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Por Tom Cardoso (*) – no Facebook

Lobão anda meio sumido, né?
Fui dar uma procurada nas redes e achei essa foto aí.
Ele adotou o bigodinho do Hitler.
Achei apropriado.
Fiquei pensando como se deu a mutação do Lobão sarcástico, comedor de criancinha, para o Lobão adulador da ditadura, escada do Olavo de Carvalho.
Mas estou aqui pra contar a minha experiência como empregado do Lobão.
Ele resolveu fazer uma revista, a Outra Coisa – e me chamou.
A profissão de jornalista é uma merda, mas a gente se diverte.
E não tinha nada mais hilário do que as reuniões de pauta da revista.
A gente sempre se reunia, eu, o Lobão e a mulher dele, num restaurante alemão do Leblon.
Eu não sei se o Lobão já tinha parado de cheirar, ou se a troca de cocaína por rapé fez mal ao cara – experimente dar um pouco de Yakult para o Keith Richards para ver o que acontece –, mas ele foi o editor mais sem noção que eu já conheci.
O Lobão queria de qualquer jeito que eu entrevistasse o Osama Bin Laden. Juro.
Eu tentava argumentar, dizendo que se a CIA não tinha pistas do cara, eu, um repórter preguiçoso, teria certa dificuldade.
Ele insistia. E a mulher dele dava corda. Papo de maluco total.
Eu trabalhava, nessa época, na redação do jornal Valor. Toda tarde, o Lobão ligava:
– Tom, conseguiu achar o Osama?
Eu achava que era melhor não contrariar:
– Lobão, tô mexendo os pauzinhos, falando com as minhas fontes. Calma, a gente chega lá.
O Lobão nunca me pagou.
Recebia a grana, mas não pagava os colaboradores.
A última vez que falei com o Lobão foi por telefone.
Ele tinha feito a pergunta de sempre e eu, de saco cheio por não receber, com monte de conta pra pagar, respondi:
– Lobão, achei o homem.
– Você está brincando, Tom. Sério?
– Sim. Você me manda para o Afeganistão?
– Humm. Não consegue fazer por e-mail?
Pensei em dizer que nas montanhas de Tora Bora não tinha wi-fi, mas achei melhor acabar com aquela maluquice:
– Lobão, vai dar meia hora de cu, vai.
Esse texto faz parte do meu novo livro de crônicas. Quem quiser comprar diretamente com o autor é só dar um alô.
(*) Tom Cardoso é autor das biografias de Sócrates, Tarso de Castro, Cássia Eller. Prêmio Jabuti “O Cofre do Dr. Rui”.
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