POR GERSON NOGUEIRA

O Remo pratica um jogo baseado em transições rápidas, lançamentos longos e contra-ataques fulminantes. É o modelo de jogo implementado por Léo Condé desde que assumiu o comando com a missão de encontrar um caminho. Até sua chegada, não havia um time, apenas um bando de jogadores desentrosados.

Para que o Remo tivesse competitividade dentro de uma competição duríssima como a Série A, era necessário montar um time e organizar um sistema que funcionasse com as peças disponíveis. O elenco dispõe de jogadores de bom nível, mas com limitações técnicas.

Condé teve um mérito de identificar isso de cara. Partiu então para dar ao Remo um feitio guerreiro, de forte marcação e capacidade de vencer duelos físicos. No começo, não conseguiu alcançar plenamente esse objetivo, pois faltava condicionamento adequado. Muitos jogadores não estavam no mesmo nível de preparo. Era preciso equilibrar o grupo.

Isso vem sendo alcançado por etapas, mas já rende frutos. O trio de meio-campo, por exemplo, passou a funcionar quando Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo alcançaram a forma ideal, ou quase isso. Tudo porque a força do setor está baseada na imposição física, e é hoje a arma maior da equipe.

Graças à evolução no plano físico, a partir do final de março, a equipe passou a apresentar volume e rendimento, equilibrando confrontos e até superando adversários tecnicamente superiores – como o Bahia, por exemplo, derrotado três vezes de forma insofismável.

Em primeiro lugar, Condé conseguiu ajeitou o funcionamento da defesa, efetivando Marcelinho (oriundo da Série B), Marllon, Tchamba e Mayck. Com isso, cumpriu a meta inicial de estruturar o time a partir da zaga.

Depois, definiu o tripé de meia-cancha. Evoluiu de um modelo que incluía Vítor Bueno, mas a lesão sofrida pelo meia-armador forçou a opção por três volantes – dois essencialmente marcadores, Zé Welison e Patrick, e um mais adiantado, Zé Ricardo, fazendo às vezes de um armador informal.

Tem funcionado bem que passa a ser a essência do time. Rogério Ceni, na entrevista pós-jogo de quarta-feira, no Mangueirão, comentou sobre a força de marcação do meio-campo azulino. Um elogio disfarçado às ideias de Léo Condé. Muito da eficiência do Remo atual passa pelo bom funcionamento do setor, onde Patrick funciona como condutor principal.

Se será suficiente para garantir ao Remo a permanência na Série A, ainda não é possível dizer. Mas, sem dúvida, é a solução mais inteligente.

De aprendiz em aprendiz, o Fogão só afunda

O botafoguense é, acima de tudo, um forte. Resiliência é a característica inata de todo torcedor da Estrela Solitária, mas em certas ocasiões até os resilientes se abalam. Como ontem, na inacreditável eliminação para a Chapecoense, lanterna da Série A e um dos piores times do Brasil. O Botafogo conseguiu ser pior ainda, e perdeu por 2 a 0.

Sofreu dois gols de pelada e errou todas as tentativas de descontar. Perdeu uma carrada de chances por inépcia de seus atacantes. Nem o craque Danilo escapou ao vexame. Uma noite tétrica. Mais uma vez, o time está fora da Copa do Brasil.

O mais desolador é observar que o sujeito que inventou mais um estagiário no comando foi escorraçado do clube desde o ano passado. Franclim Carvalho é só mais um aprendiz, como Davide Ancelotti.

Que os novos investidores tragam novas ideias e propósitos.

Definitivamente, o Botafogo não é faculdade.

CBF dobra aposta e Ancelotti fica até a Copa-2030

Em anúncio oficial nesta quinta-feira (14) que pegou muita gente de surpresa: Carlo Ancelotti foi confirmado como técnico da Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2030. O italiano e a direção da CBF assinaram a renovação de contrato por mais quatro anos, antes dos últimos amistosos do Brasil até o embarque para o Mundial de 2026.

“Estamos muito felizes em anunciar que continuaremos juntos por mais quatro anos. Vamos juntos até a Copa do Mundo de 2030. Quero agradecer a CBF pela confiança. Obrigado, Brasil, pela calorosa recepção e por todo o carinho”, declarou Ancelotti.

Ancelotti não receberá reajuste salarial, mas garante o patamar de técnico com maior salário da história da Seleção: 10 milhões de euros anuais (pouco mais de R$ 5 milhões por mês). Sua comissão técnica

A trajetória de Ancelotti com a Seleção se iniciou há quase um ano. Após anos de negociações frustradas, ainda na gestão de Ednaldo Rodrigues, o treinador foi anunciado oficialmente pelo antigo presidente da CBF em 12 de maio de 2025, logo após sair do Real Madrid.

Nem tudo é tão alvissareiro assim. Logo depois de confirmar a permanência de Ancelotti, a CBF anunciou novas renovações. Todos os integrantes da comissão técnica e do departamento de seleções também ficam até 2030, incluindo Rodrigo Caetano, executivo geral de seleções masculinas, e Juan, ex-zagueiro e atual coordenador técnico.

Reflexão Master do dia:

“Já fomos roubados por gente melhor”.

(Jô Soares)

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 15)

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