POR GERSON NOGUEIRA

O Remo cumpre uma campanha digna neste returno do Campeonato Brasileiro. Os resultados decepcionam, mas o desempenho técnico é reconhecido. Em todos os confrontos realizados, o time paraense competiu de maneira satisfatória, sem sofrer derrotas vexatórias ou extravagantes. Uma espécie de consolo que não atende às expectativas da torcida, mas é fato que não pode ser menosprezado.

Para uma equipe que ficou ausente da Primeira Divisão por 32 anos, a participação do Remo tem sido modesta, mas honrosa. Com um pouco mais de sorte, mais acertos nas contratações e menos erros de arbitragem, é possível que estivesse em situação melhor na classificação.

O jogo diante do Palmeiras, hoje (5), às 19h30, em São Paulo, é um dos maiores desafios para o Remo em toda a competição. No turno, houve empate (1 a 1), no Mangueirão, com excelente atuação dos azulinos, à época dirigidos por Léo Condé.

A situação é diferente agora. O Palmeiras está brigando acirradamente com o Flamengo pelo título da competição e precisa vencer a qualquer custo, enquanto o Remo é olhado como o time que vai cair – alguns acham que já caiu. Esse contraste de perspectivas é ao mesmo tempo desfavorável e interessante para o Leão.

No aspecto negativo para o Remo, a condição de favorito do Palmeiras torna o confronto extremamente difícil. O adversário entra confiante e encarando o Remo como apenas um adversário a ser batido na luta para chegar ao título. A perspectiva favorável para o Leão é que favoritismo exagerado costuma deixar brechas para zebras históricas.

Disposto a repetir a mesma escalação utilizada contra o Botafogo, Thiago Carpini tenta extrair o que o time apresentou de melhor na partida que marcou o fim do longo jejum de vitórias. Pode ser interessante.

A defesa deve ter em grande parte do jogo uma linha de cinco jogadores, com o recuo estratégico de Zé Welison. Ofensivamente, a estratégia de sempre: velocidade pelos lados e transição rápida, a partir da presença de David Braga no meio-de-campo.

Marcelinho segue como um ala avançado pela direita, com apoio de Braga, e o artilheiro Jajá tem liberdade para atacar pelo esquerdo, escoltado por Marlon Mateus. No centro do ataque, Gabriel Taliari faz o trabalho de pivô dentro da área, com a missão de recompor o meio quando o Remo for atacado. No papel, é a melhor formação possível.

(Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Arbitragens ruins estragam o campeonato

Ocorrências repetitivas têm causado desconfiança crescente em relação às arbitragens do Campeonato Brasileiro. Na semana passada, várias partidas ficaram marcadas pela interferência dos árbitros de campo e do VAR. Apesar das queixas dos clubes prejudicados, os erros de interpretação e a falta de critérios voltaram a assombrar a competição.

Na partida entre Internacional e Coritiba, em Porto Alegre, um pênalti cometido pelo colorado Mercado no zagueiro Moledo, do Coxa, foi inteiramente ignorado pelo árbitro de campo e pelo VAR. Mercado caiu sobre Moledo dentro da área no lance final da partida. Falta clara.

O aspecto mais grave é que a não marcação do pênalti se insere na galeria dos lances que normalmente são ignorados pela arbitragem quando desfavorecem o time da casa.

Ainda na rodada de terça-feira, outro pênalti gerou ainda mais reclamações. A Chapecoense, matematicamente rebaixada à Série B, foi prejudicada pela interpretação do árbitro de campo, que inverteu a marcação de uma falta cometida pelo atacante Alesson.

Na visão do mediador, a falta teria sido cometida pelo zagueiro da Chape. O VAR chamou para revisão, mas o cidadão manteve a decisão equivocada. O tipo de marcação que beneficia um time e afeta os demais que brigam pela permanência na Série A.

Ontem, saiu a notícia de que Anderson Daronco foi suspenso pelos erros cometidos no jogo Palmeiras x Vasco, pela Copa do Brasil. Uma punição meia-boca, pois ele vai ser escalado para apitar na Série B.

Resumo da ópera: a Comissão de Arbitragem erra tanto quanto os profissionais sob seu comando.

Morte na Espanha: acidente ou força excessiva?

A morte do atacante Jesús de Miguel, de 30 anos, do Tenerife, após ser atingido violentamente pelo goleiro Jesús Owono durante a partida contra o Andorra, abalou o futebol na Espanha e consternou o mundo. Ao mesmo tempo, põe em debate uma questão jurídica delicada: até que ponto um choque em campo pode ser tipificado como crime?

O caso é investigado pela Polícia Nacional espanhola, com base na súmula, que registrou um movimento imprudente do goleiro, com a perna erguida e força excessiva contra o adversário em disputa de bola pelo alto.

Em caso de comprovação de atitude delituosa, poderá haver responsabilização criminal do goleiro do Andorra, com direito a indenização da família da vítima. Segundo especialistas, a tênue linha de verificação consiste em descobrir o que é natural à disputa e o que ultrapassa os limites aceitáveis da prática esportiva.

Ao mesmo tempo, prevalece o entendimento de que o atleta, ao participar de uma competição esportiva, está sujeito aos riscos inerentes à modalidade. O que não significa autorização para qualquer tipo de contato físico ou isenção automática de responsabilidade quando ocorre excesso.

No futebol, a distinção é mais clara em situações fora da disputa normal, como agressões durante brigas em campo. A zona mais complexa envolve faltas cometidas com força, rispidez ou método desproporcional ao que é considerado esperado na modalidade.

A avaliação dos investigadores terá que levar em conta as circunstâncias do lance e as provas disponíveis, sem presumir que a gravidade do choque determine a culpa do atleta. De todo modo, apesar das imagens revelarem extrema violência na intervenção do goleiro Owono, condenações em casos de lesão grave (e fatal) são raras.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 05)

Uma resposta para “Compromisso com a dignidade”

  1. Avatar de MOREIRA
    MOREIRA

    “Com um pouco mais de sorte, mais acertos nas contratações e menos erros de arbitragem, é possível que estivesse em situação melhor na classificação.”

    A boa sorte costuma acompanhar a competência. Assim sendo, acertos nas contratações (comissão técnica aí inclusa) reduziriam os erros em campo, tanto na parte ofensiva como no setor defensivo. Ainda com as deficiências técnicas costumeiras, não fossem interesses escusos, como se têm visto em relação aos “erros” de arbitragem (pois, afinal, o Remo e a Chape estão marcados para cair), o Leão Azul estaria em plenas condições de permanecer.

    Destaco em campo os erros contra o Grêmio em PA, com penal desperdiçado por Manga e a infantil expulsão de Pikaxu, aí foram dois pontos desperdiçados. No início, empates contra o Atlético e Mirassol deixaram pelo caminho mais quatro pontos, e por aí vai. O restante dos pontos perdidos ficam por conta da madrasta e seus executores (árbitros encomendados e VAR, quando não um é o outro).

    E hoje, como diz o amigo Gerson, que o time se haja com a mesma dignidade. É um consolo.

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