Leão abre boa vantagem

POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma vitória cirúrgica, sustentada na objetividade ofensiva do Remo. De cinco oportunidades criadas, aproveitou três e abriu uma expressiva vantagem para o confronto decisivo de quarta-feira. Em linhas gerais, o Remo foi mais organizado e aplicado na imposição de seu modelo de jogo, embora tenha concedido espaço excessivo, não aproveitado pelo PSC.

O começo da partida teve maior presença do PSC no ataque. Logo aos 4 minutos, Henan teve excelente chance, mas furou na hora de definir. Refeito do susto, o Remo deu a resposta logo em seguida, levantando bola na área e assustando o goleiro Elias.

Aos 11 minutos, Bruno Alves avançou até a linha de fundo e cruzou em direção à área. Marco Antonio raspou na bola e Brenner, no segundo pau, bateu para o fundo das redes. Empurrado pela massa torcedora, o Remo seguiu pressionando e ameaçando.

Marco Antônio perdeu grande chance aos 27 minutos. A bola foi cruzada na área e ele, livre de marcação, isolou a bola. O PSC procurava amiudar o jogo. Saía tocando e tentando abrir espaços na defensiva remista.

Apesar de conseguir trocar passes até a entrada da área, o ataque bicolor não aprofundava jogadas e era obrigado a finalizar de longe, quase sempre errando o alvo. Ricardinho, com lesão no pé, deixou o campo aos 30’.

Márcio Fernandes aproveitou para injetar mais força de ataque, colocando Robinho no lugar de seu camisa 8. A providência não surtiu efeito, pois os extremas eram pouco explorados.

O Remo seguia num padrão descomplicado, com transição rápida e eficiente. Aos 16 minutos do 2º tempo, veio o segundo gol: Brenner deu passe para Leonan, que foi ao fundo e cruzou. João Paulo se atrapalhou com a chegada de Brenner e tocou para as próprias redes.

A partida entrou em ritmo eletrizante, com o Remo animado e acreditando na ampliação do placar. Ironicamente, o uso de sinalizadores pela torcida acabou quebrando a sequência paralisando o jogo por quase cinco minutos.

Quando a bola voltou a rolar, o PSC vivia um impasse: tentar forçar para diminuir o prejuízo ou se proteger para evitar o terceiro gol remista. A bola era tocada para os lados, sem que os homens de frente – Toscano havia substituído a Henan – conseguissem furar o bloqueio imposto pela marcação dos volantes Paulinho Curuá e Uchoa.

A melhor chegada do Papão foi com Dioguinho, cujo chute Daniel Felipe tirou em cima da linha, e Serginho. Enquanto o Papão se mostrava confuso e pouco confiante para arriscar, o Remo era cirúrgico.

Aos 40 minutos, Bruno Alves cobrou escanteio e Uchoa subiu mais que os zagueiros Heverton e Genilson mandando no canto esquerdo de Elias, sem chances. O placar estava fechado, fazendo justiça à melhor organização coletiva e à perícia dos atacantes do Remo.

Volantes e defensores fizeram a diferença

Os homens de frente estiveram impecáveis. Todos foram importantes na construção da vitória remista: Bruno Alves na direita, Brenner centralizado e Ronald pela esquerda. O funcionamento do setor garantiu a vitória, mas a atuação se deve em boa parte à solidez do sistema defensivo, que permitiu ao time executar uma movimentação sempre consistente a partir de seu próprio campo.

Paulinho Curuá e Anderson Uchoa foram gigantes na proteção à linha de zagueiros. Marlon pontificou pelos acertos nas intervenções e também na capacidade de sair colocando a bola em jogo. Daniel Felipe, que substituiu Everton Sena, conseguiu se estabilizar após um início meio atrapalhado.

Nos minutos iniciais do 2º tempo, quando os times se estudavam e o cenário ainda estava em aberto (apesar da vantagem remista), foi fundamental a postura firme de Uchoa e Curuá no meio-campo, impedindo que as tentativas de José Aldo levassem o PSC a criar bons ataques. Por esse motivo, Marlon e Robinho tiveram pouquíssima margem de manobra.

O triunvirato Uchoa-Curuá-Marlon foi o grande destaque do Remo e do jogo. Com eles, Marco Antônio teve condições de acompanhar Brenner e Bruno Alves mais de perto. As coisas só não funcionaram à perfeição porque Ronald acabou muito isolado na parte final do confronto.

