![]()

POR GERSON NOGUEIRA
Atacar desde os primeiros minutos, não permitir ao Santos ter tempo de se estabilizar. A estratégia azulina, mesmo não revelada explicitamente, está definida. O Remo vai sufocar o setor defensivo adversário com jogo acelerado e pressão. Ao contrário do que ocorreu no primeiro jogo da decisão, o plano para esta terça-feira (21h30) é aproveitar o fator campo e a conexão com o Fenômeno Azul para chegar ao gol ainda no 1º tempo.
Todas as vezes em que atuou com a torcida lotando o Mangueirão, em ambiente de decisão, como nas partidas do acesso da Série C para a B (contra o São Bernardo) e da B para a A (contra o Goiás), o Remo driblou a tensão natural desse tipo de confronto e partiu para vitórias consagradoras, embora sempre difíceis e nervosas. Hoje não será diferente.
Diante de milhares de torcedores, o Remo precisa estabelecer a conexão com as arquibancadas, aproveitando o entusiasmo para se multiplicar em campo e impor seu jogo com ações rápidas e definições certeiras.
As falhas de finalização, aliás, têm prejudicado o Remo na disputa da Série A. Na Copa do Brasil, nos duelos com o Bahia, a ofensividade do time garantiu a definição da vaga. Os bloqueios no meio-de-campo geraram ações fulminantes na frente, bem aproveitadas pelos atacantes e alas.
Diante do Santos na Vila Belmiro, o ataque não funcionou. O Remo não construiu jogadas agudas na área adversária. Quando ensaiou uma boa jogada, Alef Manga estava impedido. O único momento de perigo foi o chute de Jajá de fora da área, que Brazão salvou desviando na trave.
Ao longo da partida, o Remo se empenhou em marcar e fez isso muito bem, principalmente através de Zé Welison e Leonel Picco, mas o passo seguinte não foi implementado. No sistema adotado por Léo Condé, a marcação é o ponto de partida para as ações ofensivas. E isso não ocorreu, mesmo quando o Remo teve espaço e posse para atacar.
Pode-se entender que o planejamento era apenas evitar que o Santos chegasse ao gol, mas ficou a sensação de que era possível aproveitar as fragilidades defensivas do Peixe, cuja dupla central – Lucas Veríssimo e João Ananias – andou batendo cabeça em diversos lances.
Lucas Veríssimo, lesionado, está fora do jogo de hoje. Com isso, o Santos terá ainda mais dificuldades defensivas, mas tudo vai depender da qualidade dos ataques que o Remo construir. Jajá é a principal peça ofensiva, com dribles que rompem as linhas de marcação.
O ponta vira peça ainda mais decisiva quando arrisca chutes de média distância. Abriu o placar contra o Vitória com um disparo surpreendente. É um fator de desequilíbrio para um time que desaprendeu de jogar com atacantes de área. Taliari, que tem entrado no 2º tempo, não demonstra ainda a rapidez e a constância que mostrou nos primeiros jogos.
Como mandam as lições clássicas do jogo, atacar pelas pontas é o melhor caminho para chegar ao gol. O Remo tem que seguir o manual.
(Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Com Neymar, Santos fica mais previsível
Depois das dúvidas sobre sua participação no jogo, Neymar teve a presença finalmente confirmada. Vem de jatinho para chegar a tempo de entrar em campo, na condição de jogador mais caro e importante do Santos.
É natural que o clube tenha se empenhado em ter o camisa 10 diante do Remo. É o jogo mais importante do Santos na temporada, levando em conta a premiação (R$ 4 milhões) e a chance de avançar na Copa do Brasil.
Neymar teve participação discreta na primeira partida. Fez dois bons lançamentos, errou todas as tentativas de drible e não finalizou a gol. É um jogador com óbvias limitações físicas e reduzida capacidade de decidir pela técnica.
Ainda assim, é um jogador que pode ter um lampejo de talento e colocar um companheiro na cara do gol. Merece atenção e não pode ser deixado livre para criar. Zé Welison certamente terá essa missão.
Por outro lado, com Neymar no time, o Santos perde força coletiva e fica previsível em excesso. Todas as bolas são trabalhadas para chegar aos pés de Neymar. Em consequência, jogadores técnicos e rápidos como Gabriel Bontempo e Barreal têm sua movimentação prejudicada.
Papão projeta mexidas para encarar o Confiança
Com a provável estreia de Radsley, o PSC pode ter mudanças importantes para o jogo contra o Confiança, na próxima segunda-feira, 10. A queda de qualidade nas ações de meio-campo responde por boa parte dos problemas enfrentados pelo time nas últimas rodadas da Série C.
Marcinho, peça de grande destaque na temporada bicolor, não tem sido o mesmo construtor de antes. O cansaço e as limitações do setor ajudam a explicar a redução das participações do meia em lances de gol.
Sem a sua contribuição, o PSC perdeu capacidade de decisão. O ataque vem produzindo menos do que antes, falhando seguidamente no aproveitamento de chances e ajudando a complicar jogos relativamente fáceis.
Diante do Confiança, pior time da competição, com apenas 12 pontos, o Papão não pode ter hesitações. Terá que fazer um jogo seguro, priorizando o ataque, para resgatar a boa fase inicial no Brasileiro.
Na sexta colocação, o Papão tem ido bem como mandante. Venceu quatro jogos, empatou dois e perdeu dois. O aproveitamento é de 58%, mas o momento exige que o time de Júnior Rocha confirme esses números na prática.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 04)
Deixe uma resposta