O que vem fácil, vai fácil

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo teve a vitória nas mãos por sete minutos. Fez o primeiro gol aos 4’ e o segundo aos 10’ do segundo tempo. Gols nascidos de belos cruzamentos, melhores jogadas do time em toda a partida. A comemoração da torcida no Baenão deu a dimensão das dificuldades do jogo. Pena que a alegria durou pouco. Em dois minutos, aos 24’ e aos 25’, o São José empatou. Aliás, quase virou minutos depois.

Impossível não pensar na eterna lei das ruas. Coisas que vêm fácil costumam ir fácil também, diz o adágio popular. O Remo sentiu o peso dessa verdade. Os gols não resultaram de uma atuação consistente e superior. Longe disso. O desempenho dos azulinos foi impactado pelos erros – nos passes, nos desarmes e nas finalizações.

Com um meio-campo limitado a dois jogadores, Anderson Uchoa e Paulinho Curuá, o Remo não tinha ninguém cuidando da armação das jogadas. O futebol não permite esse tipo de desatino. Foi por ali, na parte central, o São José se organizou e criou dificuldades durante quase toda a partida.

O primeiro tempo transcorreu quase sem emoções porque os times se esmeraram tanto nos erros que não conseguiam criar chances reais de gol. As melhores investidas do Remo foram através de Bruno Alves, deslocado pela esquerda. Fez dois cruzamentos perigosos, mas ficou nisso.

Depois do intervalo, Paulo Bonamigo manteve a mesma formação e, de repente, em duas arrancadas pelos lados, o time chegou ao gol. Leonan cruzou da esquerda e Brenner testou para as redes, logo aos 4 minutos. Aos 10’, atacando pela direita, Rony cruzou sob medida para Rodrigo Pimpão marcar seu primeiro gol com a camisa azulina.

Parecia que, contrariando todas as previsões, o Remo estava construindo uma vitória importante, mesmo sem armador no meio e utilizando quatro atacantes isolados e improdutivos na frente. Por alguns minutos, o time surfou no placar favorável e teve ímpetos de ampliar.

De repente, porém, a casa caiu. Em duas jogadas rápidas iniciadas pelo lado esquerdo, o São José chegou ao empate. Fácil, extremamente fácil. Aos 24’, Marcelo cruzou uma bola alta, a zaga ficou olhando e Cristiano testou para as redes. O Remo deu a saída, perdeu a bola e o São José armou um ataque rápido. Maradona recebeu dentro da área e chutou no canto direito do gol de Vinícius, que nem foi na bola.

O efeito foi terrível para o time azulino. Atarantado, o Remo tentava sair de seu campo em busca do terceiro gol, mas se atrapalhava, precipitava jogadas e não chegava à área. Bonamigo trocou Rony e Paulinho Curuá e colocou Ronald e Vanilson. Marciel entrou e foi jogar na frente. Em meio a isso, o setor central continuou fragilizado.  

Com o São José recuado e com 10 jogadores (Tiago Pedra foi expulso aos 35’), os ataques se sucediam. Na base da valentia, o Remo tentava diminuir o prejuízo. Vanilson até acertou um chute perigoso. Na reta final, após confusão na área, Marciel quase fez o gol da vitória, com um chute que passou tirando tinta da trave de Fábio Rampi.  

Gedoz não joga, mas aquece os bastidores

Desfalque de última hora no Remo, afastado da partida contra o São José por ter faltado ao treino de sexta-feira, o meia Felipe Gedoz acabou tendo o nome badalado como se tivesse jogado. O problema é que, antes mesmo da notícia de que não estaria em campo, já circulavam boatos sobre uma possível saída em direção ao maior rival.

Ao longo do domingo a história foi ganhando nuances ainda mais esquisitas. Gedoz tem contrato com o Remo e só poderá sair caso pague a multa rescisória de R$ 500 mil. Para o futebol que o camisa 10 vem jogando e os seguidos problemas de contusão – está voltando aos gramados após longa ausência –, é difícil imaginar uma transferência do tipo.

Como a diretoria do Remo não se pronunciou e o jogador se manteve em silêncio, restaram as especulações. Há quem garanta, sem comprovação, que o empresário de Gedoz teria sido o porta-voz de uma oferta ao PSC, que não teria levado a sério a proposta.

De toda sorte, o ato de indisciplina queimou as pontes de Gedoz junto a Paulo Bonamigo, que foi o único a comentar o episódio da barração. Disse que não poderia escalar um jogador que não treina. Declaração que soou como uma avaliação definitiva por parte do treinador. Para tentar encontrar uma solução para o impasse, a direção marcou uma reunião para hoje.

Contra o Mirassol, Papão pode alcançar a liderança

Depois de um fim de semana com resultados ruins para os clubes paraenses (Tuna caiu em casa e Castanhal perdeu fora), o PSC tem a chance de garantir a liderança do Brasileiro da Série C. Com quatro pontos conquistados, um triunfo diante do Mirassol, em São Paulo, hoje à noite, colocará os bicolores na ponta da tabela em função do saldo de gols.

O técnico Márcio Fernandes deixou claro que vai escalar o mesmo time que atuou contra o ABC. No meio-campo, setor mais ajustado neste Brasileiro, José Aldo segue como referência, tendo mais à frente o suporte do meia-atacante Marlon.

No ataque, Robinho e Marcelo Toscano têm a missão de encarar a defensiva do Mirassol, time que mantém campanha 100% até aqui, com duas vitórias em dois jogos. Ambos fizeram boa partida contra o ABC, mas não conseguiram fazer gols, apesar de duas tentativas. A vitória veio dos pés do lateral esquerdo Patrick Brey. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)

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