POR GERSON NOGUEIRA
O revés diante do Coritiba, na segunda-feira (31), no Mangueirão, frustrou as expectativas da torcida do Remo e os planos da comissão técnica quanto a uma reação dentro do Campeonato Brasileiro. Em 19º lugar, com 23 pontos, a situação é preocupante diante da dificuldade em vencer na fase de retomada da competição após a Copa do Mundo.
Sem vencer há sete partidas, incluindo os jogos contra o Santos na Copa do Brasil, o Remo precisa desesperadamente voltar a pontuar. Esteve a um passo disso na partida contra o Coritiba, quando realizou seu melhor 1º tempo em todo o campeonato.
Dominou amplamente o jogo, com até 70% de posse de bola e com nada menos que 32 finalizações, foi propositivo e teve quase o triplo da produção ofensiva do adversário. Apesar disso, a torcida voltou a sair do Mangueirão revoltada com o resultado final.
O Remo chutou muito a gol, trocou mais passes que o Coxa, foi vibrante e intenso na maior parte do tempo. Tudo como reza o manual do futebol competitivo, mas uma queda repentina de rendimento, entre os 20 e os 30 minutos do 2º tempo, impediu a conquista de um triunfo.
Foi nesse breve período que o Coritiba reagiu e empatou a partida, quando o Remo vivia um momento de entusiasmo pela sensacional virada, com gols de Zé Ricardo e Yago Pikachu, após cobrança de pênalti. A torcida comemorava a vitória parcial, mas o time se descuidou e essa desconcentração cobrou um preço muito alto.
Um erro de marcação, com toda a defesa junto à área azulina, permitiu que Pedro Rocha manobrasse no lado direito da área. Recebeu combate de Zé Welison e errou a finalização, mas a bola foi cair nos pés de Paulo Roberto, que fintou Marcelo Rangel e passou para Fabinho fazer 2 a 2.
A construção da jogada é reveladora do grau de insegurança da zaga. Até o momento do gol inicial (marcado por Zé Welison, contra), a atuação era impecável. Depois disso, porém, o sistema começou a oferecer brechas, que se tornaram fatais pelos pés dos hábeis atacantes do Coxa.
Não se pode atribuir apenas à defesa as mazelas do Remo neste Brasileiro, mas muitos gols poderiam ter sido evitados. Foram dados praticamente de graça, como o terceiro do Coritiba nos minutos finais. Os azulinos atacavam em massa, arriscando tudo para conquistar a vitória, mas a retaguarda ficou desprotegida.
Em três toques, o Coxa chegou ao ataque, onde Paulo Roberto manobrou à vontade diante da marcação distanciada de Marllon. Dos pés dele saiu o passe fácil para a conclusão da jogada pelo artilheiro Pedro Rocha.
É preciso dizer que, quando sofreu o 3 a 2, o Remo já não tinha jogadores de combate, pois Leonel Picco e Zé Welison foram sacrificados para a entrada de Vítor Bueno e Deivid Braga. Ambos quase fizeram o gol, em lances bem defendidos pelo goleiro paranaense, mas é fato também que um jogo de tamanha importância não perdoa fragilidade na marcação.
Baixo astral faz renascer o “fora Condé”
Alguém já disse que no futebol a situação é sempre olhada, na hora de mudanças, com um viés de perseguição aos comandantes. Como não dá para demitir um elenco inteiro, o alvo natural é o técnico. Não é diferente no Remo atual, castigado pela ameaça de rebaixamento e o efeito desanimador de um jogo cujo desfecho foi cruel com o time.
Por todos os pontos de vista, o Remo merecia a vitória diante do Coritiba. Fez tudo o que se considerava necessário para trunfar, mas erros pontuais comprometeram os planos e resultaram em derrota, de novo.
A tabela de jogos prevê sete partidas em casa e seis fora, permitindo acreditar na possibilidade de salvação. Com seis vitórias em Belém, o Remo volta a competir diretamente pela permanência. Não é uma tarefa fácil, levando em conta a qualidade dos adversários e principalmente o nível de confiança do time azulino.
Depois da partida com o Coxa, Pikachu e Zé Welison comentaram a situação, demonstrando sinais de abatimento, fato absolutamente normal, minutos após a frustração gerada pela perda do jogo. Apesar disso, ambos imediatamente assumiram o discurso de reação e foco na recuperação.
Pelo que a equipe entregou na partida de segunda-feira, não há como crucificar Léo Condé. O time foi intenso, rápido nas transições e criou inúmeras chances de fazer o gol no 1º tempo, mas faltou eficácia.
A torcida, porém, demonstra impaciência cada vez maior com o trabalho de Léo Condé. É injusto avaliar Condé sem observar o contexto de sua atuação. Pegou um elenco já montado, conseguiu incluir algumas indicações, mas sofreu com a fase de adaptação, tentando consolidar um sistema de jogo.
Nas circunstâncias, conseguiu bons resultados, mas as derrotas causadas por falta de ousadia conferem a ele uma imagem de acomodação, ponto principal das críticas. A dificuldade é encontrar, num hipotético cenário sem Condé, um outro técnico em condições de salvar o Remo.
Papão se reorganiza para estrear bem
Com um meio-de-campo que produziu muito pouco nas últimas três partidas, o PSC terá que se reconstruir para o quadrangular decisivo a partir do setor que determina a movimentação e centraliza as ações do time.
Caio Mello, como todos os companheiros, não tem reeditado as boas atuações do início da temporada, mas passa por ele a possibilidade de reconstrução. Com Pedro Henrique e Marcinho, o papel desempenhado pelo segundo volante no meio pode ser amplificado e mais eficiente.
Nas conquistas do Papão no primeiro semestre, Caio Mello marcou muito bem e teve desenvoltura para arriscar finalizações. Fez gols importantes e auxiliou nas ações ofensivas. De repente, porém, veio um período de recolhimento, que tem coincidido com resultados insatisfatórios em campo.
Pode-se dizer que a recuperação do futebol praticado por Caio Mello representa o reencontro com o melhor desempenho do Papão na temporada. Mais do que nunca, no quadrangular, esse bom futebol precisa reaparecer.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 02)
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