POR GERSON NOGUEIRA

O Remo se preparou durante as últimas duas semanas para encarar a reta final do Campeonato Brasileiro com o pensamento fixo em vencer o máximo de jogos para escapar ao rebaixamento. Os treinos comandados pelo técnico Thiago Carpini foram intensos e buscaram dar ao time um nível de competitividade que faltou nas oito últimas rodadas.
Sem vencer na competição há oito partidas, o Remo criou raízes na penúltima colocação, com 23 pontos. O esforço para sair desse buraco começa pelo jogo desta noite (7), às 19h30, contra o Grêmio, no Mangueirão. É o primeiro de um pacote de 10 jogos que vai determinar o futuro do Remo na Série A.
Estimulado por exemplos de recuperação milagrosa, como o Fluminense de 2009, o Remo de Carpini buscará diante do Grêmio equilibrar intensidade com boa pontaria, criatividade e segurança defensiva.
O adversário também está no desespero. Atravessa fase ruim na competição, duas posições à frente do Remo, com 29 pontos, mas igualmente na zona de rebaixamento. A exemplo do Leão paraense, o Grêmio trocou de comando técnico. Substituiu Luiz Castro por Renato Gaúcho, treinador de forte identificação com o clube.
Carpini vai colocar em campo pela primeira vez um time estruturado e seguindo suas orientações. A estreia contra o Santos, antes da Super Data Fifa, não contou para a análise do trabalho de Carpini, pois na prática o time ainda seguia um desenho montado por Léo Condé.
Para conter o ataque gremista, o Remo terá uma dupla diferente na zaga: Marllon e Zé Ivaldo. O titular Tchamba participou dos amistosos da Data Fifa como titular da seleção de Camarões, e não foi relacionado.
Sem Zé Welison, Patrick volta à titularidade no meio, jogando ao lado de Leonel Picco. Vítor Bueno será o terceiro homem, dedicado à criação e também como avançado. É um esquema bastante ofensivo, que Carpini já havia ensaiado contra o Santos. A ideia é marcar forte e usar a velocidade, mas sem perder o controle das ações.
A principal modificação será na movimentação do ataque, com a escalação de Yago Pikachu na direita, mas com a opção de Marcelinho atuar mais adiantado, como um ponta. Lateral de origem, ele na prática tem sido um atacante e um dos destaques do time. Galeano vai atuar pela esquerda.
Taliari segue como titular no centro da ofensiva, podendo formar dupla com Victor Bueno quando o Remo estiver rondando a área gremista. Taliari, aliás, está em busca de reabilitação. O jejum de gols incomoda.
O fato é que o confronto representa um desafio decisivo para os azulinos. Vencer não é apenas uma opção, é condição obrigatória para seguir vivo na luta pela permanência. O longo caminho para sair do Z4 começa hoje.
Time sofre com a ausência do artilheiro
Jajá, o artilheiro do Remo na Série A com sete gols marcados, está relacionado para a partida contra o Grêmio, mas não é opção para começar jogando. A segunda lesão tem provocado uma ausência prolongada do atacante, gerando sérios prejuízos ao setor ofensivo.
Agressivo e rápido, Jajá se destacou pela capacidade de finalização ao longo do campeonato, embora não tenha um histórico de definidor de jogadas. Ironicamente, o Remo não tem conseguido contar com ele na fase mais aguda da disputa.
Os gols marcados valorizaram Jajá, que chegou ao Remo na primeira leva de reforços, ainda na gestão de Marcos Braz como executivo de futebol. O interesse de alguns clubes em sua contratação talvez motive o artilheiro nessa possibilidade de retorno ao time.
Com carência de jogadores para o ataque, Thiago Carpini incluiu Eduardo Melo como opção para o comando da ofensiva. O jovem centroavante havia sido aproveitado no Campeonato Paraense, sob a direção de Juan Carlos Osório, mas saiu do radar durante a passagem de Léo Condé.
Outra alternativa é o jovem colombiano Andrés González, que foi contratado originalmente para o Sub-20 e chegou a defender o Leão na Copa Norte. Inscrito, foi relacionado para o jogo desta noite.
Com pênalti, Messi dá adeus à seleção argentina
A seleção da Argentina se despediu festivamente de Lionel Messi contra a modestíssima equipe de Benin (89º no ranking da Fifa). Uma festa muito bonita, à altura do homenageado, reverenciado pelos compatriotas como um gênio do futebol. As dificuldades enfrentadas ontem à noite pela equipe de Scaloni devem se multiplicar sem Messi.
O começo não foi fácil, ao contrário do que se esperava. O primeiro gol só veio na segunda etapa, após um tempo inicial de muitas tentativas e oportunidades desperdiçadas. No fim das contas, o placar de 3 a 0 ficou de bom tamanho, com direito a um gol do camisa 10.
Como era um evento especial, todos queriam botar Messi em condições de finalizar e marcar o seu gol. Isso atrapalhou a movimentação de jogadores como Enzo Fernández e McAllister, que erravam na aproximação.
O espetáculo de despedida é um prêmio à fantástica e vitoriosa carreira de Messi, manchada em parte pelo excesso de favorecimento dos árbitros na campanha da Argentina durante as Copas do Mundo de 2022 e 2026.
Por sinal, no amistoso de ontem à noite, a arbitragem parecia desesperada para garantir a Messi o direito de balançar as redes. Como tantas vezes em sua carreira na seleção, um pênalti foi marcado e o gol finalmente saiu. Um gol simbólico, por várias razões, inclusive para seus críticos.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 07)
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