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Por Lucas Paulino, no X
A seleção brasileira de futebol é parte constitutiva da nossa identidade cultural enquanto povo. É uma pequena ilha de excelência do Brasil em âmbito global: uma das áreas nas quais nos destacamos mundialmente.
É também um dos poucos espaços nos quais ocorrem a materialização da utopia da democracia racial: onde negros (Pelé, Didi, Romário), indígenas (Garrincha), mestiços (Ronaldo e Rivaldo) e brancos (Tostão, Dunga e Zagallo) cooperam em pé de igualdade para a construção da nossa imagem nação, e que serve de exemplo inspiracional para o país.
Ao contrário do Brasil real onde a desigualdade racial é estruturante das nossas relações sociais; na qual pretos, pardos e indígenas são estigmatizados e não usufruem das mesmas condições e oportunidades.
Sim, vivemos uma fase de decadência no futebol, distante das nossas fases de ouro. O 7 a 1 de certa forma arranhou nosso orgulho nacional. Mas nada disso apaga nossa história vencedora.
É muito triste testemunhar como tem uma nova geração chafurdando no complexo de vira-lata que Nelson Rodrigues já denunciava na década de 50: esse sentimento de inferioridade em que o brasileiro se coloca, de forma voluntária, diante do resto do mundo.
Em um negacionismo/revisionismo histórico bizarros, desmerecendo as conquistas prévias daqueles que nos levaram a ser pentacampeões.
Não, não precisamos de um pachequismo ufanista acrítico sobre a situação da seleção no presente. O diagnóstico do porque estamos ficando para trás é imperativo.
Mas essa postura de querer minimizar as glórias brasileiras do passado é um viralatismo patético.
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