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POR GERSON NOGUEIRA

A lesão que tirou Paquetá do jogo com o Japão e que pode afastá-lo da Copa foi a sexta de titulares da Seleção Brasileira antes e durante a Copa. Nenhum outro país teve tantas baixas. A lista tem Rodrygo (lesionado em março/26), Éder Militão (abril/26), Estevão (abril/26), Wesley (maio), Raphinha (2ª rodada da Copa) e Paquetá (16 avos de final).

As ausências aumentaram ainda mais as dificuldades que Carlo Ancelotti já teria para encontrar o time ideal. Nem bem achava um caminho era obrigado a buscar alternativas. Por isso, certas críticas ao comandante carecem de mais equilíbrio e informação.

Tenho ouvido e lido analistas que atacam a falta de um jogo coletivo mais consistente por parte do Brasil. Pudera, o técnico teve pouco tempo até para treinos no período das Eliminatórias. Tem aproveitado a Copa para ajustar o time, driblando os percalços causados pela perda de atletas importantes.

Para o confronto de domingo (17h), contra a Noruega, o Brasil terá que utilizar um meio-campo diferente. Casemiro, Bruno Guimarães e provavelmente Martinelli devem formar a linha média, com maior liberdade para o meia-atacante do Arsenal.

Danilo Santos e Ederson também podem ser aproveitados de cara ou no decorrer do confronto. Em favor de Danilo, o fato de ser o volante com vocação mais ofensiva e com capacidade de finalização. Ederson, que joga no futebol italiano, é um volante que avança e marca.

Pelo que exibiu na vitória difícil sobre Costa do Marfim, ontem, a Noruega vai basear seu jogo na imposição física de seus meio-campistas e atacantes, com destaque óbvio para Haaland, que aproveitou um cochilo da zaga africana para fazer o gol decisivo. O jovem meia Nusa, autor do primeiro gol, é outra peça importante no tabuleiro ofensivo norueguês.

Será um adversário mais difícil que o Japão, principalmente pela eficiência do jogo aéreo. Por outro lado, cede espaços e tem recomposição defensiva lenta. Deverá se armar em esquema de espera, o que abre chances para o Brasil.  

A Copa dos filhos da diáspora africana

As chances de título são modestas, mas a Copa do Mundo de 48 seleções é hoje a Copa dos africanos. Dos 10 representantes, nove passaram à fase eliminatória. Uma vantagem clara sobre os europeus eliminados. Não era o que se desenhava para a competição.

Antes do torneio, o que mais se ouvia era a frase: “A África não vai longe na Copa do Mundo”. Pois isso virou coisa do passado. Esse tipo de previsão não pode mais ser repetida em voz alta.

Em meio a decepções gigantescas, como Alemanha e Holanda, alguns times da África têm mostrado qualidade e organização, além da habitual entrega física. Marrocos, Senegal e Gana são os expoentes, mas os demais fizeram bom papel até agora.

Outro ponto a destacar: a maioria dos grandes nomes da Copa são negros, muitos deles filhos ou netos da diáspora africana, contribuindo para fortalecer favoritos destacados, como França, Espanha e Inglaterra.

O conceito de diáspora africana não se limita apenas à imigração forçada do passado. Engloba o movimento migratório voluntário do século XX até hoje e a luta contínua por igualdade, resistência e representatividade.

Os garotos nascidos de famílias africanas obrigadas a migrar para países europeus hoje são estrelas mundiais. Alguns estão definitivamente na galeria dos gigantes, como Zidane, Eusébio, Seedorf, Gullit e Mbappé.  

A África pode até não levantar a taça, mas domina cada vez mais a cena. Levantar um título é mera questão de tempo.

Carta-desabafo marca heroica passagem iraniana

A seleção do Irã deixou uma carta no vestiário, em Seattle, logo depois do dramático jogo contra o Egito, que selou sua eliminação – mesmo invicto:

“Nós viemos do Irã. Viemos de uma terra que, há milhares de anos, coloca a honra acima da vitória. Para nós, o futebol não é apenas uma competição por resultados. É um teste de caráter. Talvez seja possível conquistar pontos de muitas maneiras, mas o respeito não. Talvez uma equipe possa avançar de fase, mas somente por meio da justiça e da honra alguém pode permanecer de cabeça erguida diante da história.

O fair play não é apenas uma linha nas regras do futebol; é a alma do jogo. Obrigado, Seattle, pela hospitalidade. E obrigado a todos os iranianos que deram seus corações, suas vozes e todo o seu ser pelo Irã. Irã, sempre de cabeça erguida!”.

No México, onde ficou sediada, os iranianos foram tratados como representantes de um país amigo. Na despedida, agradeceram ao povo mexicano pela acolhida e reforçaram os laços de amizade entre os países.

Encontro máximo do esporte, a Copa do Mundo jamais deveria ser utilizada como instrumento de vingança, xenofobia ou perseguição política.

Sobre a melhor Copa de nossas vidas

Alguém escreveu e eu assino embaixo: a melhor Copa do Mundo das nossas vidas é aquela que acontece mais perto de quando tínhamos onze anos. É quando as memórias afetivas começam a solidificar.

Em tempo: a minha Copa das Copas é a de 70, quando tinha 12 anos. Morava em Baião, onde não havia transmissão de TV. O rádio, sempre ele, proporcionou as boas novas do Tri em tempo real. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 01)

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