
POR GERSON NOGUEIRA
O futebol, como a vida, é cheio de embaraços desafiadores que de um momento para outro podem se transformar em oportunidades maravilhosas. A encruzilhada entre risco e chance se impõe ao Remo contra o Flamengo nesta noite (20h), no palco do Maracanã, pela 6ª rodada do Brasileiro.
A montanha de dificuldades que o time de Léo Condé terá que escalar é proporcional às recompensas que podem advir desta missão. Em caso de resultado satisfatório diante do Flamengo, o Remo se recompõe no campeonato e ganha motivação para enfrentar as próximas rodadas.
No esforço diário para dar entrosamento ao time, o técnico vai cumprir apenas seu terceiro jogo à frente do Remo e parece ter definido alguns pontos de referência. Na zaga, o central Marllon é o xerife do setor. No meio-campo, Patrick ganha a titularidade depois de dois meses ignorado no Baenão. Ambos já trabalharam com Condé.
As contratações dos centroavantes Poveda e Taliari, fechadas no último final de semana, podem provocar mudanças na equipe já a partir deste jogo, caso sejam regularizados a tempo. São jogadores que vêm atuando e prontos para entrar em campo, o que facilita o aproveitamento imediato.
Como o ataque tem sido um dos setores mais carentes do time, Condé vem quebrando a cabeça na busca por soluções ofensivas com poucas alternativas disponíveis. No momento, conta apenas com Alef Manga, João Pedro, Hernández e Jajá. Poveda e Taliari chegam no momento certo.
Para enfrentar o Flamengo de Léo Jardim, que promete botar em campo a formação titular, Condé deve escalar a linha média com quatro jogadores – Leonel Picco, Patrick de Paula, Patrick e Vítor Bueno. De Paula não jogou contra o Coritiba, mas é titular, apesar da pífia presença contra o Fluminense. Zé Ricardo e Zé Welison ficam como opções.
Apesar dos temores da torcida quanto a um resultado extravagante, o time vê na partida a possibilidade de se recuperar na competição e ganhar a confiança da torcida, abalada desde a perda do Campeonato Paraense.
Necessidade pode apressar estreia de reforços
Gabriel Taliari, de 28 anos, foi anunciado ontem como nova aquisição do Remo para a disputa da Série A. O atacante se destacou defendendo o Juventude. Desde 2023, disputou 86 partidas e marcou 23 gols, consolidando-se no Brasileirão do ano passado, com oito gols e quatro assistências. Manteve a boa fase neste ano, com seis gols em 11 jogos.
Antes do Juventude, ele passou pelo Athletico-PR, Mirassol e CSA. Com problemas sérios no ataque, o Remo foi ao mercado e fechou a contratação de Taliari em tempo recorde, pagando cerca de R$ 4 milhões para ter o jogador em definitivo, com contrato que vai até o fim de 2028.
Ao mesmo tempo, o Leão traz por empréstimo o também centroavante Gabriel Poveda, 27 anos, para a sequência da Série A. Nesta temporada, Poveda defendeu o Primavera no Campeonato Paulista, assinalando cinco gols em nove partidas.
A temporada mais destacada de Poveda foi em 2022, quando foi o artilheiro da Série B do Campeonato Brasileiro, marcando 19 gols pelo Sampaio Corrêa, sob o comando de Léo Condé. Como vem treinando com o elenco desde segunda-feira, em Curitiba, Poveda pode ser a grande novidade no ataque do Leão hoje à noite.
Capixaba, o ala direito que assombrou o Canindé
Um garoto se destacou especialmente entre os vários que o PSC colocou em campo na iluminada noite de terça-feira (17) no estádio do Canindé. Com arrojo e velocidade, Mateus Capixaba tomou conta da missão pelo lado direito do ataque, contribuindo bastante para a pressão imposta sobre a zaga da Portuguesa de Desportos no 2º tempo.
Ele entrou já na metade da etapa final, mas se lançou às jogadas de linha de fundo com tanto capricho que levantou questionamentos sobre sua escalação. Diante da fraca atuação de JP Galvão, ficou evidente que Capixaba deveria ter sido o titular.
A justificativa oficial para ter sido utilizado por apenas 25 minutos foi o desgaste da viagem aérea na véspera. Tudo bem, mas um atleta de 19 anos certamente daria conta do recado se fosse lançado desde o início.
De toda sorte, o rendimento de Capixaba foi impressionante. Avançou sobre os marcadores, driblou e cruzou com extrema competência. Soube aproveitar o buraco na marcação defensiva da Lusa após a expulsão do zagueiro e capitão Eduardo Biazus.
Junto com Thalyson, que entrou quase no final, formou uma dupla agressiva e determinada, esbanjando rapidez e precisão ao conduzir a bola. O esmero em controlar a bola, sempre que era lançado, era digno de um jogador veterano.
A responsabilidade diante de um jogo tão importante e decisivo confirma que Capixaba e seus companheiros estão amadurecidos, e realmente prontos para encarar missões mais desafiadoras, inclusive no Brasileiro da Série C.
Em meio a todas as performances individuais que garantiram a espetacular virada do Papão no Canindé, arrisco dizer que o papel desempenhado por Capixaba foi o mais importante.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 19)
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