POR GERSON NOGUEIRA

O confronto desta noite (21h), em Manaus, entre Nacional e PSC decidindo a Copa Norte, vale como uma espécie de tira-cisma sobre o futebol da região. Vai definir quem de fato é o protagonista maior. Afinal, esta é uma das finalidades dos torneios regionais.
Vencedor da primeira edição do torneio, em 2002, o Papão joga com a vantagem do empate, pois ganhou a partida de ida por 1 a 0, no Mangueirão, na semana passada. O torcedor saiu insatisfeito com o placar magro, mas a vantagem é expressiva.
Para conquistar o bicampeonato, o PSC precisa hoje jogar estrategicamente para impedir a vitória do Nacional. A partida, que estava marcada para a Arena da Amazônia, foi transferida para o acanhado estádio Carlos Zamith, com apenas 5 mil lugares.
A mudança de local ocorreu por conta da situação precária do gramado da Arena da Amazônia e acabou por favorecer o Papão, cuja torcida é muito participava na capital amazonense e já esgotou a quantidade de ingressos disponibilizada para o clube visitante.
O técnico Júnior Rocha tem à disposição todos os jogadores, sem nenhum problema de suspensão ou lesão. O mais provável é que o time titular que atuou na semana passada se repita hoje à noite, incluindo o centroavante Ítalo, principal artilheiro da equipe na temporada.
Kleiton Pego, que não jogou contra o Floresta-CE na Série C, cumprindo suspensão, também está confirmado no ataque. Ele é um dos destaques do PSC na Copa Norte, juntamente com os meio-campistas Marcinho, Caio Mello e Pedro Henrique, este pendurado com dois cartões amarelos.
Apesar do favoritismo e da vantagem de um gol, a missão alviceleste na final não é tão tranquila. O Nacional, atual campeão amazonense, tem um time renovado e costuma atuar bem dentro de casa. O histórico também merece atenção: nas seis finais da competição, somente em duas ocasiões o vencedor do primeiro jogo levantou o título na partida de volta.
Em 2002, o Paysandu ignorou a estatística e derrotou o São Raimundo-AM (tricampeão da Copa Norte) na ida, por 1 a 0, em Manaus, e voltou a triunfar na partida final, por 3 a 0, no estádio da Curuzu.
Leão sofre perda importante na reta final
A confirmação da perda do goleiro Marcelo Rangel para o confronto de domingo com o São Paulo, valendo pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, provocou abatimento e preocupação na torcida azulina. Rangel é um dos jogadores mais regulares do elenco, atuando sempre em alto nível, razão pela qual é hoje o único ídolo da equipe.
O esforço azulino nesta reta final de Série A é no sentido de atingir 18 pontos na classificação, aproximando-se da porta de saída do Z-4. Um dos jogadores mais confiáveis da atual equipe, Marcelo Rangel faz falta. Sua ausência compromete toda a segurança defensiva.
Responsável por defesas arrojadas e importantes que ajudaram o Remo na disputa, Rangel precisou superar inicialmente as desconfianças daquela turma que desaprova jogadores oriundos da campanha na Série B. Com afinco e seriedade, o experiente goleiro se impôs e hoje é nome inquestionável no time titular.
O histórico de recuperação rápida tranquiliza quanto ao retorno do goleiro após a paralisação da Copa do Mundo. Na Série B 2025, Rangel voltou ao time em 15 dias, contrariando a projeção inicial de dois meses de tratamento. Como se sabe, ele foi peça fundamental para a conquista do acesso.
Para o importante jogo contra o São Paulo, Ygor Vinhas pela primeira vez no campeonato deverá entrar no arco remista. Foi um reserva eficiente ao longo da temporada passada e no início desta, mas está há muito tempo sem participar de jogos de primeira linha. A conferir.
Começa a novela de suspense em torno de Neymar
Tudo o que o camisa 10 mais queria está se confirmando na prática. Convocado por força de um lobby poderoso, apesar de visivelmente sem condições de jogar de verdade, Neymar desejava as glórias do noticiário e da expectativa dos “pachecos”. Ontem, na apresentação oficial, mobilizou um aparato de superstar pop, com direito a helicóptero e batedores.
À noite, surgiam as “notícias preocupantes” sobre a lesão na panturrilha e as dúvidas quanto à ida ao Mundial. No fundo, ele nem precisa ir. A exploração midiática em torno de seu nome já é lucrativa o suficiente.
Seleção inverte tendência com média alta de idade
O Brasil subiu a média de idade com relação às últimas competições, ignorando a tendência mundial de renovação das equipes. Depois de um ensaio de transição geracional, a Seleção chega à Copa do Mundo de 2026 com 28,5 anos de média de idade, com 11 atletas acima da faixa dos 30 anos, bem acima do perfil de 2002, ano do pentacampeonato, quando o grupo tinha média de 26,2 anos.
Na prática, a Seleção mantém a sequência de valorização da experiência que já tinha ocorrido entre 2006 e 2022, com média de 27,9 e 28,5 anos. Em 2006, optou-se pela base vitoriosa, elevando a média para 28,4 anos.
Nos ciclos de 2010 a 2022, dificuldades técnicas impediram o rejuvenescimento do escrete, o que manteve a média sempre alta. Esse histórico sugere que, embora novos nomes aparecessem, a estrutura central permanecia entregue a atletas em estágios avançados da carreira.
O Mundial de 2026 consolida a volta ao teto de envelhecimento. Com 28,5 anos de média, o Brasil se aproxima da marca de 2010 e já é um dos elencos mais velhos do torneio.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 28)
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