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POR GERSON NOGUEIRA
Em recente texto publicado no Facebook, Gabriel Priolli, um dos grandes jornalistas brasileiros, fez uma breve resenha de “Foreign Tongues” (Línguas estrangeiras), álbum novo dos Rolling Stones, estranhando o fato de que “não se ouve um pio a respeito na minha estimada bolha, repleta de egressos da Era de Aquarius”.
Observa também que, “fosse nos remotos 80, para não dizer nos 60 e 70, o planeta não falaria de outra coisa, ao virar o disco do noticiário pentelho de sempre. Agora, contudo, e com nada, ruge esse silêncio constrangedor. O mais perto que se chega da ‘biggest band’ é fazer a piadinha tola sobre um suposto Jagger pé-frio em jogo de bola”.
Concordo plenamente. Priolli vai além, recomendando o novo trabalho da banda. “Devo então dizer, a quem ainda interessar possa, que o novo disco é puro suco de Stones. Bem batido, com frutas frescas, no velho liquidificador que mistura o melhor rock, blues e baladas que se pode querer”.
O disco traz simplesmente McCartney no baixo, uma cacetada em Elon Musk e não poupa os “autocratas que se multiplicam como ratos imundos”. Tudo criado e materializado por três fantásticos octogenários. O disco não faz feio na prateleira de obras-primas como Beggars Banquet e Let It Bleed, lançados quando Mick e Keith tinham pouco mais de 30 anos.
“Ouçai, irmãos! Vós sereis abençoados com aquela velha emoção, de tocarvos os castigados ouvidos the good old rock’roll”, conclama o texto de Gabriel Priolli.
A canção “In the Stars” (Nas estrelas), um rock na melhor tradição dos Stones, com barulho na medida certa e guitarras uivantes, traz um clipe produzido em inteligência artificial. Mostra versões rejuvenescidas dos integrantes da banda, brincando com o tempo de uma carreira que rompe as fronteiras geracionais.
A produção do disco é de Andrew Watt, que também trabalhou no disco anterior, Hackney Diamonds (2023). Além de Jagger e Richards, a formação atual tem o guitarrista Ronnie Wood, de 79 anos, e os músicos Darryl Jones, no baixo, e Steve Jordan, na bateria. Jordan assumiu as baquetas depois da morte do legendário Charlie Watts, em 2021.

Sobre a festejada canja de Paul McCartney no álbum, tocando baixo em duas faixas – “Bite My Head Off” e “Covered in You” -, Jagger conta que a parceria foi absolutamente casual: só rolou porque o ex-Beatle estava gravando em um estúdio próximo. “O Paul estava no estúdio ao lado e a gente disse: vem tocar baixo. Porque não tínhamos o Darryl.”
Ronnie Wood acrecenta: “Não havia intimidação nenhuma com o Paul. Ele só queria tocar com a banda; queria riscar esse item da lista. Ele estava tipo, ‘Finalmente, posso dizer que toquei com os Rolling Stones’.”
Macca ficou entusiasmado com a experiência de ser músico de estúdio por um dia. “Foi muito bom simplesmente chegar a um estúdio com meu baixo e dizer: ‘Certo, onde vocês querem que eu toque?’”, disse. “Você começa a tocar, eles te mostram a música e eu começo a pensar: ‘Estou tocando com os Stones!’”.
Além da presença de Paul, o disco tem outras participações ilustres: Robert Smith (The Cure), Steve Winwood e Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers). A obra tem ainda registros póstumos de Charlie Watts.
(Com informações de Rolling Stone e Guitar Play)
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