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POR GERSON NOGUEIRA

Conquistas futebolísticas devem ser aplaudidas e reconhecidas. É assim que o mundo costuma tratar os vencedores incontestáveis. Não é o caso desta Copa do Mundo, onde é forte a contestação à Argentina, que obteve vitórias quase sempre dramáticas até se classificar para a final. Pode levantar o título, mas não será um feito plenamente respeitado. A forma como tem realizado seus objetivos divide opiniões e sentimentos.
A realidade de campo manda que sejam aplaudidos os triunfos da Argentina. A verdade esportiva, porém, foi flagrantemente agredida ao longo da vitoriosa campanha. A não expulsão de Messi diante da Argélia, na primeira partida. O gol mal anulado e o pênalti não marcado para o Egito. A expulsão de Embolo no jogo com a Suíça.
Os exemplos de favorecimento citados são apenas os mais óbvios, mas existem sutilezas que podem influir no resultado e fazer a diferença em jogos decisivos. São pequenas ilegalidades, como travar o jogo a cada dois minutos ou utilizar a violência como tática de intimidação.
Contra a Inglaterra, logo aos 3 minutos, Enzo Fernández chutou por baixo e acertou um soco na nuca de Anderson. A condescendência do árbitro se estendeu a outras entradas ríspidas, principalmente de Paredes, o mais violento e desleal jogador da Copa.
A exemplo de James Bond, a Argentina tem licença para matar, pode bater à vontade. É um método criado para desestabilizar psicologicamente os adversários. Não é mistério que o jogo sujo é largamente praticado em torneios sul-americanos, espécie de laboratório de tais práticas.
Ocorre que na Copa, onde deveria haver mais rigor, a complacência da Fifa encoraja e blinda a seleção de Lionel Messi. Pelas limitações técnicas e físicas, o time explora todo o repertório de malvadezas, sob o olhar desatento do VAR. É um vale-tudo institucionalizado.
O jornal britânico The Telegraph publicou um artigo intitulado “As 31 artimanhas sujas que a Argentina usou contra a Inglaterra”, criticando o jogo sujo da seleção sul-americana na semifinal da Copa.
A Albiceleste é acusada de abusar das pancadas, provocações, cera deliberada e pressão sobre o árbitro. O jornal chama ainda os argentinos de “mestres das artes obscuras”. Não se pode dizer que esteja errado.
Aliás, o diálogo entre Bellingham e Messi no final da partida expressa bem a opinião que se forma sobre a Argentina. Ao ser entrevistado, o craque inglês contou que disse a Messi “que o mundo sabe como as autoridades o ajudaram a chegar até aqui e que ele não deveria se achar especial”.
Como se sabe, a impressão generalizada é de que as trapaças da Argentina são toleradas para beneficiar Messi, jogador que a Fifa parece determinada a ungir definitivamente (desde 2022) como o novo Rei do futebol.
É importante enfatizar que todos admiramos o talento extraclasse de Lionel Messi, um jogador muito acima da média, mas, quando alguém louvar a bravura e o heroísmo dos argentinos, lembre-se também da maneira como suas vitórias são construídas.
Remo treina e ensaia variações táticas
Depois da paralisação no período da Copa, o Remo voltou aos treinos e uma novidade tem sido observada. Sem muito alarde, o técnico Léo Condé vem preparando o time com uma série de variações de jogo, utilizando as alternativas que tem no elenco.
Em situação normal, no jogo contra o Corinthians, na próxima semana, o Remo deverá repetir a mesma formação usada nos jogos da fase vitoriosa de maio, no sistema 4-4-3, com ênfase nas transições e na força de marcação no meio-de-campo, características marcantes do time.
Com a chegada dos zagueiros Zé Ivaldo e Matheus Felipe, Condé passa a ensaiar possibilidades na última linha. Uma das opções é o deslocamento de Tchamba para a lateral esquerda para a entrada de Zé Ivaldo no meio.
Além disso, o técnico pode experimentar um esquema mais cauteloso, utilizando o 4-4-2, com Vítor Bueno na armação e dois atacantes na frente – Alef Manga e Jajá. A entrada de Taliari, já recuperado, é outra possibilidade experimentadas nos treinos.
No sábado, em amistoso com o Ituano, sem transmissão ao vivo, novas situações podem ser analisadas pelo treinador para aproveitamento no duelo com o Corinthians, pela 19ª rodada da Série A.
Lições da maior Copa de todos os tempos
No antigo Twitter, atual X, li recentemente uma relação interessante de “lições” deixadas pela Copa do Mundo:
1) O futebol voltou a ser decidido pelo meio-de-campo. As melhores equipes da Copa têm uma meiúca brilhante e aplicada.
2) O treinador responde pela base do futebol moderno: estudo tático, parte mental da equipe, estratégia e ousadia.
3) O futebol exige e requer compromisso e foco. Copa do Mundo é para quem quer ganhar para seu país.
4) O Brasil não tem mais jornalismo esportivo. Fazem outra coisa. Cobertura insuportável e medíocre.
5) O melhor futebol está hoje na Europa e África.
Concordo com quase todas. A exceção é a de nº 4. Assim como o rock, o jornalismo esportivo não morreu, está em transformação.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 17)
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