Um gol para inspirar o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

A jogada brilhante e inesperada, daquelas que aparentemente caem do céu, tem o poder de mudar a perspectiva das pessoas sobre determinado jogador, muitas vezes estigmatizado como atleta de poucos recursos. O lateral esquerdo Patrick Brey protagonizou nesta semana um lance desse tipo. Em ação individual de rara felicidade, ele invadiu a área do ABC e disparou um chute perfeito, no ângulo, empatando uma partida que se desenhava difícil.

Além da importância do gol para o jogo e a campanha do PSC na Série C, a jogada foi marcante pela beleza plástica. Da forma improvável como o chute saiu, em meio a dois marcadores que já tinham bloqueado duas tentativas de Patrick, o goleiro Pedro Paulo foi apanhado de surpresa. Nem foi na bola, ficou meio a admirar a trajetória do disparo.

O brasiliense Patrick jogou fora do Brasil por algumas temporadas e apesar de jovem (24 anos), tem experiência acumulada, mas nunca foi cotado como titular no PSC. Sempre foi visto como reserva de João Paulo, que veio bem credenciado após boa campanha pelo Confiança na Série B 2021.

A boa atuação pode fazer com que ganhe mais espaço e até ganhe a posição. O gol vai aumentar o nível de confiança para os próximos jogos e pode inspirar o time inteiro já para o desafio de amanhã à noite contra o Mirassol, em São Paulo.

Na sexta posição, o PSC é um dos invictos do campeonato e enfrenta um time de campanha 100%, recém-saído do competitivo Paulistão. Pelas declarações da sexta-feira, o técnico Márcio Fernandes pretende manter o mesmo time que começou o jogo em Natal.

É uma providência coerente. Desde a partida com o Atlético-CE, a nova formação tem mostrado consistência. A ausência de cinco titulares (Danrlei, Ricardinho, João Paulo, Bileu e Serginho) não afetou o desempenho. O time se mostra organizado, com boa troca de passes e apenas uma deficiência: a pouca agressividade no setor de ataque.

No formato atual, a Série C impõe a necessidade de ousadia aos clubes que ambicionam o acesso. Em casa, quase todos são ofensivos e buscam sempre o gol. Como visitantes, recolhem-se a uma perigosa mania de apenas observar cuidados com a defesa.

O PSC é um dos times que brigam para alcançar o acesso e precisa se comportar como tal. Por isso, não pode repetir amanhã a estratégia comodista do jogo com o ABC, quando desfrutou de espaço e deteve mais posse de bola que o adversário. Nessas circunstâncias não deveria se conformar com o empate obtido no início do segundo tempo.

Quando as situações favorecem, é importante aproveitar o embalo e tentar garantir os três pontos. A disputa é árdua e acirrada. Subir é a meta de pelo menos 12 dos disputantes da Série C atual, incluindo a dupla Re-Pa.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h30, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em debate, a rodada da Série C e os jogos da Série D. A edição é de Lourdes Cézar.

Rádio Clube: 94 anos como referência no esporte

Os veículos de comunicação têm a obrigação institucional e básica de bem informar seus ouvintes, leitores e telespectadores. O rádio, pela força de alcance junto às camadas mais humildes, fincou uma bandeira de conexão com as massas que encontrou sua plenitude nas coberturas esportivas.

É tão sólida a relação entre futebol e rádio que fica difícil imaginar quem depende mais de quem. Mesmo em tempos de variedade de plataformas, o rádio segue impávido na preferência do torcedor, talvez porque com ele tenha estabelecido um vínculo de afeto e confidências.

Dono de linguagem mais coloquial, falando ao pé do ouvido, o rádio vai sempre além na comparação com seus concorrentes. Em alguns casos, apropriou-se das facilidades que a modernidade tecnológica trouxe. Se o radinho de pilha já não é tão comum hoje, as transmissões estão nos celulares.

A Rádio Clube do Pará, que comemorou 94 anos na sexta-feira, 22, é um exemplo do gigantismo que as ondas do rádio podem adquirir. Desde os primórdios, com Edgar Proença, até os dias de hoje a emissora se entrelaçou tanto com o futebol paraense que se tornou parte dele.

Esta talvez seja sua maior conquista: não há futebol no Pará sem Rádio Clube. Velhas e novas gerações são unânimes em reconhecer isso.  

Futebol sob ataque: uma realidade brasileira

A violência corre solta no ambiente do futebol no Brasil. É algo sistêmico e arraigado nas diversas esferas do esporte. Além da violência extracampo, impulsionada pelas facções organizadas, o jogo é marcado cada vez mais por ações grosseiras com a bola rolando.

Mais do que partidas disputadas com pancadaria e manobras de antijogo, chama atenção a reação intempestiva de jogadores em relação aos árbitros. Os mais badalados usam esse poder midiático para praticamente apitar os jogos, intimidando árbitros de forma ostensiva.

Tudo estará em risco enquanto o país do futebol permitir aberrações como Fred, o veterano do Fluminense, atuando impunemente para tumultuar jogos com rasgos de falsa malandragem. Do jeito como exemplos ruins proliferam, logo teremos outros Freds a desafiar a ordem natural das coisas.

Este é apenas um pequeno recorte. Existem muitos outros. Voltaremos a este tema tão atual quanto preocupante.  

(Coluna publicada no Bola edição de domingo, 24)

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