POR GERSON NOGUEIRA

Quando precisou de um atacante para dividir tarefas com Pedro Rocha durante a campanha da Série B, o Remo recorreu a João Pedro, natural de Guiné-Bissau e procedente do futebol vietnamita. A resposta veio na forma de dois decisivos gols na partida que garantiu o acesso à Primeira Divisão, contra o Goiás, no Mangueirão lotado pelo Fenômeno Azul.

O Remo vivia uma tarde iluminada, sob a batuta de Guto Ferreira, após conquistar vitórias seguidas e contrariando todas as previsões para garantir a sonhada passagem para a Série A.

João Pedro não esteve em todos os jogos – entrou em 13 ocasiões – mas fez quatro gols, sendo que indiscutivelmente os dois diante do Goiás foram os mais importantes de sua carreira e seguramente os mais marcantes para o torcedor azulino na campanha do acesso.

O goleador do Remo e do campeonato foi Pedro Rocha, mas João Pedro cravou seu nome na memória afetiva da torcida, até porque – ao contrário de Rocha – permaneceu no clube para a disputa da Série A.

Como em 2025, ele não foi listado como candidato à titularidade. Com o acesso, o Remo viu-se obrigado a sair em busca de reforços para o ataque. Trouxe Alef Manga, Rafael Monti, Gabriel Taliari e Gabriel Poveda.

O tempo foi passando, os gols rareando e, na metade do 1º turno, João Pedro reaparece como alternativa para compor o ataque, situação aberta com a ausência de Taliari, lesionado. Depois de entrar no final das partidas, ele volta a ser considerado como candidato à titularidade.

Na partida contra o Cruzeiro, no Baenão, entrou a 13 minutos do final, substituindo Poveda, que havia sido a escolha do técnico Léo Condé. Ao contrário de Poveda, João Pedro não atua de forma fixa na área. Costuma sair para participar das manobras e é mais rápido nos contra-ataques.

É o centroavante de estilo mais parecido com o de Taliari, o que dá a Condé a possibilidade de utilizá-lo sem mudar o sistema que vinha funcionando razoavelmente até o jogo com o Bahia, pela Copa do Brasil.

Por essa razão, João Pedro tem boas chances de ser titular contra o Botafogo, amanhã, no estádio Nilton Santos, no Rio. Se alguém no elenco é capaz de se adaptar bem ao jogo de transição e velocidade, explorando os lados do campo, este é o camisa 45. Além do desembaraço no ataque, tem algo que o futebol não costuma menosprezar: é um pé-quente, talhado para partidas de grande responsabilidade.

Papão elege Copa Norte como prioridade

Com o compromisso definido contra o Águia pela semifinal da Copa Norte, o PSC começa a analisar a possibilidade de disputar a partida com força máxima, ao contrário dos jogos anteriores disputados na competição. Ainda no estádio de Santana, na quarta-feira à noite, o técnico Júnior Rocha preferiu não oficializar uma decisão.

O mais provável é que a definição saia após o confronto de domingo (3), pela Série C, contra o Botafogo-PB, na Curuzu. A partida válida pela semifinal do torneio está confirmada para quarta-feira (6), às 19h, no estádio Zinho Oliveira, em Marabá. Como tem melhor campanha, o Águia terá direito ao mando de campo.

Como o confronto seguinte pelo Brasileiro será no outro fim de semana, diante do Anápolis (GO), também na Curuzu, haverá tempo para recuperar fisicamente o grupo de jogadores, permitindo ao técnico Júnior Rocha usar sua formação mais qualificada.

Contra o Trem, o treinador escalou alguns jogadores que normalmente já participam da Série C. É o caso de Ítalo Carvalho, Juninho, Henrico, Hinkel e Lucas Cardoso, que atuaram na vitória de 3 a 0 que garantiu classificação à semifinal.

Para o PSC, segundo a comissão técnica e os próprios dirigentes, a Copa Norte é uma prioridade – embora o objetivo maior da temporada seja o acesso à Série B. Depois de conquistar o título paraense da temporada, o time está na disputa buscando conquistar o bicampeonato da competição, abrindo caminho para decidir a Copa Verde.

Convocação para a Copa ativa lobbies poderosos

Ao aceitar o milionário convite da CBF para comandar a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti talvez não fizesse ideia do tamanho da encrenca. Os jogos das Eliminatórias Sul-Americanas serviram de aperitivo para as pressões poderosas que envolvem a escolha de jogadores para o escrete.

Além da disputa ferrenha de agentes e empresários do setor, todos determinados a garantir a presença de seus representados no principal palco do futebol mundial a partir de junho, Ancelotti convive hoje com um lobby que parecia esvaziado desde a Copa de 2010.

Naquele mundial, quando a dupla Neymar-Ganso voava em campo pelo Santos, a pressão partiu da torcida, ansiosa pela presença de ambos na Seleção. O técnico Dunga fez jogo duro, levou seus “atletas de Cristo” e deixou as jovens revelações do Santos de fora da lista final.

Desta vez, porém, a cobrança não é exatamente um clamor popular. Parte de pessoas que mobilizam fortunas e que miram muito mais nos contratos de publicidade do que no rendimento do time em campo.

Neymar é o nome mais mencionado, não porque esteja jogando em nível de competição, mas por representar a possibilidade de grandes lucros. Mas há um ensaio de outros lobbies, agora envolvendo três rubro-negros sempre questionados, mas que a grande mídia avaliza: Pedro, Léo Pereira e Paquetá. 

Argumentos apaixonados começam a ser expostos, alguns beirando o ridículo. Ancelotti não terá paz até o dia da convocação.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 01)

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