POR GERSON NOGUEIRA

Nada mais aleatório do que ver um dos últimos hinos incontestáveis do rock moderno executado ao vivo no palco do Teatro Amazonas, em Manaus, nos idos de 2005. Jack e Meg White mandaram ver brilhantemente, com um som pesado e cru nesse registro do clássico “Seven Nation Army” (Exército das Sete Nações), que virou hit nos estádios de futebol do mundo inteiro.

O show foi realizado na noite de 5 de junho de 2005 para uma plateia de 701 pessoas. É seguramente a apresentação mais inusitada de uma grande banda internacional em solo brasileiro, até porque Manaus é conhecida historicamente como uma cidade pouco conectada com o rock. O ponto alto foi “Seven Nation Army”, mas Jack e Meg tocaram todas as músicas do álbum Get Behind Me Satan. 

“We’re Going to Be Friends” foi tocada de forma acústica, fora do teatro, para os fãs que não conseguiram ingressos. O show fez parte da mística “Under Amazonian Lights”. 

O Teatro Amazonas, monumento da arquitetura urbana erguido (como o nosso Da Paz) na fase áurea da produção da borracha, foi inaugurado em 1896. Jack tocou sentado no parapeito do teatro, para comoção dos fãs que lotavam a área externa.

O fato é que Jack White, líder e fundador do White Stripes, também conhecia a história do teatro e tinha vontade de se apresentar ali. Aproveitou a turnê brasileira da banda para realizar o sonho. de que Jack e Meg teriam se casado na manhã de 1 de junho a bordo de uma canoa bem no encontro das águas do rio Negro com o Solimões.

Segundo o repórter Richard Cruz, em artigo no site Scream & Yell, “mesmo horas antes do início da apresentação já havia uma multidão ao redor do teatro. As pessoas se acomodavam da maneira que dava nas mesas dos bares mais próximos e nas cadeiras colocadas na Praça São Sebastião, destinadas geralmente ao público que vai assistir, do lado de fora, aos espetáculos de ópera que ocorrem na área interna do teatro”.

Até aquela data, a última banda internacional de rock a pisar em palcos amazonenses havia sido o Faith no More em 1991 (!), o que tornava o show do White Stripes um evento imperdível. E o show conseguiu a proeza de reunir, em um só lugar, headbangers, góticos, punks, indies, curiosos e até “gente normal”. Não importava a idade. Todo mundo que se dizia roqueiro na cidade estava lá. Dentro ou fora do Teatro.

“O show começou pontualmente às nove da noite. Como as cortinas estavam abertas, a primeira coisa que se via era o enorme pano de fundo da turnê do disco ‘Get Behind me Satan‘: o desenho da maçã, que também estava no bumbo da bateria de Meg. Bem de pertinho do palco já se via toda a parafernália que eles usariam: pianos, teclados antigos, dois enormes tambores usados por Meg em ‘Passive Manipulation’, música de pouco menos de um minuto cantada por ela e que foi repetida três vezes na noite, guitarras, violões e até uma marimba (!!!).”

Um funcionário da organização foi ao microfone e contou que Jack havia se casado naquela manhã. “Na hora, ninguém entendeu se havia sido com a Meg ou com outra mulher (depois, os blogs da época revelaram que a noiva era a modelo Karen Elson, que a cerimônia havia sido presidida por um xamã e depois oficializada por um padre. O casal já se separou…)”. Jack e Karen se casaram a bordo de uma canoa no encontro das águas do Rio Negro com o Solimões.

Cruz relata que no show Jack levou um tombaço, tropeçando em uma caixa de retorno no meio de um solo de guitarra. Na volta para o bis, passou pelo meio do corredor entre as fileiras de poltronas da plateia e foi (tentar) tocar “We’re Going to Be Friends” (do álbum “White Blood Cells”, de 2001) na sacada do teatro, para quem via o show no telão da praça.

Dentro do teatro, o público ainda esperava por “Seven Nation Army”, e o maior hit do White Stripes causou a comoção já esperada. “Aos pagantes se juntaram os espertos que entraram no tumulto causado por Jack quando foi tocar no pátio do teatro. Todos juntos pulando e gritando o riff da música, ao ritmo do estrobo preparado para o encerramento”, finaliza Richard Cruz.

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