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POR GERSON NOGUEIRA
Gênio da guitarra, o irlandês Rory Gallagher teve passagem fulgurante e gloriosa pela cena do rock. Admirado por gigantes como Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, destacou-se por um estilo peculiar de cantar e tocar, a exemplo do que havia feito magistralmente Jimi Hendrix anos antes.
A marcante contribuição dele para a história do blues-rock tem um belo exemplo com a performance incendiária para “A Million Miles Away” (A um milhão de milhas de distância), extraída da lendária Irish Tour ’74.
Emoção pura, transpiração no palco e um manejo explosivo e cru da guitarra. Tudo isso está registrado neste vídeo em momento culminante da carreira de Rory. A morte precoce, aos 47 anos, em 1995, interrompeu uma carreira brilhante, forjada na estrada e nos ambientes mais expressivos do rock britânico.
Mais que um herói da guitarra, Gallagher era uma força bruta em constante embate com as convenções da indústria fonográfica da época. Não se rendeu jamais. Para ele, fundamental mesmo era botar uma camisa xadrez (bem antes dos roqueiros do movimento grunge) e dedilhar sua velha e arranhada Fender Stratocaster 1961 Sunburst.
Curiosamente, o desgaste do instrumento tornou-se um ícone, uma espécie de assinatura reconhecível sempre, um atestado físico de seu estilo raiz. Existem registros, não confirmados, de que Hendrix teria apontado Rory como o melhor de todos os tempos. Hendrix viu shows dele em Londres e nos EUA.
Em 1974, foi convidado a tocar com os Rolling Stones, que tinham perdido outro gênio, Mick Taylor. Um convite mega honroso para qualquer guitarrista. Gallagher chegou a se apresentar com eles na Holanda, mas preferiu se manter independente, sem se juntar à banda de Jagger e Richards.
Como Pelé, que parou guerras na África, Gallagher conseguiu estabelecer zonas neutras nos conflitos que eclodiam na Irlanda do Norte nos anos 70. Por algumas horas, católicos e protestantes deixavam o ódio de lado para reverenciar e apreciar o gênio irlandês da guitarra.
Multi-instrumentista, Rory dominava saxofone, harmônica, bandolim e cítara, além do talento na guitarra. Gravava pessoalmente quase todos os instrumentos em seus discos. No palco, ele se transformava. Tocava de olhos fechados, sentindo visceralmente a música que escorria de seus dedos para a guitarra. Absolutamente único.
A letra da canção:
Este bar de hotel está cheio de gente,
O pianista está mandando ver,
O velho barman está totalmente “alto”,
Então, por que eu deveria estar de cara feia hoje à noite?
O lugar está fervilhando ao meu redor,
E meu humor não combina com o clima,
Neste momento, a melancolia do blues me cerca,
Mas logo mais eu vou sair dessa.
Sim, estou a um milhão de milhas de distância,
Estou a um milhão de milhas de distância,
Estou navegando como um pedaço de madeira à deriva,
Numa baía ventosa,
Numa baía ventosa.
Estou a um milhão de milhas de distância,
Estou a um milhão de milhas de distância,
Mas estou navegando como um pedaço de madeira à deriva,
Numa baía ventosa,
Numa baía ventosa.
Por que perguntar como me sinto?
Bem, como isso parece para você?
Caí direitinho na armadilha,
Perdi meu capitão e minha tripulação.
Estou parado no cais,
Não há ninguém lá além de mim,
É lá que você vai me encontrar,
Olhando para o mar azul profundo.
Há uma canção nos lábios de todos,
Há sorrisos por todo o recinto,
Há conversas transbordando,
Mas eu fico aqui com a minha melancolia.
Este bar de hotel já esvaziou,
O pianista pegou o último ônibus para casa,
O velho barman simplesmente desabou num canto,
Por que ainda estou aqui? Eu simplesmente não sei,
Eu não sei.
Estou a um milhão de milhas de distância,
A um milhão de milhas de distância,
Estou navegando como um pedaço de madeira à deriva numa baía ventosa,
Numa baía ventosa.
Estou a um milhão de milhas de distância,
A um milhão de milhas de distância,
Estou navegando como um pedaço de madeira à deriva numa baía ventosa,
Mande-me para longe…

(Com informações de Mojo, Kazagastão e revista Bizz)
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