo, marketing zero para aliar com solidez a nossa imagem à Amazônia.

Basta buscar informação sobre o perfil do turista que vem ao Círio, por exemplo (nacional e a maior parte ligados ao turismo religioso), e o que vai a Manaus. Quando um estrangeiro pensa em conhecer a Amazônia, as operadoras de turismo e sites e veículos de comunicação no Brasil e pelo mundo relacionam mais contundentemente Manaus.

O turista de lá vai para conhecer a Amazônia. Muitos nem sabem que Belém existe. E falo com propriedade, pois tenho parentes no exterior e em operadoras de turismo.

Fazer um estádio em cinco anos (caso de Manaus) é mais fácil que mudar a estrutura de uma cidade e principalmente sua imagem.

Oras, não adianta no momento satisfazer melhor determinados critérios técnicos se o principal não atentamos: para a sede na Amazônia a maioria do mundo não nos reconhece como sinônimo de Amazônia.

Manaus pode correr atrás do que perde para nós (estádio principalmente), mas jamais conseguimos nem mesmo perceber com propriedade a importância do quesito em que perdemos de goleada para eles.

Residem aí os motivos de nossa provável derrota: falta de foco adequado de todos, inclusive da boa imprensa esportiva paraense, sinceramente, nessas condições, nunca tivemos chance.

Só um desabafo.

Alex levanta pontos interessantes, principalmente quanto ao marketing e à melhor utilização da imagem de Manaus como “cidade amazônica”.

Aceito a crítica, até porque sempre me posicionei com otimismo sobre a candidatura belemense. Claro que erros foram cometidos ao longo da campanha, como a falta de um especialista em esportes para coordenar o grupo de trabalho instituído pelo governo Estado.

Quanto aos aspectos técnicos, enfatizados em favor de Belém, mantenho a convicção de que as chances da capital paraense são maiores. Pelo simples fato de que futebol é tradição, presença de torcida e praça adequada.

Belém tem tudo isso, além de ser privilegiada quanto ao acesso – rodoviário, aéreo e marítimo. É uma batalha e tanto, acirradíssima do ponto de vista político, mas nunca perdi o otimismo.

De mais a mais, em termos de prestígio, Belém tem seus trunfos. Se Manaus tem a declarada simpatia de Ricardo Teixeira (amigão do coronel Nunes), a Cidade das Mangueiras conta com o voto declarado do presidente Lula e do presidente da Vale, Roger Agnelli, que aparece como um dos patrocinadores da competição. Acho que ambos pesam mais na balança.  

E, em caso de insucesso, entendo que, do ponto de vista futebolístico, será um absurdo sem tamanho.

11 comentários em “Copa de 2014: Manaus ou Belém?

  1. Acrescentaria ai a criação do elefante branco, que seria descoberto ao final da copa do mundo com os jogos de pelada realizada no Amazonas (la tem torcida?). Brincadeiras a parte, creio que Manaus tem grande chances pelo loby que faz e fama que ja construiu mundialmente. Belém tem ao seu favor a localização e a possibilidade de ser redescoberta para o mundo, pois cá para nós, temos muito mais atrações turísticas ao nosso redor (apenas não tão bem exploradas). O Pará é uma mistura de nordeste brasileiro (Salinas, Agodoal etc), Pantanal (Marajó – marca mais conhecida internacionalmente que Pará) e Amazônia (Bosques, ilhas com praias e mata). Bem a copa no Pará não apenas beneficiaria Belém, mas também o Brasil com a descoberta de mais um grande polo turístico.

  2. Vale ressaltar que em viaje para Santa Catarina ao final de 2007, meus colegas catarinenses ficaram supresos ao falar que as praias de água doce no Pará produzem ondas de um metro e meio ou mais. A imagem de praia de rio era banho em água parada. Veja só nosso potencial tão pouco explorado. É brincadeira como somos amadores em muitos aspectos.
    Abraço Gerson.

  3. A análise do Alex Bernardes é corretíssima no que diz respeito ao perfil do turista que visita Manaus e sobre a exploração da imagem da cidade como o entreposto da Amazônia para o mundo. Contudo, tal condição de referência se dá muito pela localização geográfica de Manaus, encrustrada na floresta amazônica, posto que os manauaras conseguem explorar muito bem tal “privilégio”.
    Mesmo não conhecendo a cidade, penso que Manaus não apresenta aspectos tão “exóticos” e singulares que a elevem a condição de “Metrópole da Amazônia”. Assim como Belém.
    O “exotismo” é o que fascina o estrangeiro, sobretudo o europeu, e como temos um olhar sobre nós mesmos que procede muito do olhar alheio, projetamos tal visão e, em momentos ímpares (como este em que serão escolhidas as cidades a sediarem os jogos), tal visão é acentuada, apropriada (como agora, e os manauaras têm abusado disso) ou abafada e até mesmo negada. Se aspectos mais relevantes no universo do futebol prevalecerem (torcidas, clubes, estádio, bem como a utilização do mesmo após o evento) Belém leva. Em relação à infra-estrutura das cidades há um certo empate, com ligeira vantagem para nós. Mas se o lobby, o marketing e todo o “exotismo” e singularidade que o mesmo ressalta e projeta, aí dá Manaus.
    Mas acho até que podem pintar as duas… tô sentindo esse cheiro.

    Abraços Gerson!

  4. Olá pessoal. Aqui em Manaus já foi derrubado o velho estadio Vivaldo Lima e está surgindo um belissímo monumento que, segundo os governantes, não será só um estadio para a Copa de 2014, mais sim, para outros eventos . Querem saber como vai ser o nome deste Monumento: ARENA DA AMAZÕNIA.está sendo desde já considerado como um dos mais belos do Brasil.Manaus,20 de fevereiro de 2012.

  5. Que bom Iamara, pena que este estádio será uma grande elefante branco após a COPA do MUNDO de 2014 ai em Manaús! Pois futebol ai não existe, talvez para pratica de outros eventos, o mesmo possa servir, mais jamais para o futebol.

  6. Olha ,se é copa verde Manaus leva – devido sua localização ,encravada na floresta amazônica, tem quase 2.000,000 de hab, 6ª PIB do Brasil, e é a cidade mais influente, e rica do norte. Ou seja, foi bom ela ser sede mesmo, sobre falarem de “ELEFANTE BRANCO” se a fifa julgasse por tradição, ela jamais indicaria os EUA ,AFRICA DO SUL, JAPÃO E COREA, RÚSSIA, CATAR, para serem sede da copa…

  7. A zona metropolitana de Belém tem cerca de 3 milhões de habitantes, Manaus só tem população maior do que a de Belém por ter área maior, o PIB de Manaus é alto pois mais da metade da população do Amazonas mora em Manaus e quase tudo que se arrecada é na capital, e outra, o dia em que acabarem os incentivos fiscais para Zona Franca, Manaus vai a falência, o que não desejamos. Quanto ao estádio vai ser sim Elefante Branco, a não ser o Paysandu coloque os seu jogos lá, pois em Manaus tem mais paraenses do que Manauaras.

  8. Esse gerson é um tremendo comediante pode ir trabalhar no zorra total vc faz um morrer de rir… só posta coisa ruim contra Manaus as boas ele esconde…

  9. Concordo contigo, Otavio, Manaus “ampara” “sustenta” mais de trezentos mil paraenses. Cidade Abençoada, essa Manaus! Tambem, pudera, Manaus eh de JESUS, e nao de nazare! Abraços aos nossos irmaos paraenses!

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