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POR GERSON NOGUEIRA

O Paysandu fez mais um jogo sem imposição e sem exercer domínio sobre o adversário, mas, quando tudo indicava que o time ia sair derrotado, eis que a velha fibra deu as caras na Curuzu e a virada se materializou para êxtase da torcida alviceleste. Gols de Ítalo e Carrerete, ambos nascidos de cruzamentos na área, salvaram a noite bicolor.

A torcida saiu festejando como se não houvesse amanhã. E, de fato, a noite merecia comemoração. Afinal, o futebol não se limita a planos táticos mirabolantes e exibições portentosas. Todos gostamos de atuações ajustadas e convincentes, mas nem sempre isso é possível.

Na segunda-feira à noite, na Curuzu, apinhada de torcedores (total de 16 mil), o clima era de expectativa positiva. Ninguém admitia tropeçar no pior time do campeonato. E eis que, no final do 1º tempo, a zebra resolveu desfilar em campo. Ícaro, ex-remista, acertou um belo chute e abriu o placar em cobrança de falta.

Depois de mudanças no intervalo, o ataque passou a ter cinco jogadores, como no futebol das antigas. Nem isso fez a bola tomar o rumo do gol, mas aconteceu algo que transcende os aspectos técnicos. De repente, time e torcida entraram em conexão e tudo ficou mais fácil.

No apagar das luzes, em dois cruzamentos, Ítalo e Pedro Carrerete furaram o bloqueio defensivo do Confiança e garantiram a vitória. O time da virada conseguiu reverter o placar pela sétima vez na temporada. Três pontos de fundamental importância para a classificação e talvez para o acesso.

O clique pode ser tão perfeito quanto o gol

Na partida entre Remo e Atlético, sábado à noite, no Mangueirão, o lance que definiu o empate final foi brilhantemente captado pelo repórter fotográfico Oswaldo Forte, do DIÁRIO. É quando o goleiro Everson contempla, impotente, a bola chutada por Taliari entrar no gol.

Na arte fotográfica, a perfeição irrompe na súbita capacidade de congelar o momento em que o futebol paralisa o mundo. Algo que tem um quê das verdades anárquicas de Nelson Rodrigues. Impulso primitivo a serviço da informação.

Pacote visa aumentar o tempo de bola em jogo

Decretos não alteram velhos vícios, mas os 40 clubes das séries A e B aprovaram para este ano um pacote de regras da Ifab que só irão valer em 2027. A ideia é louvável, mas será um desafio imenso colocar em prática no movediço futebol brasileiro, cheio de truques e manhas.

A partir da 23ª rodada do Brasileirão, as novas medidas serão aplicadas. Algumas já conhecidas e vistas na última Copa do Mundo.

A preocupação da CBF e da comissão de arbitragem é com o baixo tempo de bola rolando. Um estudo encomendado à Opta analisou 177 partidas da Série A até a paralisação para a Copa, apontando uma média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida.

O número deixa o Brasileiro atrás de MLS, Bundesliga, Ligue 1, Premier League, LaLiga e Serie A italiana. Alguns dos principais motivos para o tempo reduzido: excesso de faltas, demora para a execução das cobranças, reposições prolongadas e a invencível “cera”.

Entre as 10 regras, algumas são importantes, como o tempo de 8 segundos para o goleiro repor a bola em jogo. Caso desobedeça, a posse fica com o adversário, que ganha um escanteio. Outra regra estabelece 5 segundos para tiros de meta. A punição é a mesma aplicada ao goleiro.

Arremesso lateral também terá que ser cobrado em 5 segundos. Caso passe desse tempo, o lance será revertido. Para deixar o campo em substituições, 10 segundos (acho muito). Desobediência gera cartão amarelo.

A mais inovadora de todas é a que pune o jogador que cobrir a boca durante uma discussão. A punição será com cartão vermelho. É “o protocolo Vini Jr.”, criado para punir insultos racistas em campo.

O VAR poderá revisar o segundo cartão amarelo. O árbitro de vídeo pode também revisar a marcação de escanteio que resulte em gol ou pênalti, mas essa regra só entrará em prática a partir de 2027.

Trump e o beijo da morte em Infantino

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em meio à reação negativa sobre o fracasso no plano de ‘vender’ a Copa do Mundo para investidores externos. Em declaração dada à Truth Social, sua rede social, o líder americano afirmou que a entidade cometeria um ”erro terrível” se afastar o mandatário.

“Ele é fantástico, tendo acabado de presidir a Copa do Mundo mais bem-sucedida de todos os tempos, quatro vezes mais bem-sucedida que a anterior. Se ele sair, nunca mais será tão bem-sucedida ou lucrativa!”, completou.

Uefa, Concacaf e AFC divulgaram carta conjunta com duras críticas à forma como o suíço conduziu a Fifa nos últimos meses, aumentando a pressão por sua renúncia. O presidente de LaLiga, Javier Tebas, disse que o tempo de Infantino como presidente da Fifa “acabou”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 12)

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