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POR GERSON NOGUEIRA

O tema é delicado, envolve crenças e tradições, mas é fato que a forma distorcida de religião que os jogadores brasileiros professam – ou fingem praticar – tem causado sérios danos em campo. Até nas justificativas para vexames o primeiro gesto é atribuir tudo à vontade de Deus, como se perder ou ganhar dependesse de um decreto do Altíssimo.

A sequência de maus resultados do Brasil em Copas reabriu o debate sobre o fenômeno da troca do pensamento lógico pelo fundamentalismo – de qualquer religião, ideologia ou seita. No país das liberdades de culto, o futebol não fica imune a essas manifestações. O problema está no conformismo que passou a marcar o comportamento de atletas cuja função precípua é competir.  

Questão básica: futebol deveria ser jogado em campo, sem ativismo religioso. Toda fé deve ser respeitada, mas em ambiente propício. Misturar as coisas é um erro a ser combatido e extirpado.  

No domingo passado, depois da derrota para a Noruega, jogadores da Seleção se apressaram em proclamar compungidos a fé inabalável em um Deus sempre punitivo – sem explicar os vacilos.

É cômodo. O atacante Endrick proferiu uma comovente louvação, mas não explicou a perda da chance preciosa que poderia ter mudado o destino do jogo. Pior: digressões de cunho religioso cativam bolsões de extremistas que seguem qualquer um que traga na testa o carimbo de “famoso”.

A correlação entre charlatanismo militante e mau desempenho em campo não deve ser menosprezada. Desde os Atletas de Cristo, nos anos 80, a retórica evangelizadora tem seu sinal mais evidente nas entrevistas pós-jogo e na elevação de mãos aos céus em contrição antes de a bola rolar.

Alguns dos envolvidos deveriam entender que expor crença em evento esportivo não é liberdade religiosa. É falta de educação. Não por acaso, jornais europeus analisam o fenômeno, a sério, avaliando que o declínio do Brasil em Copas começou com a onda do “xô, satanás!”.

O ativismo autoindulgente conduz ao conformismo e atrasa diagnósticos realistas sobre qualidade técnica e comprometimento. Os erros passam a ser aceitos como fatalidades e o fervor teocêntrico se agarra à ideia dos milagres. Por essência, é uma crença calcada na ética das individualidades, que terceiriza responsabilidades. O coletivo, nesse caso, é mero detalhe.

Óbvio que não é o único de nossos problemas, mas a crença cega e fanática no divino contribui muito para atrasar as coisas e apagar qualquer rastro de autocrítica. Precisamos de menos catequese e mais futebol.

É necessário assumir os erros com honestidade e humildade para que a correção (ainda) seja possível.

Oremos.  

Vitória é único remédio para estancar a crise

O Papão entra em campo neste domingo (12), às 16h, contra o Guarani de Campinas disposto a quebrar a sequência negativa e se reabilitar perante a torcida. Uma vitória recoloca tudo nos eixos, estanca a queda e põe o time novamente na disputa pela liderança.

Em 5º lugar na classificação, com 20 pontos, voltar a pontuar é questão de sobrevivência para o PSC dentro do G8 da competição. Qualquer tropeço pode significar até a saída da zona de acesso.

Os demais times que se colocam atrás do Papão estão empatados ou têm apenas um ponto de diferença em relação ao time paraense. O Caxias, 6º colocado, tem 20 pontos; o Botafogo (PB), 7º, tem 19; o Maringá, 8º, também está com 19 pontos. Qualquer descuido será fatal.

Com o time completo e o apoio da Fiel, o time de Júnior Rocha quer reeditar contra o vice-líder Guarani os melhores momentos já vividos nesta Série C, quando o PSC chegou a liderar a competição por três rodadas.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a Série C do Brasileiro e os preparativos do Remo para a volta da Série A. A edição é de Lourdes Cezar.

Goleiro derruba Bélgica e Espanha está na semi

A seleção espanhola derrotou a Bélgica por 2 a 1, nesta sexta-feira, no SoFi Stadium, em Los Angeles (EUA), e avançou para as semifinais da Copa do Mundo, onde enfrentará a poderosa França. O primeiro gol foi de Fabián Ruiz, mas De Ketelaere empatou e deixou o jogo tenso e equilibrado.

O confronto não teve o mesmo nível de França x Marrocos, mas provou que um goleiro “frio” pode derrubar um time. O titular Courtois se lesionou e foi substituído por Lammens, que soltou a bola nos pés de Mikel Merino. A falha gerou o gol que garantiu o triunfo espanhol.

A Espanha luta para conquistar o 2º título mundial depois de 16 anos. A primeira conquista ocorreu na Copa da África do Sul, em 2010.

Jesus crava último prego no debate sobre Neymar

Ao dizer que Neymar está “finished”, o técnico Jorge Jesus atingiu não apenas o atacante e sua seita de fãs extremados. Ele alveja uma das decisões mais polêmicas de Carlo Ancelotti durante a Copa, convocando teimosamente o camisa 10 como reforço para a Seleção.

Para quem entendeu direito a fala de Jorge Jesus – ao assumir o comando da seleção portuguesa -, fica claro que foi cravado o último prego na quase interminável discussão sobre o papel de Neymar na Copa. Os entendedores entenderão. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 11/12)

One response to “Entre o gramado e o púlpito”

  1. Texto primoroso
    O sábado merece

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