Entre a crise e a oportunidade

POR GERSON NOGUEIRA

Depois de duas derrotas na semana, o Remo está diante do velho dilema: ou mergulha em crise ou abraça a oportunidade de se reabilitar no Brasileiro da Série C. De quebra, caso consiga superar o líder Mirassol hoje, ajudará o torcedor a esquecer mais rápido a frustração com o mau resultado diante do Cruzeiro na Copa do Brasil.

De maneira geral, o futebol tem essa vantagem em relação a outras atividades humanas: oferece sempre a chance da volta por cima, às vezes três dias depois de um mau passo, sendo que a vida nem sempre é tão prestimosa em dar essa colher de chá.

A dificuldade de jogar contra o melhor time da competição, funciona como um estímulo a mais para os azulinos. O Mirassol é o adversário perfeito para comprovar o valor da equipe e um triunfo recoloca o Remo no G8.

Para ter sucesso na partida, o Remo terá que se reinventar, principalmente a partir do setor de criação, que perdeu Albano por lesão contra o Cruzeiro. Foi a terceira apresentação do meia, que começava a se firmar e a contribuir para a organização do time.

A defesa segue com a dupla Marlon-Daniel Felipe, titular desde o começo da Série C, mas na lateral direita Bonamigo deve continuar improvisando o zagueiro Kevem.

Sem ele, o técnico Paulo Bonamigo deve escolher entre Erick Flores e Marciel, mas nenhuma das opções tem as características e habilidades que a função exige. Marciel, porém, daria mais segurança na marcação, se atuar ao lado de Anderson Uchoa e Paulinho Curuá.

O ataque terá o retorno de Rodrigo Pimpão e Netto, que não puderam ser utilizados na Copa do Brasil. No lado direito, Bruno Alves segue como principal alternativa, embora ainda não tenha reeditado as boas atuações do Campeonato Paraense.

Uma coisa é certa: se insistir no esquema retraído e sem transição ágil, o Remo vai passar aperreio. Pouco efetivo na construção de jogadas, fica excessivamente exposto a times que propõem jogo, exatamente o caso do Mirassol. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão: desafio é manter a invencibilidade

Os cinco primeiros jogos do PSC no campeonato deixaram uma imagem positiva do time de Márcio Fernandes. Mesmo sofrendo com a ausência de titulares importantes – Ricardinho, Bileu, Danrlei –, a campanha é satisfatória. Melhor ainda: o estilo ofensivo conquistou a torcida. A invencibilidade é consequência desse desempenho.

Um aspecto a destacar é que, com exceção do tlético-CE, o PSC só enfrentou times que estão ou já frequentaram a primeira página da classificação – ABC, Mirassol, Ypiranga e Botafogo-SP.

O entrosamento alcançado será posto à prova hoje fora de casa, diante do São José-RS, sem o principal articulador do time. José Aldo, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, será substituído por Serginho ou João Vieira.

Serginho é um meia-atacante, com infiltração na área e aproximação pelo lado esquerdo do ataque. João Vieira é armador como José Aldo, mas ainda não parece à vontade. Contra o Botafogo, foi uma peça destoante.

O ataque deve ter Robinho, Marcelo Toscano e Marlon. Foi com esse trio que o PSC realizou a maioria dos jogos. Robinho só ficou de fora por dois jogos em função de uma contusão. O veterano Pipico, trazido para o lugar de Henan, só deve estrear na oitava rodada.

Bola na Torre

A apresentação é de Guilherme Guerreiro, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O programa começa às 21h30, na RBATV, mostrando os gols das partidas do fim de semana. A edição é de Lourdes Cézar.

SAF vira sonho e panaceia de torcedor apaixonado

A diretoria do Remo não levou a sério a proposta de compra do clube (via SAF) anunciada por supostos representantes de investidores árabes. A notícia embalou os sonhos de parte da torcida nos últimos dias, como se fosse oficial e concreta. Ainda não é. O presidente do Conselho Deliberativo, Milton Campos, ratificou a posição do presidente, Fábio Bentes, informando que não há oferta em análise.

Os recentes exemplos de Botafogo e Cruzeiro servem de estímulo aos que sonham com sucesso rápido, a partir de robusta injeção de recursos. Torcedores de todos os clubes vivem na expectativa da chegada de um milionário disposto a montar timaços do dia para a noite.

Como dizem os americanos, não há almoço grátis. O problema é que a divulgação do negócio começou da maneira errada, através da mídia. Os dirigentes ficaram sabendo através de jornais e sites.

O anúncio dos valores (cerca de R$ 210 milhões) impressionou, mas passagens confusas por clubes emergentes regionais (Bragantino e Ipiranga-AP) reforçaram a desconfiança entre conselheiros e dirigentes azulinos em relação aos interessados na compra.

A SAF é um caminho interessante, mesmo para um clube saneado e com gestão em ordem, como o Remo, mas é preciso haver responsabilidade na hora de mensurar condições, valores e variáveis. Acima de tudo, cabe avaliar histórico e prática dos proponentes do negócio.

Duro é explicar a um torcedor apaixonado, ávido por conquistas, os riscos embutidos no negócio. Quando o ex-presidente Amaro Klautau propagou a ideia fantasiosa de uma Arena do Leão, em 2010, o rebuliço foi grande e a coluna – única a questionar e apontar os furos do negócio – foi alvo de ataques furibundos. O tempo, como sempre, deixou as coisas em seus devidos lugares, mostrando com quem estava a razão.    

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

2 comentários em “Entre a crise e a oportunidade

  1. O Remo estava até se organizando no meio-campo, mas com a saída do Albano volta a mesma situação de 2021, sem um meia para organizar o meio-campo, vai mostrar um futebol penoso e sem maiores aspirações.
    O lado esquerdo do Remo é o caminho, pois Leonan não sabe marcar e o Marlon não atuar nas bolas aéreas. Insistir com o Marlon somente para bater falta é teimosia.
    Se o Remo almeja a classificação, precisa contratar um meia, um lateral esquerdo e um zagueiro.

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  2. a partida de hoje do remo é daqueles que recebem a alcunha de jogo da vida. Não para o clube, mas para o Bonamigo. Se ganhar segue como treinador, fazendo as retrancas e antijogo. Mas, se perde (até se empata) poderá sair do estádio para a preparação das malas, cantando Marília Mendonça.

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