A trajetória cínica de um ex-jogador em atividade

Os campeonatos de Rio e S. Paulo foram definidos no fim de semana, com resultados que permitem observar a consolidação do Palmeiras como o grande time brasileiro do momento e a impressão de que o Flamengo não é mais aquele, apesar de continuar com os mesmos jogadores da temporada gloriosa de 2019.

O desfecho das decisões deixa claro também que alguns velhos hábitos insistem em maltratar o que nos resta de espírito desportivo. Fred, veterano que sobrevive da catimba e do apelo primitivo às torcidas mais raivosas, voltou a fazer das suas no jogo final com o Flamengo.

Sem espaço como titular, barrado pelo artilheiro Germán Cano, Fred aproveita os minutos em campo para trocar socos e provocar adversários. É tão manjada essa prática que chega a ser inaceitável que os árbitros não consigam conter o bad boy padrão master.

Ciente da balbúrdia reinante no futebol carioca e da covardia dos árbitros, ele resolveu roubar a cena agindo como um vilão sempre pronto a propor o antijogo como receita para garantir vitórias ao seu Fluminense, mesmo quando o Tricolor nem precisa disso, como na partida de sábado.

Apesar do estilo brucutu, deu certo mais uma vez. Quase no fim da partida – como diante do Botafogo – Fred entrou só para tumultuar. E cumpriu o script à risca, agredindo adversários e levando o vermelho em seguida. A longa epopeia para tirá-lo de campo é a parte derradeira da ópera bufa.

Mais triste nisso tudo é a romantização que a grosseria ganha nesses momentos. Parte da torcida tricolor, feliz com o título, resolveu também tratar com carinho aquele que se impõe como “seu malvado favorito”.

Desde o fiasco do Brasil na Copa 2014, Fred se tornou um ex-jogador em atividade. Passa mais tempo no DM e, como pegou pela frente um atacante mais jovem e letal, com o qual não pode competir, apela para as armas da cafajestagem premeditada. Até quando?

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 04)

3 comentários em “Leão abre boa vantagem

  1. Independentemente do que vier a ocorrer no jogo de quarta-feira, desde antes eu já vinha dizendo sobre a falsa impressão que o time do Paysandú vinha causando a muitos da imprensa, que, por sua vez, iludiam o torcedor do rival. Nove entre dez cronistas davam o PSC como pronto para a série C, que está nas portas, em contraponto ao Remo, que tropeçava com empates e jogos feios. Quando jogava bem, como contra a Tuna (fase classificatória), não vencia. Contra o Paragominas, gol anulado no último lance, e assim ia. Eu, não por ser azulino, não via o time do Remo tão ruim. Sobretudo, tem um bom treinador. Todos os primeiros seis jogos do PSC foram feitos em Belém, pois os fora de casa foram no campo da Tuna. Portanto, teve um caminho mais fácil na fase classificatória, enfrentando defesas atabalhoadas e ataques inoperantes.

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  2. Sobre ontem, Paulo Bonamigo nos surpreendeu positivamente ao escalar Daniel Filipe, e não Kévin, que havia substituído a Everton Sena no jogo anterior. Eu temia que que ele viesse a preferir Kévin, que é inseguro e falhou diversas vezes na campanha da série B do ano passado, contribuindo para o rebaixamento. Ao final, prevaleceu a objetividade com o dedo de um grande treinador. Com os reforços contratados, vamos lutar pelo acesso, novamente, no campeonato da série C, que está às portas.
    Ao mesmo tempo, o Remo contou ontem com o fraco ataque (sem Danrlei) do rival, que produziu ao longo do campeonato números ilusórios. A derrota acachapante para o Castanhal foi mascarada pelo campo ruim e pela escalação de um time misto. Veio, porém, o embate contra o CSA, que foi mostrado que o rei estava nu. Ainda assim, comparando-se com os fracos números do Remo, o Paysandu era dado como favorito.
    Nada como o tempo.

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  3. O time do Remo ainda não me empolga. Temos um goleiro, Vinícius, um homem gol, Brenner, e um zagueiro, Marlon, a altura das responsabilidades futuras. Podem ser colocados nessa cesta também Erick Flores e Gedoz, se motivados. Nesta semana aporta no Baenão uma barca dos quais só conheço Rodrigo Pimpão, jogador com pouca técnica, mas que joga com raça, para o time e dentro do plano traçado pelo técnico. O Remo para colher bons frutos tem de olhar para outras plagas e não para o outro lado da Almirante Barroso.

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