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POR GERSON NOGUEIRA

A primeira rodada da Copa do Mundo mostrou a força de quatro seleções do chamado G7 do futebol. França, Inglaterra, Alemanha e Argentina estrearam com goleadas categóricas e indiscutíveis. Os outros membros do seleto clube – Brasil, Espanha e Portugal – decepcionaram.
O Brasil tem hoje, diante do modesto Haiti, a oportunidade de se redimir perante o mundo do futebol e, principalmente, com a torcida nacional. Precisa ganhar e convencer. E esta pode ser também a última chance de arrumar o time, pois a partida final da 1ª fase (contra a Escócia) pode ser disputada em ritmo de desespero.
Diante de Marrocos, a Seleção deixou uma imagem horrorosa, de despreparo e desarrumação. Foi muito mal no 1º tempo, salvando-se apenas por força do golaço de Vinícius Jr. Coletivamente, não mostrou resistência em relação à movimentação e intensa troca de passes dos marroquinos.
Com uma postura mais ajustada na segunda etapa, o time até esboçou uma reação, mas ficou apenas na intenção, sem abalar Marrocos. Perdeu algumas chances, mas sofreu com os erros nas substituições.
Se já havia escolhido mal alguns titulares – Casemiro, Igor Thiago e Paquetá, principalmente –, o técnico Carlo Ancelotti piorou as coisas lançando Luiz Henrique preso à marcação, insistindo com Raphinha e demorando a colocar Danilo Santos em campo. Não podia dar certo.
Para o confronto desta noite (21h30), na Filadélfia, o técnico esboça fazer algumas mudanças, mas o mistério na escalação permaneceu durante os treinos realizados ontem. É óbvio que sofre a pressão pela escalação de Endrick e substituições de Casemiro e Paquetá.
Talvez a torcida acabe se decepcionando, pois Ancelotti fica sempre aborrecido quando alguém insiste em perguntar por Endrick. Repete, aos resmungos, que o jogador será escalado “no momento certo”. Sabe-se lá quando será o tal momento ou se a Seleção terá jogos suficientes para isso.
O fato óbvio é que o time não mostrou um mínimo de organização. Levou um banho de Marrocos no aspecto coletivo e tático. Ancelotti precisa reagir a isso. Não apenas por ser o comandante da Seleção, mas porque tem um nome a zelar, como técnico super vitorioso em clubes.
Na melhor entrevista da Seleção na Copa, o zagueiro Danilo admitiu desequilíbrio emocional e confessou que a pressão imposta por Marrocos assustou o time. É justamente o que não pode ocorrer novamente hoje, mesmo levando em conta as limitações do adversário.
A comparação com a intensidade mostrada por França, Inglaterra, Alemanha e Argentina é inteiramente desfavorável à Seleção. Os dois próximos jogos podem servir para que o time se reabilite e encontre um caminho competitivo a partir de agora. Com ou sem Endrick, a Seleção tem respostas a dar em sua segunda apresentação na Copa.

Endrick ganha espaço, mas não é salvador da pátria
Um outro ponto importante defendido por Danilo diz respeito a Endrick, cotado para entrar no ataque da Seleção, principalmente diante da atuação apagada do centroavante Igor Thiago. Segundo o zagueiro, um dos líderes da Seleção, o jovem atacante é muito bem aceito dentro do grupo e não há qualquer tipo de “panela” contra sua escalação.
Informações tranquilizadoras porque começava a surgir a suspeita de que Casemiro e alguns veteranos seriam contra a presença de Endrick no time titular. Como o futebol permite esse tipo de movimentação interna, principalmente na Seleção, as especulações ganham corpo.
Endrick participou por alguns minutos do último treino. Não é um craque, muito menos a salvação que muitos esperam que seja, mas oferece a Ancelotti a chance de tornar o ataque menos previsível. Matheus Cunha, que funciona bem como meia, também pode ser aproveitado.
Em meio a isso, a Seleção perde um precioso tempo falando e ocupando um tempo precioso com Neymar e sua fantasiosa presença na Copa. Quase todo mundo sabe que o camisa 10 não foi convocado para jogar. O papel dele no elenco é produzir conteúdo e gerar assunto nas redes sociais. Nada que realmente interesse ao Brasil no aspecto competitivo.
O provável time deve jogar no 4-2-4: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães (Léo Pereira) e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho) e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Matheus Cunha (Endrick) e Vinicius Jr.
Lucas Cardoso deve ser a novidade no Papão
Para o importante jogo de sábado, em S. Luís (MA), contra o Maranhão, o PSC terá outra vez uma baixa importante no setor de meio-de-campo. Caio Mello, parceiro e principal escudeiro de Marcinho no setor, está descartado da partida por problemas físicos.
Nos dois últimos jogos, Caio Mello esteve fora, poupado no primeiro e lesionado no segundo, acarretando sérios problemas de organização ao time. Diante da Inter de Limeira, o Papão foi surpreendido pela objetividade do visitante, que aproveitou as chances e poderia ter feito mais gols.

Para o confronto com o Maranhão, quando o PSC (4º colocado) busca recuperar fôlego na competição, tentando se reaproximar da liderança, Marcinho deverá ter como companheiros de meia-cancha o volante Pedro Henrique e o meia Lucas Cardoso, que também tem sido utilizado como atacante.
O volante Henrico é uma outra alternativa, caso o técnico Júnior Rocha prefira um esquema mais conservador, fechando o setor de marcação. A preocupação é que Henrico tem sido frequentemente amarelado no início das partidas.
De qualquer maneira, o Papão terá que fazer um jogo agressivo em S. Luís, buscando a vitória para frear a sensação de queda de rendimento. Para o torcedor, o time vem oscilando muito na Série C. Para o técnico, a oscilação é normal, mas não pode se estender por muito tempo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)
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