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POR GERSON NOGUEIRA

O placar foi tranquilizador e até animou a torcida, mas a atuação do Brasil ainda ficou abaixo do nível que se espera de um candidato ao título. É inegável que houve evolução em relação à estreia diante de Marrocos, mas alguns erros primários demonstram que ainda há um caminho a percorrer na busca do acerto ideal.
Os gols do 1º tempo deram até a impressão de que a Seleção iria atropelar, mas, depois dos gols de Matheus Cunha e Vinicius Jr. em jogadas de velocidade e contra-ataque, o time diminuiu o ritmo. Curiosamente, a queda de rendimento veio com a troca de Raphinha (lesionado) por Rayan.
Inseguro, Rayan ficou recuando bolas e não levou vantagem nas investidas pelo lado direito. Raphinha, que teve um gol anulado por impedimento, imprimia agressividade pelo lado direito, embora tenha novamente desperdiçado duas oportunidades.
O destaque do período inicial foi Matheus Cunha, formando uma dupla interessante com Vinicius, criando muitas dificuldades para a zaga haitiana. Cunha atuou como um ponta de lança e foi certeiro nos arremates.
Na etapa final, o nível do time desabou. Ancelotti tirou Paquetá e Matheus Cunha, lançando Martinelli e Endrick, cuja presença era muito solicitada pela torcida. As mudanças travaram a equipe. O time voltou ao sistema 4-3-3, mas Martinelli não reproduziu a movimentação de Paquetá.
Endrick só exibiu a conhecida agressividade aos 32 minutos, finalizando para as redes, mas o gol foi anulado por impedimento. O passe foi de Martinelli, que minutos antes havia acertado o travessão do Haiti.
Nas últimas alterações de Ancelotti, Danilo Santos e Ederson substituíram Vini Jr. e Bruno Guimarães, desfigurando ainda mais o conjunto, desfazendo a organização que a Seleção mostrou nos primeiros 30 minutos. Sem Vini em campo, as jogadas em velocidade desapareceram do cardápio.
Com 3 a 0 no placar, a Seleção se acomodou nos 10 minutos finais, abandonando a busca pelo gol e sofrendo um princípio de sufoco do Haiti. Por alguns instantes, o perigo rondou o gol de Alisson, com os zagueiros se atrapalhando com os cruzamentos na área.
A torcida vibrou com a vitória, alguns jogadores se recuperaram – Casemiro, Paquetá e Raphinha –, mas ficou claro que o Brasil precisa melhorar muito para se incluir no pelotão de elite do Mundial, ao lado de França, Inglaterra e Argentina. O início da partida deixou a esperança de que esse estágio ainda pode ser alcançado.
Bola na Torre
O programa vai ao ar às 22h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a rodada da Série C e a retomada de treinos no Remo. A edição é de Lourdes Cezar.
Erros de arbitragem forçam Fifa a pedir desculpas
Em medida sem precedentes na era moderna, a Fifa pediu desculpas pelo erro grosseiro da arbitragem no jogo Argentina x Argélia. Lionel Messi pisou na panturrilha de um adversário e o árbitro polonês Marciniak ignorou a gravidade da falta, e não deu o cartão vermelho ao camisa 10. A própria escalação de Szymon Marciniak foi um escárnio, responsável pela desastrosa arbitragem na final da Copa de 2022 entre Argentina e França.
Em curto comunicado, a Fifa admitiu que “o árbitro e a equipe do VAR não revisaram adequadamente o lance, apesar do contato claro ser visível de vários ângulos. Admitimos que a entrada deveria ter sido revisada e que um erro grave foi cometido ao permitir que o jogo continuasse sem punição”.
Ontem, no jogo entre EUA e Austrália, dois pênaltis foram ignorados pelo árbitro e vários lances ríspidos têm sido tolerados em outras partidas da primeira fase da Copa, aumentando a carga de críticas à Fifa e à comissão oficial de arbitragem.
Papão quer reeditar boa fase como visitante
As vitórias sobre Volta Redonda e Itabaiana marcaram a participação do PSC na Série C. Os dois resultados foram obtidos fora de casa, em condições adversas, mas a qualidade do time campeão paraense prevaleceu e garantiu a obtenção de resultados preciosos.
Em competição marcada pelo equilíbrio, de um turno só (mais a fase de quadrangulares), vencer fora de casa pode ser decisivo para garantir a classificação. O PSC está em 4º lugar, com 17 pontos. Precisa conquistar mais 13 pontos nas próximas nove partidas que tem a disputar.
O jogo com o Maranhão, na noite deste sábado (20), em São Luís, pode garantir a retomada da liderança, em caso de vitória e da combinação de outros resultados. Permanecer na zona de classificação é a principal preocupação da comissão técnica, levando em conta o crescimento de outras equipes, que hoje estão coladas ao Papão na tabela.
Para superar o MAC, a equipe conta com o retorno de Pedro Henrique, recompondo parcialmente o setor de meio-campo. Para o lugar de Caio Mello, a opção imediata é Lucas Cardoso, mas o volante Henrico pode ser lançado para exercer a função de primeiro volante. Nesse caso, Pedro Henrique atuaria como segundo volante, mais próximo a Marcinho.
No ataque, a dúvida está entre Ítalo e Juninho. Nos últimos jogos, o técnico Júnior Rocha tem feito um revezamento entre os dois atacantes, mantendo Kleiton Pego na esquerda e Thaylon na direita.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 21/22)
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