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POR GERSON NOGUEIRA

A campanha mais comovente desta Copa é a de Cabo Verde. Seguramente não vai chegar muito longe, embora com chances de passar à próxima fase, o time do carismático goleiro Vozinha é um legítimo representante do pelotão das zebras, aqueles países que normalmente comparecem à Copa apenas a passeio. (Não que isso seja exatamente ruim, pois muitas vezes o viajar pode ser mais prazeroso que a viagem.)

Cabo Verde vem subvertendo esse destino inglório desde que segurou brilhantemente o badalado ataque da Espanha na partida de estreia. Vozinha começou a se destacar com defesas milagrosas, impedindo que a Fúria alcançasse a vitória. Mais impressionante ainda foi o fato de Cabo Verde ter cometido apenas uma falta no jogo.

Ontem à noite, contra o Uruguai, todo mundo esperava para ver os heróis cabo-verdianos, mas receando que o encanto fosse quebrado. Receio infundado. Vozinha e seus companheiros foram valentes e competitivos. Abriram o placar com um disparo em cobrança de falta, sofreram o empate e a virada, mas chegaram ao 2 a 2 de forma heroica.

O futebol é um terreno fértil para a consolidação de hierarquias e graduações. As prateleiras são bem delimitadas, quase ninguém da parte de baixo consegue avançar sobre os fortões de cima, principalmente numa competição de elite, como a Copa do Mundo.

Desta vez, pelo aumento do número de participantes, cresceu também a quantidade de coadjuvantes. Alguns insubmissos se recusam a ficar no papel de meros figurantes. Cabo Verde é o exemplo maior, mas outros países mostram-se determinados a marcar presença no evento maior.

O Irã, castigado por medidas restritivas que o impedem de permanecer em solo americano após cada jogo, vem fazendo uma campanha das mais dignas. Encarou a sempre cultuada Bélgica e não deu refresco. Teve um gol anulado e esteve sempre mais perto de vencer.

Costa do Marfim é outro país que tem legítimos planos de grandeza. Jogou muito diante da Alemanha e foi castigado com uma virada nos minutos finais. Senegal passou por isso contra a favorita França, mas deixou uma imagem de luta e bravura, além de mostrar alguns jogadores muito qualificados. O Egito, de Salah, integra esse grupo de times pouco cotados que pode fazer história no Mundial.

Há também times cujo brilho vai além do que o jogo mostra. Curaçao, goleado impiedosamente pela Alemanha, comemorou o gol marcado contra os tetracampeões como se não houvesse amanhã. No sábado, a seleção estreante viveu nova comoção no empate com o forte time do Equador. No futebol, como na vida, a glória nem sempre é medida pela mesma régua.

Estrela do artilheiro salva o Papão

O PSC conseguiu quebrar a sequência ruim na Série C, conquistando uma vitória importante sobre o Maranhão nos minutos finais da partida, disputada no sábado à noite, em São Luís. O time havia perdido os dois jogos anteriores e perdido posições na classificação. Com o resultado, soma agora 20 pontos e está na terceira posição.

No início da partida, o Paysandu até buscou o ataque, mas não conseguiu criar situações de perigo. Mais recuado, o MAC ameaçou com um disparo de Vagalume, de fora da área, para boa intervenção de Gabriel Mesquita.

A melhor chegada do Papão ao ataque foi com o zagueiro Bruno Bispo, que chutou em direção ao gol, mas a bola acabou desviando em Kleiton Pego antes de entrar. Em outra investida, Thayllon fez uma investida perigosa na área do MAC, mas o goleiro Vitão conseguiu defender.

A partida ficou mais movimentada no 2º tempo. Os times partiram para tentar resolver o jogo, cada um à sua maneira. O PSC buscando contra-ataques. O MAC passou a pressionar, principalmente com Vagalume e Luís Gustavo. Após uma troca de passes, o meia desperdiçou uma boa oportunidade diante do gol alviceleste.

No lado bicolor, o meia Marcinho era o mais lúcido, buscando abrir caminho para o gol, mas não acertava o pé. O time tinha dificuldades de aproximação e concedeu espaços ao adversário. A partir da metade da segunda etapa, o jogo ficou mais lento e desinteressante. Foi então que o técnico Júnior Rocha resolveu mexer no time do Papão.

Fez bem. Foram os jogadores que saíram do banco que contribuíram para tirar o zero do placar. Quase no fim do jogo, Tiago Índio chutou forte e o goleiro Vitão espalmou. Atento, o artilheiro Ítalo aproveitou o rebote para marcar o gol da vitória.

Nos minutos finais, já na base do desespero, o MAC saiu para tentar o empate, mas esbarrou em erros de seus atacantes. Vagalume perdeu a última chance, chutando em cima da marcação bicolor.

Um resultado expressivo, que faz o Papão voltar a respirar no Brasileiro a oito rodadas do fim da primeira fase. A competição se afunilou tanto que a diferença entre o 1º colocado (Guarani), com 21 pontos, está a apenas cinco pontos do 8º (Caxias), que tem 16 pontos. Cenário de fortes emoções.

Efeitos imediatos da regra dos quatro tempos

“Jogar quatro períodos em vez de dois altera a compreensão culturalmente construída do futebol. Não acrescenta nada e tira muito. Quando foi dividido em quatro períodos, não se pensou no efeito que isso poderia ter sobre o que torna o futebol um esporte tão cativante, mas sim em outros tipos de repercussões que não discuto nem analiso. Antes dessa decisão, o futebol tinha uma característica; agora tem outra. As pessoas se apaixonam pelo jogo por causa de suas características”.

Marcelo Bielsa, um técnico que pensa. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 22)

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